Maior vencedor do Oscar 2018, "A Forma da Água" é um conto de fadas BEM diferente

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Fox Searchlight Pictures

Mais uma fantasia de Guillermo del Toro encantou a todos, tanto público e crítica especializada. Indicado a 13 categorias no Oscar, "A Forma da Água" se consagrou o maior vencedor da edição de 2018, levando quatro estatuetas para casa, entre elas, a de Melhor Filme e de Melhor Diretor - o primeiro de del Toro.

Com muita sensibilidade e uma história tocante, "A Forma da Água" já entrou para a história como um conto de fadas bem diferente daqueles vistos na Disney.

"A Forma da Água": crítica

Conto de fadas?

Mais ou menos. A versão de Del Toro do clássico “O Monstro da Lagoa Negra”, de 1954, até é uma história de amor entre uma princesa e um monstro, mas com um contexto original e totalmente diferente. Em “A Forma da Água”, o monstro não é mau e a princesa é faxineira de um laboratório do governo norte-americano. 

Elisa (Sally Hawkins) não consegue falar por conta de um acidente que destruiu suas cordas vocais, mas consegue estabelecer uma conexão profunda com uma criatura, interpretada por Doug Jones, que foi trazida pelo agente Strickland (Michael Shannon) para ser estudada como uma possível arma de guerra.

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Fox Searchlight Pictures

Ambientada durante a Guerra Fria, a história gira em torno da comunicação entre Elisa e o Monstro, que começam a passar as madrugadas juntos no laboratório. Mas ao contrário de um conto de fadas, a princesa não é angelical e o grande objetivo do vilão não é impedir o romance. Com roteiro escrito por Del Toro em parceria com Vanessa Taylor (de “Game of Thrones”), há uma série de tramas e desenvolvimento de personagens em paralelo.

Outros personagens quase lúdicos dão suporte à história, como Giles (Richard Jenkins), o vizinho desenhista amante do cinema, a protetora Zelda (Octavia Spencer), ou Hoffstettler (Michael Stuhlbarg), dividido entre a política e a ciência.

Visual impressionante

O visual muito bem trabalhado é o toque final para imergir o público na história. O primor pela direção de arte, que já é uma marca no currículo de Guillermo Del Toro, fica evidente em “A Forma da Água”. Cada um dos cenários é detalhadamente construído para contar a história e, junto com a trilha sonora premiada no Globo de Ouro, fazem com que seja impossível não querer passear pelas cenas do filme.

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O monstro de Guillermo Del Toro

Mais do que acostumado a criar monstros fantásticos no cinema, como o vencedor do Oscar “O Labirinto do Fauno”, “Hellboy”, “Círculo de Fogo”, entre outros, Del Toro nos apresenta a uma nova criatura meio humana – e horrível - que homenageia o “Monstro da Lagoa Negra”, um dos favoritos do diretor.

No entanto, em “A Forma da Água”, a ideia é de que os monstros de verdade vivem entre os homens comuns – e de que são os criadores, não as criaturas.

Com personagens bem construídos pelo roteiro e atuações, a ideia de que os verdadeiros monstros caminham entre os homens deixa de ser um objetivo e se torna consequência da narrativa.

Oscar 2018