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Estou com HPV: e agora?

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Fiz exame e descobri que estou com HPV: é natural ter dúvidas e receios neste momento, por isso é importante se informar muito bem sobre os riscos reais e possibilidades de tratamento. A ginecologista e obstetra Thalia Reis, que atua no Rio de Janeiro, responde as principais dúvidas que as pacientes apresentam neste momento.

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Dúvidas sobre HPV

O que é HPV?

O Papilomavírus Humano é um vírus que sobrevive na pele e mucosas dos seres humanos. Geralmente, manifesta-se na região genital (vulva, vagina e pênis), bem como ânus, boca e garganta e colo do útero. Não se sabe quanto tempo o vírus pode permanecer no corpo sem apresentar sintomas e, em muitos casos, nunca apresenta.

Importante: verrugas na região genital nem sempre são indicativos de HPV. O ideal é que, ao notar este sintoma, você procure seu médico para ser examinada e obter um diagnóstico preciso, juntamente com o tratamento adequado para o quadro.

É transmitido no sexo?

A principal via de transmissão é a sexual, tanto na penetração desprotegida quanto na prática de sexo oral. Porém, é possível que o vírus seja transmitido de mãe para filho no momento do parto. Outras formas de transmissão vêm sendo estudadas.

É grave?

As lesões podem ser de alto risco, com potencial para desenvolver cânceres (principalmente de colo uterino, pênis e ânus) ou de baixo risco, não apresentando relação com nenhum tipo de câncer. De qualquer forma, com tratamento e acompanhamento médico, dificilmente o vírus descoberto em estágio inicial evoluirá para um quadro mais grave.

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Tem cura?

O grau de infecciosidade varia de acordo com a quantidade de lesões, a resistência do paciente e a idade. Estudos mostram que a doença regride em 25% dos casos (ou seja, é eliminada naturalmente pelo corpo) e persiste em 60% (ou seja, reincide, sendo necessário reaplicar o tratamento). Em 14% dos casos, ela progride (podendo evoluir para o câncer).

Entretanto, na maioria dos casos, o vírus é eliminado por completo no decorrer de 12 a 18 meses.

Como é o tratamento?

O primeiro passo após ter o HPV diagnosticado é ter consciência de que será preciso manter sempre o acompanhamento ginecológico e seguir todas as orientações. É importante lembrar que, com o tratamento, a maioria dos casos tem resolução completa.

O tratamento depende do tipo de infecção apresentada. Para as pacientes que apresentaram alterações no exame preventivo, mas não possuem lesões aparentes e tiveram resultado normal na colposcopia, a conduta é apenas preventiva, com realização de exames a cada 3 a 6 meses.

No caso de presença de verrugas, o principal tratamento é a cauterização química e colposcopia. Em alguns casos, é necessária a realização de biópsia.

Nos quadros mais avançados, é necessária a retirada da lesão por cirurgia.

Que riscos eu corro?

É importante notar que um grande percentual da população sexualmente ativa já teve contato com esse agente, que, na maioria das vezes, não causa nenhum sintoma. Entretanto, em um contingente muito menor, o vírus evolui para câncer. É fundamental fazer acompanhamento preventivo anualmente para rastrear essas possíveis alterações, que são facilmente tratáveis se diagnosticadas precocemente.

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Como o HPV vai afetar minha vida sexual?

A partir do momento em que a paciente nota a lesão ou é diagnosticada com HPV, deve manter-se em abstinência sexual até ser avaliada por um profissional. Ele é quem irá dizer quando será possível retomar as atividades sexuais normalmente, o que irá depender do tratamento.

Se você possui um parceiro fixo, é necessário alertá-lo sobre o diagnóstico, pois ele também deverá receber o tratamento.

No caso de parceiros futuros, fica a critério da paciente informar ou não sobre a presença do vírus. A contaminação acontece pelo contato da lesão com a pele ou mucosa.

O uso da camisinha, tanto para a prática da penetração como do sexo oral, é a maneira mais eficaz de evitar a contaminação. Apesar de não proteger completamente contra a infecção, já que a lesão pode estar na base do pênis, região inguinal, etc., ela diminui expressivamente o risco.

Poderei engravidar?

A presença do HPV por si só não impede ou contraindica a gravidez. O ideal é que a paciente trate as lesões antes de engravidar. É possível transmitir o vírus ao bebê no momento do parto, e caberá ao médico avaliar a possibilidade de tratamento e a indicação de parto natural ou não.

Serviço

Dra. Thalia Reis - ginecologista e obstetra (RJ)E-mail: drathaliareis@gmail.comInstagram: @dra.thaliareis