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Modelo tem pernas amputadas por causa de doença causada por absorvente interno

Uma modelo de 29 anos da Califórnia, nos Estados Unidos, perdeu a segunda perna em decorrência de complicações da Síndrome do Choque Tóxico (SCT).

A jovem precisou ter a perna direita amputada em 2012 após desenvolver a doença devido ao uso de absorvente interno. Causada principalmente pelo uso de tampões, a síndrome é tida como uma complicação rara, mas muito grave.

Modelo tem pernas amputadas por Síndrome do Choque Tóxico

No dia em que teve a infecção, Lauren Wasser, então com 24 anos, estava menstruada e fez a troca do tampão três vezes durante o dia e, à noite, começou a sentir-se mal.

Após ter um ataque cardíaco e ficar aproximadamente dez minutos sem batimento, a modelo foi detectada com SCT. Segundo os médicos, seus órgãos estavam se contorcendo. Como consequência, sua perna direita sofreu gangrena e precisou ser amputada.

Segundo a própria modelo conta em um artigo autoral no site da revista InStyle, os médicos recomendaram na época que ela amputasse as duas pernas, mas ela decidiu tentar salvar o membro esquerdo.

Agora, mais de cinco anos depois, a modelo acabou perdendo também a segunda perna. Segundo relatou, seu pé esquerdo possuía uma úlcera aberta e não tinha calcanhar ou dedos.

"Ao longo dos anos, meu corpo produziu muito cálcio, o que faz meus ossos crescerem neste pé. Basicamente, meu cérebro está mandando meus dedos crescerem de volta - e chegou ao ponto em que eu preciso de cirurgia para raspar o osso, porque fica impossível andar", explicou.

Em uma foto publicada poucos dias antes da nova cirurgia de amputação, Lauren escreveu: "A vida está prestes a ficar diferente de novo! Eu estou em ótimo espírito, no entanto, e pronta para o próximo capítulo."

A modelo se tornou ativista após a experiência para alertar outras mulheres sobre o risco do absorvente interno.

Síndrome do Choque Tóxico: o que é 

Segundo a ginecologista Rita Oliveira da Silva, da Clínica Rezende, de São Paulo, a Síndrome do Choque Tóxico é uma doença causada pela proliferação da bactéria Staphylococcus aureus.

"Essa é uma bactéria que já existe no corpo da mulher. Mas, com o uso prolongado de absorvente interno, sua proliferação pode aumentar, e toxinas em excesso são produzidas", explica.

O problema tem relação com o uso de tampões porque eles, por terem o corpo viscoso e ficarem um longo período inseridos no corpo contendo sangue, acumulam essas toxinas.

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solidcolours / iStock

Posso ter?

De acordo com Daniel Luchesi, ginecologista da Clínica Livon, Santa Catarina, atualmente os absorventes internos são produzidos com de fios de algodão, característica que diminui os riscos.

No entanto, ele alerta para a necessidade de trocar o produto a cada quatro horas, não extrapolando, em situações extremas, oito horas de uso contínuo, além de não utilizá-lo durante o sono, justamente para que não fique muito tempo dentro do organismo.

Dúvidas sobre menstruação e absorventes: