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Pele de tilápia trata queimaduras: curativo brasileiro é inovador e pode chegar ao SUS

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Viktor Braga/UFC

A tilápia é o peixe de água doce mais criado e comercializado no Brasil. A pele do animal normalmente é descartada pelos produtores, mas pesquisadores da Universidade Federal do Ceará (UFC) descobriram que ela é muito eficaz no tratamento de queimaduras.

Após tratamento, a pele da tilápia funciona como um "curativo biológico" e, além de ajudar na cicatrização, também ajuda a diminuir a dor, evita a perda de líquidos dos tecidos, previne contaminações e reduz o número de troca de curativos.

Projeto Pele de Tilápia pode chegar ao SUS

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Viktor Braga/UFC

O projeto foi desenvolvido pelo Núcleo de Pesquisa e Desenvolvimento de Medicamentos da UFC em parceria com o Instituto de Apoio ao Queimado e com o Centro de Tratamento de Queimados do Instituto Dr. José Frota (IJF). O material possui grande quantidade de colágeno dos tipos 1 e 3, importante proteína para cicatrização de feridas.

A pele de tilápia é usada no tratamento de pacientes do IJF desde 2015 e ocorre de forma experimental não só no Ceará como também em outros estados brasileiros. Atualmente, o tratamento está em fase de avaliação para ser incluído no SUS (Sistema Único de Saúde).

A aplicação da pele do peixe também gerou resultados positivos em outras áreas da medicina, auxiliando na reconstrução vaginal em pacientes com síndrome de Rokitansky e câncer de vagina, no tratamento de feridas e úlceras causadas por varizes e até mesmo no pós-cirúrgico de um caso de redesignação sexual de uma paciente trans, procedimento inédito no mundo, segundo a instituição.

Pesquisa saiu do Ceará para o mundo

Os resultados positivos do estudo no Ceará já chamam atenção do mundo. A partir das pesquisas realizadas na UFC, amostras de pele de tilápia foram enviadas à agência espacial norte-americana, a NASA, para o projeto "Cubes in Space" (Cubos no Espaço), com objetivo de ver como o material se comporta em condições diferentes de pressão atmosférica, radiação e gravidade.

Já o grande público teve chance de conhecer a pesquisa através de grandes séries de TV, como "Grey’s Anatomy" e "The Good Doctor". Apesar de serem produções ficcionais, elas se baseiam em fatos reais para narrar os episódios.

O Núcleo de Pesquisa e Desenvolvimento de Medicamentos da UFC também criou um banco de pele animal para uso em tratamentos médicos que atualmente tem capacidade de produzir cerca de mil peles a cada 48 horas. Esse banco pode ser importante no caso de grandes acidentes pelo mundo.

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Viktor Braga/UFC

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