Quais lugares do mundo - e do Brasil - têm mais risco de ter um terremoto?

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VIX

A maior incidência de terremotos ao redor do planeta está nas fronteiras entre as placas tectônicas. De todos terremotos registrados pela humanidade, aproximadamente 90% deles se distribuem nestas longas divisas entre as placas. Eles acontecem quando há um choque entre as placas - quanto maior a velocidade a qual a placa se movimenta, mais grave será o abalo sísmico.

Riscos de terremoto no mundo

São identificadas 28 placas tectônicas na Terra. Mas este é um número que pode aumentar por dois motivos: geólogos descobrirem divisões até então desconhecidas ou fissuras em placas que as racharem em duas.

As placas tectônicas são classificadas em três grupos. As grandes placas são a Norte-Americana, a Euroasiática, a Indoaustraliana (para alguns especialistas, são duas placas distintas, a Indiana e a Australiana), a Africana, a Antártica, a Pacífica e a Sul-Americana, onde se localiza o Brasil.

As placas secundárias são a de Cocos, a das Caraíbas, a de Nazca, a Filipina, a Arábica, de Anatólia, a de Escócia e a Juan de Fuca. As demais são classificadas como microplacas.

As fronteiras entre as grandes placas e as placas secundárias marcam os pontos de maior risco de terremotos no planeta. Devido a suas composições rochosas e velocidade, algumas placas são mais propensas a choque e, consequentemente, a ocorrência de terremotos.

Cordilheira dos Andes

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Shutterstock

O encontro entre as placas Sul-Americana e de Nazca, milhões de anos atrás, foi tão intenso que dele nasceu a enorme Cordilheira dos Andes, que margeia todo o continente sul-americano junto ao oceano Pacífico.

Colômbia, Peru e, principalmente, Chile, são os países nos quais o risco de terremoto é mais alto. A cidade chilena de Valdívia, inclusive, detém o indesejado recorde de terremoto mais intenso já registrado: em 1960, houve um abalo de 9,5 na escala Richter.

Costa oeste dos Estados Unidos

A Califórnia é um dos estados norte-americanos mais famosos e de paisagem natural mais bonita. É, também, o que tem mais terremotos. A placa Norte-Americana e a Juan de Fuca estão em permanente atrito, o que resulta em até 200 abalos sísmicos por semana. Isso, misturado à enorme falha geológica de San Andreas, pode resultar no próximo grande terremoto terrestre.

Também nos EUA, mas muito mais ao norte, depois do Canadá, o Alasca também é ponto de atenção: o segundo maior terremoto de todos (9,2 pontos) foi medido lá, em 1964.

Cordilheira do Himalaia

Dos cinco maiores desastres resultantes de terremotos, esta região foi afligida por três deles. Os registros de um terremoto em 1556 informam que morreram 830 mil pessoas na China. Em 1737 e 1976 foram, respectivamente, 300 mil e 242 mil pessoas mortas na índia e na China.

O choque das placas Euroasiática e Indoaustraliana (ou apenas Indiana) resultou na gigante Cordilheira do Himalaia, região onde estão as 100 maiores montanhas da Terra, como o Monte Everest e o K2. Toda a extensão do Himalaia apresenta risco alto de terremoto, o que inclui norte da Índia, região do Tibet (China), Paquistão e Nepal.

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Xinhua/Li Jing/Xinhua

Sudeste asiático

Difícil esquecer o episódio da tsunami que atingiu a ilha de Sumatra, na Indonésia, em 2004. O desastre aconteceu devido a um terremoto (9,1 na escala Richter) ocorrido no oceano Pacífico, resultado do choque das placas Euroasiática e Indoaustraliana (nesta região, apenas Australiana), e matou 230 mil pessoas.

A região é das mais perigosas: em 2017, houve um terremoto 6,8 pontos na Indonésia e outro de 7,9 pontos na Papua Nova Guiné.

Japão e península russa

O último terremoto de magnitude muito elevada ocorreu no Japão, em 2011. Um abalo de 9,0 pontos veio acompanhado de tsunami com ondas de 10 metros e ventos que chegaram a 800 km/h. Em 1952, a região russa de Kamchatka, fronteiriça ao Japão, teve um terremoto de mesma escala. Os acidentes que ocorrem por ali são resultantes da instabilidade entre as placas Euroasiática e das Filipinas.

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designua/shutterstock - arte/vix

Riscos de terremoto no Brasil

Felizmente para nós, o Brasil se localiza bem no meio da placa Sul-Americana, portanto o risco de vivermos um terremoto é bem remoto. Mas não impossível. Há um tipo de terremoto, geralmente de magnitude mais baixa, que ocorre em virtude da ação de falhas geológicas.

As falhas geológicas são fissuras nas gigantes placas rochosas que compõem o continente ou o oceano. Quando uma delas sofre algum abalo ocorre um terremoto.

No caso brasileiro, há pontos de concentração de falhas geológicas:

  • No Norte (em paralelo ao rio Amazonas; na fronteira do Amazonas com Acre; e em Roraima);
  • No Nordeste (do Pará, no Norte, até o Piauí; cinco entre o Ceará e Pernambuco; uma de Alagoas à Bahia; e uma dentro do território baiano);
  • No Centro-Oeste (duas que desde Tocantins, no Norte, até Mato Grosso; uma em Mato Grosso do Sul);
  • No Sudeste (duas paralelas em Minas Gerais; uma grande entre o Rio de Janeiro e Espírito Santo; duas, perpendiculares, em São Paulo);
  • No Sul (cruza todo litoral gaúcho).

Nota-se que grande parte do território brasileiro apresenta falhas geológicas. Mas não há motivos para preocupação, é improvável que elas causem grandes terremotos, embora seja impossível pela ciência hoje prever um próximo abalo. É mais provável que o Brasil seja afetado, em escala bem menor, por reverberações de choques entre a placa Sul-Americana e a de Nazca, na Cordilheira dos Andes.

Abalo sísmico