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Estudo recria cérebro de dinossauro brasileiro e revela detalhes de seu funcionamento

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Rodolfo Nogueira / Fapesp / Youtube

Pesquisadores brasileiros e alemães conseguiram, pela primeira vez, reconstituir em computador o cérebro de um dinossauro. O Saturnalia tupiniquim, que habitou o sul do Brasil há 230 milhões de anos, teve parte de seu crânio recomposto por uma técnica de paleontologia virtual chamada microtomografia.

Usando parte dos fósseis do animal, encontrados na década de 1990 na região de Santa Maria, Rio Grande do Sul, a equipe de pesquisa na Alemanha preencheu trechos que faltavam do crânio de apenas 10 centímetros do animal.

Reconstituída virtualmente, a caixa craniana revelou características do cérebro e do encéfalo do animal, como volume e a forma desses órgãos. Geralmente, é a morfologia dos dentes que traz mais informações sobre hábitos dos dinossauros, mas o estudo foi além e mostrou traços evolutivos direto do cérebro.

Como era o Saturnalia tupiniquim?

As descobertas disseram muito sobre os hábitos desse dinossauro, um dos mais antigos que se tem registro. O S. tupiniquim é um dos pioneiros de uma linhagem conhecida como Sauropodomorpha.

Processos evolutivos que se iniciaram com ele foram responsáveis por dinossauros gigantes herbívoros que podiam alcançar até 40 metros de comprimento e pesar 90 toneladas. Porém, o ancestral brasileiro não passava do 1,5 metro com 10 quilos apenas. E, provavelmente, era carnívoro.

Descobertas do cérebro do dinossauro

Pelo método da microtomografia computadorizada, a equipe brasileira e alemã descobriu que duas regiões específicas do cérebro do dinossauro eram bem volumosas. Essas regiões são o flóculo e paraflóculo.

Essas estruturas são tecidos ligados ao sistema neurológico de controle de movimentos de cabeça e pescoço. Elas também atuavam ajudando a manter o olhar fixo em um determinado ponto.

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Rodolfo Nogueira / Fapesp / Youtube

O grande volume cerebral em regiões específicas que cuidam da movimentação da cabeça e ajudam na visão implica que essas atividades eram hábitos da espécie.

Como essas são características de predadores, o estudo computadorizado concluiu que, muito provavelmente, o Saturnalia era carnívoro e se alimentava de pequenos animais - o que é peculiar uma vez que esse dinossaurinho deu origem a uma linhagem de herbívoros.

Pesquisadores brasileiros e alemães na pesquisa

O estudo publicado na revista especializada Scientific Reports foi conduzido por Mario Bronzati, doutorando pelo Programa "Ciência sem Fronteiras" na Ludwig-Maximilians-Universitat (Alemanha) e ligado à Universidade de São Paulo. Seu orientador, Oliver W. M. Rauhut, é um professor alemão que também participou da pesquisa.

Além deles, Jonathas S. Bittencourt, da Universidade Federal de Minas Gerais, e Max Langer, da USP, também participa do artigo. Langer, aliás, fazia parte do grupo que encontrou pela primeira vez os fósseis no Rio Grande do Sul, há cerca de 20 anos.

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