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Terra está girando cada vez mais devagar (e a culpa é da Lua!)

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O desejo de muita gente de que os dias durem mais já está sendo realizado. Embora não seja perceptível, a Terra está cada vez girando mais devagar: nos últimos 28 séculos, sua velocidade de rotação diminuiu, em média, 1,8 milissegundo por ano, segundo estudo publicado no Proceedings of the Royal Society em 2016.

Parece pouco, não? Mas imagine isso em uma escala de milhões de anos. Quando os dinossauros começaram a habitar Terra, há 250 milhões, os dias tinham cerca de 23 horas. Quando foram extintos, 65 milhões de anos atrás, sua duração já era de 23 horas e 30 minutos, aproximadamente.

A taxa de desaceleração do planeta não é constante. Eventos naturais como terremotos e tsunamis interferem na forma como a Terra gira – o evento de 2004, por exemplo, atrasou a rotação terrestre em mais de 1 milissegundo. De acordo com um estudo publicado na revista científica Science, a desaceleração da rotação da Terra está em progresso: em 2100, a expectativa é que o ano tenha 5 milissegundos a mais que hoje.

Como a Lua está desacelerando a Terra

Ao mesmo tempo, a relação entre Terra e Lua tem dois efeitos: o satélite cada vez mais se distancia daqui e o nosso planeta gira mais lentamente. Ambas, Terra e Lua, estão ligadas por um sistema de conservação de energia que existe desde a formação destes corpos celestes.

Como se sabe, a Terra gira em torno do Sol, a estrela que mantém 8 planetas em sua órbita. Da mesma forma, a Lua orbita a Terra. O motivo é o mesmo: corpos de maior massa têm mais força gravitacional e “seguram” corpos menores ao seu redor.

No entanto, esses corpos menores (Terra em relação ao Sol e, principalmente, Lua em relação à Terra) também interferem no movimento dos corpos maiores.

É isso que causa as marés aqui na Terra. A força gravitacional da Lua atrai a Terra para si também e, consequentemente, a face terrestre virada para seu satélite terá maré alta: a água, que é mais fluída que as placas de rocha, se move com mais facilidade, “puxada” pela atração da Lua. Assim, os movimentos de Lua e Terra se sincronizam.

Satélite tem efeito de freio

“A Lua ficou limitada na mesma velocidade por causa da massa da Terra. Mas tem efeito inverso: a Lua também desacelera a Terra. O deslocamento de massa de água e até de terra vai constantemente freando o planeta”, explica o astrônomo Roberto Costa, professor do Instituto de Astronomia, Astrofísica e Ciências Atmosféricas da USP.

O impacto da movimentação lunar em nosso planeta não é nada desprezível. Durante o giro da Lua, ela sobe o nível de água de um oceano em até 12 metros e afeta até as placas tectônicas, que sobem até 30 centímetros. Esse movimento de expansão e contração diminui a velocidade de rotação da Terra.

Outros fatores também contribuem, mas em menor nível. Por exemplo, o fato da Terra não ser uma esfera perfeita, mas um globo ligeiramente achatado e disforme. No hemisfério norte há mais massa do que no hemisfério sul, portanto a rotação é assimétrica – tal qual um peão de criança.

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E por que, afinal, a Terra gira?

A Terra gira porque ela sempre girou. E sempre vai girar, até o seu fim. Ainda que esteja em desaceleração, a rotação do planeta não vai chegar a ponto de paralisar de vez: Terra e Lua chegarão a um ponto de equilíbrio no qual o movimento de ambas será constante. Quando isso ocorrer, uma só face da Terra estará sempre voltada a seu satélite.

Não é só a Terra que gira em torno de seu eixo. Todos os corpos cósmicos têm este movimento. A teoria consensual na ciência é de que a imensa quantidade de energia produzida no Big Bang colocou toda a matéria conhecida do universo em movimento e assim como bolas de gude sobre um tecido.

Quando esse tecido tem uma bola maior que as demais, as menores circulam em torno dela. Por isso as galáxias giram em torno de seu eixo central, onde está concentrada a maior quantidade de massa. E nos sistemas estelares, planetas giram em torno de estrelas.

E como o universo tem nada senão completo vácuo, estes corpos giram para sempre, até explodirem ou serem engolidos por um buraco negro. “Quando se forma o disco galáctico, tudo gira em torno de algo e em torno de si, afinal estão no vácuo. É um modelo de conservação de energia”, explica Roberto Costa.

Rotação dos planetas solares

As condições com que os planetas se formaram, contudo, determinam a velocidade desta rotação. O tipo de material de que são compostos, a distância em relação ao Sol e o tempo de vida são fatores importantes.

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Terra e Marte, por exemplo, são planetas parecidos e têm sistema de rotação semelhantes: Terra gira em exatos 23h56 e Marte em 24h40. No caso de Júpiter e Saturno, ambos são igualmente rápidos: respectivamente, 9h50 e 10h42. Urano e Netuno, o mesmo: respectivamente, 17h14 e 16h06.

Muito próximo do Sol, Mercúrio já está quase chegando ao equilíbrio permanente com a estrela. Seu tempo de translação é de 88 dias e seu tempo de rotação é de 58 dias e 15 horas – ao longo de milhões de anos, o tempo de ambos será igual.

O caso mais curioso é de Vênus. Sua órbita é relativamente próxima à da Terra, assim como seu tamanho e material. Contudo, sua rotação leva 116 dias e 18 horas. Os astrônomos supõem que ao longo de seus mais de 4 bilhões de anos, algum asteroide tenha se chocado com o planeta e freado bruscamente sua velocidade.

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