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Nasa grava "sinfonia" de estrelas vermelhas da constelação Draco: ouça

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NASA’s Goddard Space Flight Center/Chris Smith

Além visualmente deslumbrantes, as estrelas também podem ser musicalmente muito interessantes.

Observações do Transiting Exoplanet Survey Satellite (TESS), da NASA, permitiram que astrônomos identificassem uma inédita coleção de estrelas gigantes vermelhas pulsantes em todo o céu. Essas estrelas, cujos ritmos surgem de ondas sonoras internas, fornecem acordes de uma exploração sinfônica da galáxia.

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NASA/MIT/TESS and Ethan Kruse (USRA), M. Hon et al

O objetivo principal do TESS é buscar exoplanetas, mas suas medições sensíveis de brilho estelar o tornam ideal para estudar oscilações estelares, uma área de pesquisa chamada asteroseismologia.

“Nosso resultado inicial mostra que podemos determinar as massas e os tamanhos desses gigantes oscilantes com precisão que só vai melhorar à medida que o TESS avança”, disse em comunicado Marc Hon, bolsista da NASA Hubble na Universidade do Havaí, em Honolulu.

Como as estrelas produzem sinfonia?

Logo abaixo da superfície de estrelas como o Sol, o gás quente sobe, esfria e depois desce, onde se aquece novamente, como uma panela de água fervente em um fogão quente. Este movimento produz ondas de mudança de pressão - ondas sonoras - que interagem, conduzindo oscilações que produzem mudanças sutis de brilho.

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NASA’s Goddard Space Flight Center/Chris Smith

As oscilações estelares dependem da estrutura interna, da massa e do tamanho de cada estrela. Isso significa que a asteroseismologia pode ajudar a determinar propriedades fundamentais para um grande número de estrelas com exatas precisões.

Ao longo dos dois primeiros anos de observação, a sonda TESS capturou cerca de 75% do céu por meio de quatro câmeras.

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NASA/MIT/TESS and Ethan Kruse (USRA), M. Hon et al

As imagens foram usadas para desenvolver gráficos de quase 24 milhões de estrelas e, a partir dos dados, os pesquisadores treinaram um algoritmo para reconhecer outras estrelas do tipo, chegando a 158.505 gigantes pulsantes.

Em seguida, com base em informações da missão Gaia, da Agência Espacial Europeia (ESA), os cientistas buscaram medir as distâncias para cada gigante e medir suas massas através do céu.

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Kristin Riebe, Leibniz Institute for Astrophysics Potsdam

Foi possível observar que a faixa brilhante de estrelas na Via Láctea não é um fenômeno exclusivo da nossa galáxia. "Nosso mapa demonstra pela primeira vez empiricamente que este é o caso em quase todo o céu", afirma o coautor Daniel Huber, professor de astronomia na Universidade do Havaí.

De acordo com o astrônomo, "com a ajuda de Gaia, o TESS nos deu ingressos para um show gigante vermelho no céu". Ouça no vídeo abaixo as ondas sonoras de estrelas gigantes vermelhas da constelação Draco:

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