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Sexo na cabeça

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“Aquele cara não escapa hoje. Vou colocar a menor calcinha que tiver na gaveta e partir pra cima dele com tudo. Vai ser quase um estupro, do jeito que eu tô tarada... Ops!! Não, não queria deletar o arquivo! Droga, me distraí. Isso é o que dá ficar pensando em sacanagem na hora do trabalho”. A cena descreve um contratempo comum para quem fica com os olhos no computador e a cabeça no motel lá da esquina. Só que, apesar desses eventuais prejuízos, pensar naquilo – com direito ao trocadilho – pode ser muito bom. É verdade. Treinar a libido mental pensando em sexo, segundo especialistas, é tão importante quanto uma boa noite do próprio, ao vivo e em cores.

Ninguém precisa transformar a mente numa casa de massagem, mas está comprovado que pensar em sexo faz bem à saúde sexual do cidadão. A analista de sistemas Catarina Ávila conta que qualquer contato com algo que remeta ao assunto deixa seus neurônios assanhadinhos na mesma hora. “Qualquer estímulo me faz pensar em sexo e eu estou em contato com eles o tempo todo. Afinal, trabalho conectada o dia inteiro e não existe nada mais pornográfico do que a internet. O bom é que estou sempre excitada e, por conseqüência, disposta pro que der e vier depois do expediente”, afirma Catarina. No entanto, há quem não precise de fonte de inspiração para criar seu próprio esquete pornô na cabeça. “Adoro pensar sacanagem quando estou na fila do banco ou no engarrafamento. Ainda bem que não aparece balãozinho como nas revistas em quadrinhos... Já imaginou o caixa ver que você pensa nele te comendo?”, diz a publicitária Renata Marcondez.

A comissária de bordo Maria Beatriz Mendes também assume que tem, sim, pensamentos dignos de uma pornochanchada, mas só quando existe alguém para protagonizar as cenas picantes. “Eu só penso em sexo quando estou namorando. Aí, fico lembrando da última transa, pensando na próxima e até planejo alguma sacanagem para fazer junto com o meu namorado. Claro que se estou carente e sozinha e vejo um filme mais caliente, fico cheia de vontade de dar pra alguém. Mas, normalmente, não fico fantasiando sem ter um foco”, comenta ela. Agora, se o negócio é corar o Marquês de Sade, o desenhista Gabriel Corrêa jura que tem potencial – em todos os sentidos. “Ah, eu penso em sexo, sacanagem e mulher pelada todos os dias da minha vida, pondo em prática ou não. Acho até que me atrapalha um pouco esses pensamentos”, confessa Gabriel.

Já alguns acreditam que essa Sodoma e Gomorra cerebral é coisa de tarado ou, na melhor das hipóteses, de quem não tem mais o que pensar. Para contrariá-los, o sexólogo Cássio dos Reis, presidente do GESOS – Grupo de Estudo da sexualidade e Orientação Sexual, revela que todas as pessoas, de certa forma, pensam em sexo. O que acontece é que algumas delas não se permitem a isso, preferindo carregar por aí pesados estandartes contra a luxúria. “Tem gente que se tolhe em relação ao sexo. E fazem muito mal, porque pensar faz com que você se prepare para fazer uso da sua sexualidade. Isso quer dizer que você, pensando, alimenta o seu desejo e provoca um estímulo que faz seu desempenho ser melhor na hora do ato em si”, afirma Cássio.

Da mesma forma que sexo é uma coisa pessoal e intransferível, o jeito que ele vem à mente também é bastante particular. Portanto, quem não se imagina numa suruba pode ficar tranqüilo porque não há nada de errado com sua libido mental. “A sexualidade faz parte da nossa personalidade, da mesma forma que a atividade sexual e o jeito que vamos pensar em sexo. O fato de pensar nele já vale”, revela o terapeuta sexual Marcelo Toniette, diretor do CePCoS – Centro de Estudos e Pesquisas em Comportamento e Sexualidade.

Outra coisa que passa pela cabeça das mulheres – afinal não é só sexo – é que os homens pensam nisso mais do que a gente (algumas engraçadinhas devem estar dizendo agora: claro eles tem duas cabeças!), mas de acordo com os especialistas isso não procede. “A nossa sociedade tem como hábito dizer que o homem pensa mais em sexo do que a mulher, mas isso não é verdade. Hoje, a mulher conquistou novos espaços e existe uma revisão em teorias como o que é considerado “típico de homem”e o que é “típico de mulher”. Os dois pensam em sexo da mesma maneira, desde que não haja um impedimento físico ou emocional”, diz Marcelo Toniette. Cássio dos Reis afirma que esse mito surge porque a mulher é mais comedida do que o homem nos comentários, por isso não leva a fama. Mas quando o assunto é pensar em deitar na cama...