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'Novo' Júpiter: descobertas da Nasa revelam que planeta é bem diferente do que se sabia

*Matéria publicada em 26 de maio de 2017

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Betsy Asher Hall/Gervasio Robles/NASA/JPL-Caltech/SwRI/MSSS

As primeiras descobertas da missão Juno, da Nasa, que tem o objetivo de observar Júpiter, o maior planeta do nosso sistema solar, deixaram os astrônomos de boca aberta.

“Não esperávamos que teríamos que dar um passo para trás e começar a repensar isso tudo como um Júpiter completamente novo”, completou Scott Bolton, líder da missão.

Imagens e dados coletados revelaram que o planeta é “um complexo, gigante e turbulento, com ciclones polares do tamanho da Terra”, conforme comunicado oficial da agência espacial norte-americana.

“Estamos animados para compartilhar essas descobertas recentes, que vão nos ajudar a entender melhor o que faz Júpiter ser tão fascinante”, disse Diane Brown, executiva do programa da Nasa.

“Foi uma longa viagem até Júpiter, mas esses primeiros resultados mostram o quanto valeu a pena a jornada”, completou ela.

Descobertas do novo Júpiter

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Betsy Asher Hall/Gervasio Robles/NASA/JPL-Caltech/SwRI/MSSS

Pela primeira vez, foi possível observar os polos norte e sul do planeta, que se mostraram grandes sistemas de tempestades.

As imagens revelam que ambos os polos de Júpiter estão cobertos por rodamoinhos turbulentos de tamanho natural, que estão agrupados bem próximos e entram em atrito juntos.

“Estamos perplexos sobre como eles poderiam ser formados, quão estável a sua configuração é, e por que polo norte de Júpiter não se parece com o polo sul”, questionou Bolton.

Além disso, o planeta revelou ter um campo magnético enorme, 10 vezes maior do que o da Terra. Já se sabia que ele era o maior e o mais intenso do sistema solar, mas o seu tamanho superou as expectativas - quase 50% mais forte do que se suspeitava.

“Juno está nos dando uma visão do campo magnético próximo a Júpiter que nunca tivemos antes”, disse Jack Connerney, investigador principal do programa.

Aurora polar

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Gabriel Fiset/NASA/JPL-Caltech/SwRI/MSSS

As novas informações também podem ajudar a entender a origem das poderosas auroras de Júpiter - luzes coloridas que emanam nos polos do norte e do sul.

Elas são causadas por partículas que captam energia de elétrons que sobram da atmosfera do planeta e liberam luz para o espaço, em um processo inverso do da Terra.

Aqui as partículas carregadas de energia vêm de fora, e, liberam as luzes ao entrarem em contato com atmosfera terrestre – ou seja, elas descem.

Zonas misteriosas de Júpiter

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Gerald Eichstädt/Seán Doran/NASA/SWRI/MSSS

Outra surpresa veio das análises do Radiômetro de Microondas (MWR) da Juno, equipamento que verifica a radiação térmica (ondas de calor) da atmosfera de Júpiter.

Os dados ainda deixam diversas zonas de Júpiter misteriosas, e que parecem evoluir para outras estruturas, e que são capazes de jogar calor para fora do planeta.

O estudo também mostra que o “equador” (a linha central) de Júpiter é cheio de amônia, que sobe de profundas camadas da atmosfera, um recurso “surpreendente e inesperado”.

Missão Juno da Nasa: próximo mergulho

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3quarks / Istock

O satélite Juno foi lançado em 5 de agosto de 2011, mas só entrou na órbita de Júpiter em 4 de julho de 2016, com a primeira aproximação só em agosto, quando a nave mergulhou 5 mil km dentro das nuvens do planeta.

Desde então, mais de 40 estudos já foram publicados sobre o planeta, com grande parte reunida em uma edição especial do periódico científico Geophysical Research Letters.

Juno possui 8 instrumentos que coletam dados de Júpiter, além da câmera que produz as imagens que conhecemos do planeta.

A cada 53 dias, ele se aproxima do polo norte do planeta, onde fica durante duas horas voando de lá até o polo sul, a cerca de 4.200 km de distância.

As informações levam cerca de 1 dia e meio para chegar à Terra, mas “sempre tem algo novo”, afirma Bolton.

O próximo mergulho do satélite será em 11 de julho e deve trazer novos dados sobre o famoso “grande ponto vermelho” de Júpiter, gigantescos redemoinhos de nuvens vermelhas. Aguardemos.

A missão vai até fevereiro de 2018, quando Juno se aproximará muito da atmosfera do planeta e será destruído pela força da gravidade.

Curiosidades de Júpiter