O que é uma frente fria e por que geralmente ela traz chuva consigo?

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A notícia da chegada de uma frente fria geralmente anuncia queda de temperatura e possibilidade de chuvas. Mas não devemos odiá-la: ela é um fenômeno natural importante para manter a temperatura da Terra em equilíbrio entre o ar gelado que se movimenta a partir dos pólos e o ar quente que se forma na região equatorial do planeta.

O que é a frente fria?

A frente fria, na verdade, é o limite, a fronteira que separa a massa de ar quente e a massa de ar fria. Quando dissemos que a “frente fria avança” é porque a massa de ar fria que se condensa nos pólos do planeta é atraída pelo calor e se movimenta em direção à região mais quente, onde passa a Linha do Equador.

Conforme a corrente de ar frio irrompe pelo continente, vai empurrando a massa de ar quente, que está (relativamente) parada, para cima - a velocidade das correntes frias é alta, chegam até 30 km/h, sendo que o recorde registrado é de 64 km/h. Mais seco e mais denso, o ar frio, digamos, é mais poderoso que o ar quente, e por isso ele ocupa o espaço onde o calor estava.

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Frio e chuva

O motivo do frio parece óbvio. Quando o ar gelado dos pólos ocupa espaço da massa de ar mais aquecida em regiões tropicais ele esfria o ambiente. E isso pode acontecer de forma nada sutil. Quando a frente fria passa, a temperatura pode cair até 10ºC em uma hora - antes da frente fria passar, contudo, o ambiente fica mais quente e com menos pressão.

Já o ar quente vai sendo enviado para cima e, devido à pressão atmosférica, tende a se condensar. Quanto mais sobe - primeiro forma nuvens tipo cumulus - mais fica condensado e mais frio -  quando já são nuvens cumulonimbus. O resultado é a precipitação em forma de água, ou seja, como chuva - quanto mais condensada a nuvem, maior a tempestade.

A frente fria vai parando aos poucos, afinal a cada barreira de massa de ar quente ela perde força.  E, então, quando a frente fria para em um lugar ganha o nome de frente estacionária.

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Por onde vão as frentes frias?

No caso do Brasil, as frentes frias vêm do pólo Sul, resultado do avanço das massas antárticas. Geralmente, o caminho das massas de ar continentais é o mesmo: invadem o continente pelo sul da Argentina, correm pelo oeste do país hermano e entram pelo Sul brasileiro. Outro roteiro é o das frentes frias marítimas: é resultado das massas que avançam via oceano Atlântico e chegam pelo Sul ou Sudeste do país.

Sul e Sudeste são, de longe, as regiões brasileiras mais impactadas pelas frentes frias. Os institutos de pesquisa meteorológicos informam que nestas regiões registra-se passagens de frentes frias ao longo do ano inteiro, sobretudo na primavera. Em um único mês, podem passar até cinco delas nesta porção do país.

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Como as frentes frias se formam em latitudes médias da Terra, equivalente ao sul da Argentina, já chegam mais enfraquecidas ao Brasil e têm a tendência de estacionarem nas regiões citadas. Dificilmente chegam a Centro-Oeste, Nordeste ou Norte do país. É também por isso que há incidência de chuvas torrenciais (Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo) e geadas (Rio Grande do Sul e Santa Catarina).

Os serviços de meteorologia, hoje, podem prever a chegada das frentes frias com até 15 dias de antecedência, com 70% de probabilidade de acerto em cinco dias e até 95% de acerto nos últimos dois dias.

Quente ou frio