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Nasa vai lançar o maior telescópio que existe para o espaço: conheça o James Webb

Em 2018, a Nasa deve colocar em órbita o telescópio James Webb, um modelo aprimorado, 7 vezes maior que o antecessor - o telescópio Hubble, lançado pela primeira vez em 24 de abril de 1990, que está prestes a ser aposentado -  e totalmente equipado para analisar atmosferas, planetas fora do Sistema Solar (que são conhecidos como exoplanetas) e galáxias ainda em formação, a distâncias superiores a 13 bilhões de anos-luz.

A agência espacial norte-americana demorou mais de 20 anos para preparar o telescópio James Webb, que faz homenagem ao primeiro administrador da Nasa. “Ele sempre foi um homem muito querido e admirado pelos cientistas”, disse a astrofísica brasileira Duília de Mello, em entrevista ao Vix na edição de 2017 da Campus Party.

Lançamento do James Webb

O mais poderoso telescópio já inventado pelos homens será lançado ao espaço em 2018, num processo que será feito por etapas ao longo de duas semanas.

Uma vez em órbita, o James Webb ficará ‘estacionado’, para esfriar a temperatura. Enquanto isso, os engenheiros da Nasa vão realizando os primeiros testes de comunicação e captação de imagens.

Depois de 6 meses fora da Terra, finalmente o James Webb passa a operar. E podemos aguardar um volume maior de informações precisas sobre as origens do universo e a formação de galáxias muito, muito distantes.

Como o telescópio foi feito

Com 6,5 metros (mais ou menos o tamanho de um tanque de guerra) e uma estrutura de cinco camadas capaz de protegê-lo da luz e do calor do Sol, o James Webb deve orbitar a 1,5 milhão de km da Terra.

Além da estrutura, há um objeto gigantesco que se apoia em cima da base. Ele é chamado de espelho primário, e feito de ouro. “Sua composição é de ouro porque o material é um grande transmissor de luz infravermelha, algo que o Hubble não tinha”, explicou Duília. Além de permitir enxergar ainda mais longe no tempo-espaço, a luz infravermelha garante melhor resolução das imagens captadas.

A composição do espelho primário não se trata de um ouro ‘qualquer’. São 18 camadas de berílio dourado, de 20kg cada, preparado para objetos espaciais que exigem leveza e estabilidade dimensional.

Tudo que é captado pelo espelho primário é automaticamente transmitido para um objeto que fica na outra extremidade, o espelho secundário. Ele reflete todas as imagens para o equipamento de comunicação que fica dentro do telescópio.

Para não correr o risco de sofrer instabilidades devido a altas temperaturas, o James Webb tem um para-sol que impede o aquecimento de todos os seus equipamentos. Segundo os cientistas, os dois espelhos precisam ficar bem frios, a -233° C. Por isso é tão importante determinar os locais em que o telescópio vai operar.

Como garantia extra, há um escudo protetor e uma matriz de energia solar, que converte a luz em combustível.

Pelos primeiros 30 dias em que tiver no espaço, o telescópio vai permanecer diretamente atrás da Terra, na perspectiva do Sol, e mais próximo da lua.

Expectativas pelo maior telescópio do mundo

Os primeiros testes serão feitos no Goddard Space Flight Center, laboratório da Nasa que fica na cidade de Washington (EUA). Depois, ele vai para o Texas, para que os cientistas façam ajustes no foco das câmeras para, então, seguir para a Califórnia, onde serão feitas as análises finais.

Diferentemente do Hubble, que periodicamente passa por reparos feitos por astronautas em órbita, o James Webb foi projetado para não ser ‘consertado’ por humanos. Por conta disso, testes e mais testes são feitos antes do lançamento, para que tudo siga conforme o planejado. “O Webb é o objeto espacial mais dinamicamente complicado que já testamos”, contou o engenheiro da Nasa Lee Feinberg. “É bem único, complexo e desafiador”.

Duília, que também trabalha com a equipe de engenheiros do telescópio, não esconde a empolgação: “Estamos loucos pra ver do que o James Webb é capaz”.

Gastos com o James Webb

Quando os cientistas começaram a trabalhar efetivamente no James Webb, a primeira projeção é que ele seria lançado em 2014. Um comitê que analisa o orçamento da Nasa, porém, pediu que a agência cortasse os gastos em 2011, algo que poderia comprometer a tecnologia e o desempenho do telescópio.

Os cálculos foram refeitos, e o telescópio, que deveria custar em torno de US$ 5 bilhões, acabou beirando os US$ 8 bi (ou mais de R$ 24 bilhões).

Com apoio da Agência Espacial Europeia e da Agência Espacial Canadense, a Nasa supervisionou de perto a construção do James Webb pela Northrop Grumman, empresa da indústria aeroespacial.

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