Por que justificativa de líder da NASA para considerar Plutão um planeta foi tão criticada

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Hemera/Thinsktock

Recentemente, a fala de um membro da NASA sobre uma das mudanças de paradigma mais controversas dos últimos tempos para a ciência, a determinação de que Plutão é um planeta anão, reascendeu a polêmica sobre o tema.

Porém, o que ficou no centro no debate não foi a classificação do corpo celeste em si, mas a justificativa dada.

Declaração de líder da NASA sobre Plutão

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vadim Sadovski/shutterstock

Em 23 de agosto, Jim Bridenstine, o novo administrador da NASA, a agência espacial mais influente do mundo, disse discordar da decisão tomada pela União Astronômica Internacional (UAI) em 2006, quando, após extensa avaliação, foram determinados os critérios necessários para que um planeta seja definido como tal, deixando Plutão de fora desta determinação.

"Na minha opinião, Plutão é um planeta. Eu me apego a isso, foi assim que aprendi e estou comprometido com essa ideia".

Apesar de fatos científicos estarem sempre sujeitos a revisões e atualizações, atualmente, Plutão ainda é considerado um planeta anão.

Porém, o aspecto delicado de declaração de Bridenstine não é exatamente o fato de o administrador da NASA considerar Plutão um planeta, mas seu principal argumento: "foi assim que eu aprendi".

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L Galbraith / Shutterstock

A nomeação de Jim Bridenstine como o novo líder da NASA foi muito criticada desde o início, devido à sua juventude (44 anos) e sua educação científica nula (ele era piloto da Força Aérea e apresentador de televisão).

Além disso, tradicionalmente, essa posição sempre foi reservada para funcionários da agência espacial com excelente experiência científica, mas Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos, fugiu à regra ao nomear Bridenstine.

Desta forma, sua declaração sobre Plutão gerou uma série de críticas, inclusive de membros da própria NASA, que consideraram a justificativa leviana e desrespeitosa com o extenso trabalho feito por astrônomos para compreender o sistema solar e chegar à conclusão atual sobre o objeto.

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Win McNamee / Gettyimages

Por que Plutão não é mais um planeta?

Em 2006, a União Astronômica Internacional chegou a um consenso sobre as características necessárias para nomear um corpo celeste como sendo um planeta, excluindo Plutão dessa definição. Para ser um planeta, de acordo com a AIU, é necessário atender às seguintes características:

  • Órbita ao redor de um sol
  • Ter massa suficiente para que sua gravidade exceda forças rígidas e assuma uma forma de equilíbrio hidrostático (quase redondo)
  • Tenha pelo menos uma lua

Por outro lado, um planeta anão, categoria à qual Plutão pertence, é distinguido por:

  • Órbita ao redor de um sol
  • Ter uma massa menor
  • Sua órbita é invadida por outros corpos

Vale ressaltar que as grandes mentes de hoje, como Alan Stern, pesquisador principal do projeto New Horizon da NASA, acreditam que Plutão deveria, sim, ser considerado um planeta. Mas, diferentemente de seu diretor, ele o faz usando argumentos científicos.

Curiosidades sobre os planetas

Matéria traduzida do original de VIX espanhol, do autor Sebastián Pérez.