mulher

Tratamento da anorexia: por que é tão difícil recuperar o peso?

como tratar anorexia 4
reprodução/youtube

Pesando apenas 19 kg, a atriz americana Rachael Farrokh, de 37 anos, lançou uma campanha para arrecadar fundos para seu tratamento. O cuidado necessário para tratar a anorexia que possui há cerca de 10 anos, e já está em estágios avançados, seria possível apenas em um hospital especializado.

Leia tambémBulimia e anorexia podem até quebrar os dentes por desgasteAnorexia e bulimia: causas, sintomas e tratamentosEstudante sueca usa o Instagram na luta contra a anorexia

como tratar anorexia 1
reprodução/youtube

O marido de Rachael, Ron Edmondson, explicou que mesmo que ela consuma muitas calorias, seu corpo pode gastar mais do que deveria, fazendo com que ela perca ainda mais peso. "Os hospitais não querem porque ela é um risco para eles", disse Rachael ao site Daily Mail. 

O que é anorexia? 

A anorexia é uma doença que se apresenta com a distorção da própria visão da imagem corporal. A pessoa se vê sempre acima do peso e, por isso, recorre a dietas radicais, medicamentos, indução do vômito e outros meios para perder peso. No caso de Rachael, foi a perda do emprego que a fez comer cada vez menos até que chegasse aos 19 kg.

Entre os principais sintomas da anorexia estão ansiedade, insônia, idas frequentes ao banheiro para induzir o vômito, compulsão por atividades físicas, além da magreza excessiva e progressiva.

Tratamento da anorexia 

Além do acompanhamento psicológico, indispensável para que a doença seja, de fato, tratada e curada, a pessoa com anorexia precisará de uma equipe multiprofissional que afaste o perigo de morte e permita o ganho de peso.

como tratar anorexia 3
thinkstock

Endocrinologistas, nutricionistas, nutrólogos e outros profissionais irão avaliar cada paciente para definir qual será o tipo de alimentação oferecido, peça chave para a cura.

A endocrinologista Luciana Lopes, membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), explica que em alguns casos a alimentação é feita normalmente pela boca, mas em outros ela precisará ser enteral – feita através de sondas normalmente introduzidas pelo nariz e que desembocam no estômago – ou parenteral, quando soluções de nutrientes são administradas diretamente nos vasos sanguíneos.

Além disso, esses pacientes comumente têm outros problemas decorrente do baixo peso, como a anemia, que também deverão ser acompanhados.

Por que pode ser tão difícil tratá-la?

A endocrinologista conta que quando o peso do paciente fica muito baixo, como no caso de Rachael, é realmente muito difícil que ela se recupere totalmente. "Isso acontece porque as chances de que o corpo volte a se nutrir são muito menores que o risco de que ela adquira uma infecção ou outra doença", explica.

A especialista explica ainda que o peso muito baixo exige que o paciente passe um tempo muito grande internado até que volte a ficar saudável. Os hospitais são locais com alta concentração de bactérias e outros micro-organismos capazes de causar doença, o que, em conjunto com o sistema imunológico extremamente fragilizado do paciente, aumenta ainda mais as chances de infecções.

Segundo Luciana Lopes, a literatura médica comprova que as chances de vida para pacientes com peso tão baixo, como Rachael, e grandes deficiências de proteínas, vitaminas, gordura e outras substâncias fundamentais para a vida, são muito pequenas.