Conheça João: autor de livro e game sobre o espaço – e vencedor de concurso da Nasa

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Arquivo pessoal/Margarida Guerra Barrera

O interesse pela Lua, as estrelas e os planetas levou o brasileiro João Paulo Guerra Barrera, o JP, para pertinho da Nasa. Depois de ter lançado um livro sobre uma viagem espacial feita por crianças em um foguete reciclável, quando tinha 6 anos, ele desenvolveu um game com o mesmo roteiro, em suas aulas de programação e robótica. 

Foi a partir deste feito que João alcançou a agência espacial mais conhecida do mundo: o game se tornou um projeto acadêmico, que foi inscrito em um concurso da Nasa (o NASA Ames Space Settlement Contest 2017). O concurso recebe projetos sobre exploração espacial de estudantes de todo o mundo. Os jovens devem ter até 18 anos.

Resultado: o brasileiro ficou em 1º lugar na categoria Mérito Literário e recebeu o prêmio em um congresso nos Estados Unidos, em maio, que reuniu pesquisadores, cientistas, entusiastas de tecnologia, alunos e professores da área.  

João Paulo Barrera: interesse pela Ciência e tecnologia

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Arquivo pessoal/Margarida Guerra Barrera

Desde os 5 anos, JP revelou interesse pelas descobertas espaciais. Uma história comum à imaginação de crianças e adultos, então, foi tomando forma em sua cabeça: e se um grupo de crianças viajasse até o espaço, visitando o Sistema Solar?

E, como boas histórias sempre são aquelas que saem naturalmente da nossa mente, os pais do menino, Margarida e Ricardo Barrera, que é engenheiro civil, resolveram dar pano para a manga. 

“Fomos dando elementos para sua imaginação, como livros, desenhos animados, vídeos no Youtube e séries da Discovery sobre o assunto. Era um incentivo à pesquisa em formato de brincadeira”, conta Margarida Guerra Barrera, administradora de empresas e mãe de JP. 

“Então, pedimos para ele escrever tudo no papel. Logo depois ele quis fazer no computador e a história foi ficando melhor, com começo, meio e fim”.

O livro “No mundo da Lua e dos planetas”, então, foi publicado em português e em inglês, pois a família morou nos Estados Unidos por um ano e os amigos de JP de lá também queriam ler a história. 

Vontade de ser astronauta

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Arquivo pessoal/Margarida Guerra Barrera

A reportagem do Vix conversou com JP por telefone e teve a certeza de que ele é um menino antenado. Em poucas palavras, ele resume seu interesse precoce por tecnologia e Ciência. 

“Desde pequenininho, eu quero ser astronauta. Também ganhei um telescópio [a mãe comenta que ele pediu aos 4 anos para o Papai Noel]. Depois, eu fiz o jogo na minha escola, a Happy Code, com a ajuda do professor. Achei legal participar do concurso da Nasa”, comentou em entrevista ao Vix, destacando que gosta muito de jogar Sonic no videogame e usar aplicativos no iPad.

“Ele sempre teve acesso à tecnologia. E, com pouco de mais de um ano, já ouvia músicas do alfabeto em inglês pelo Youtube. Foi aos 6 anos que levamos o JP à escola de programação e robótica Happy Code, e ele se interessou na hora”, declara Margarida.

Jogo Sonic World Space Settlement

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Jota Cabral/Happy Code/Sonic World Space Settlement

O jogo Sonic World Space Settlement foi o segundo passo desta aventura espacial. Para jogar o game, desenvolvido pelo próprio João Paulo, basta usar as setas direcionais do teclado e ajudar o “bonequinho” a alcançar objetos espaciais. 

“Ele fala para nós que o personagem principal, o Mike, é ele mesmo. Porque é ele que faz os mapas. Os outros dois personagens representam eu e o pai dele”, diz Margarida. “O mais legal é que os desenhos foram feitos exatamente como o JP descrevia".

As ilustrações, tanto do livro quanto do jogo, foram feitas pelo profissional Jota Cabral.

Concurso da Nasa

Já a oportunidade de participar do concurso NASA Ames Space Settlement Contest 2017 surgiu de um contato com o biólogo brasileiro Ivan Gláucio Paulino, que atua na Universities Space Research Association (USRA), empresa que presta serviços à Nasa.

“Ele ficou encantado com o livro do JP e nos incentivou para que déssemos sequência à história, incluindo o tema estação espacial para participar do concurso. Depois de fazer o game, foi elaborado um projeto acadêmico endereçado à Nasa”.

O concurso é realizado desde 1994 e aceita projetos individuais e em grupo. Os participantes concorrem a categorias de Grande Prêmio, mérito artístico e mérito literário. 

No regulamento, a Agência destaca a necessidade da criatividade e da autenticidade dos trabalhos e a importância de integrar disciplinas enquanto se estuda Ciência. “Enquanto desenvolvem uma colônia espacial, os alunos têm a oportunidade de estudar física, matemática, ciência espacial, ciência ambiental e muitas outras disciplinas”. 

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