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Mapa do cérebro: novas descobertas podem ajudar com doenças graves

Por muitos anos, os cientistas acreditaram que o mapa cerebral não tivesse mais que 160 áreas divididas em dois lados.

Quando o neurologista alemão Korbinian Brodmann publicou, em 1909, uma descoberta que dividia o córtex cerebral (região que controla o que fazemos com nosso corpo), muitos cientistas passaram a explorar áreas de pesquisa a partir desse esquema.

Inúmeros estudos sobre linguagem, visão, som e aspectos de personalidade foram conduzidos a partir dessa divisão.

Agora, imagine se essas divisões fossem multiplicadas por dois. Ou, que apresentassem ainda mais divisões. É por isso que a descoberta de uma equipe da Universidade da Califórnia sobre o ‘parcelamento multi-modal’ do nosso cérebro, publicada na revista Nature, é tida como revolucionária.

Áreas desconhecidas do cérebro

Uma equipe de neurocientistas, especialistas em computação e engenheiros selecionaram 210 adultos para coletar dados como informações de fluxo sanguíneo e oxigenação (indicadores de atividade) a partir de um equipamento de imagens por ressonância magnética.

Com um algoritmo de computador, os cientistas coletaram as ‘impressões digitais’ de cada área do córtex cerebral.

Apesar de cada indivíduo apresentar variações, o software associou os termos de cada um a conceitos e palavras.

Os termos coletados foram posicionados em diferentes áreas nos lados direito e esquerdo do cérebro, por conta da proximidade de significados.

Foi nessa distribuição que os cientistas descobriram que o sistema semântico do nosso cérebro pode ser separado em pelo menos mais 100 áreas que não conhecíamos.

Muitas dessas divisões do cérebro representavam apenas uma única propriedade neurobiológica. Por exemplo, acreditava-se que havia uma área específica para função, outra para conectividade, outra para topografia.

Mas, com essa descoberta, os cientistas mostram que essas regiões podem ser complementares umas às outras. “Ao combinar várias propriedades, temos diversas informações que se complementam”, diz o artigo.

Eles constataram isso ao perceber que várias palavras se repetiam em diferentes áreas do mapa cerebral.

Como isso pode ajudar em doenças?

Entender melhor como essa classificação é feita pelo nosso cérebro pode ajudar a identificar, por exemplo, pacientes em situações em que não conseguem se comunicar.

Daria, nesse caso, para compreender o que uma pessoa sem condições de falar estaria tentando dizer a partir desse novo mapa cerebral.

É um longo caminho a seguir. Matthew Glasser, um dos autores do estudo, afirmou que as possibilidades são tantas, que é como se estivéssemos descobrindo o espaço do zero: “A situação é análoga à astronomia, onde telescópios terrestres produziram imagens relativamente borradas do céu antes da óptica adaptativa e dos telescópios espaciais”.

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