mulher

Corrimento esverdeado: o que pode ser?

corrimento vaginal mulher 0519 1400x800
New Africa/Shutterstock

Toda mulher produz um líquido que lubrifica e protege a região da vagina de lesões e infecções, e suas características variam de acordo com diversos fatores. Enquanto certas mudanças no odor e na forma da secreção vaginal (ou fluxo vaginal) são comuns ao longo do ciclo menstrual, porém, alguns sinais são motivo de preocupação.

Quando esse corrimento ocorrer acompanhado de uma coloração ou odores fora do comum, é preciso consultar um médico - já que a presença destas características podem indicar certas doenças e alterações do sistema reprodutivo que merecem ser avaliadas cuidadosamente. Este, inclusive, é o caso do corrimento esverdeado.

Corrimento normal: como é?

À parte do odor vaginal normal (que, segundo o ginecologista Fabio Rios é levemente ácido e adocicado), o corrimento normal geralmente é inodoro, além de também não trazer cor. Em geral, ele costuma lembrar clara de ovo, mas sua cor e espessura pode variar de acordo com as fases do ciclo menstrual.

ovo quebrando clara gema 0819 1400x800
Jenny_Tr/Shutterstock

Segundo a ginecologista e obstetra Flávia Fairbanks, logo após a menstruação acabar, por exemplo, é normal que a vagina elimine pouca secreção e a calcinha fique praticamente seca. Já quando a mulher ovula, a secreção tende a aumentar em volume, tornando-se mais fluida, como uma umidade. No ápice do período de ovulação, ela chega à consistência da clara de ovo.

Logo após a ovulação, a secreção também muda de aspecto, ainda se apresentando em grande quantidade, mas mais pastoso e com alguns “gruminhos”. Um pouco antes da menstruação, conforme o ciclo se aproxima do fim, a tendência é a de que a secreção volte a ficar mais líquida e fluida.

Quando estas características se modificam drasticamente (ou seja, o corrimento passa a apresentar odor forte e coloração incomum) e há a presença de dor, é possível que o corrimento seja o sintoma de uma infecção ou inflamação na região genital.

calcinha varal corrimento 0519 1400x800
Annette Shaff/Shutterstock

O que é corrimento esverdeado?

Quando o corrimento apresenta uma coloração amarelo-esverdeada, é possível que a mulher esteja desenvolvendo algumas doenças. Entre as que provocam esse tipo específico de alteração, há algumas possibilidades:

Tricomoníase

A tricomoníase é uma infecção causada pelo protozoário Trichomonas vaginalis que ataca o colo do útero, a vagina e a uretra. Além do corrimento esverdeado, dor durante o sexo, ardência ao urinar e coceira na vagina são alguns dos sintomas da doença. Segundo informações do Hospital 9 de Julho, a doença também aumenta as chances de transmissão do vírus HIV, pode causar infertilidade e, em gestantes, parto prematuro.

Como esta doença também atinge os homens, a tricomoníase pode ser transmitida através de relações sexuais que ocorrem sem a camisinha e, ao identificar algum dos sinais da infecção, a mulher deve procurar um especialista para realizar exames e ter um diagnóstico certeiro e saber qual é a melhor forma de proceder.

vagina corrimento cheiro ruim 0818 1400x800 0
Siriluk ok/Shutterstock

Em geral, o tratamento é feito com antibióticos que podem ser administrados por via oral ou na forma de cremes vaginais e são direcionados não apenas para quem manifesta os sintomas, mas também para o parceiro da pessoa. Já para prevenir a doença, o ideal é focar no uso de preservativos e em manter os exames ginecológicos em dia.

Gonorreia

Outra doença na lista das sexualmente transmissíveis que pode apresentar corrimento amarelo-esverdeado como sintoma é a gonorreia, causada pela bactéria Neisseria gonorrhoeae. Uma vez contraída, ela se manifesta no organismo da mulher não apenas com o corrimento incomum, mas também com ardência na vagina (ou ao urinar), cólicas e dor na relação sexual.

gonorreia corpo feminino 0119 1400x800
Kateryna Kon/shutterstock

Caso a doença avance sem diagnóstico ou tratamento, é possível que a bactéria obstrua as trompas, fazendo com que a mulher se torne infértil. Em geral, ela é tratada com antibióticos e, para prevenir, o mais simples também é o uso de preservativo tanto no sexo vaginal quanto no oral e anal, sempre, é claro, colocando uma nova camisinha conforme a prática sexual for trocada.

Clamídia

A Clamídia é outra Infecção Sexualmente Transmissível (IST) que pode ocasionar esse tipo de corrimento e, apesar de geralmente se manifestar nos genitais, também pode afetar a garganta e até os olhos em casos mais raros. Quando não tratada, ela pode causar infertilidade, dores, gravidez tubárias e problemas na gestação.

Por se tratar de uma infecção, a clamídia também é tratada pelo uso de antibióticos capazes de erradicar a bactéria do organismo, enquanto a prevenção segue sendo simples: o uso da camisinha durante qualquer prática sexual.

clamidia mulher ist 0419 1400x800
Kateryna Kon/shutterstock

Outros corrimentos que merecem atenção

Ainda que o corrimento esverdeado ou amarelo-esverdeado (purulento) seja um indicativo comum de doenças que merecem atenção, ele não é o único que caracteriza problemas no aparelho reprodutor de forma geral. Segundo Fabio, estas outras cores e características também são sinal de alerta:

Corretivo marrom

Quando aparece pertinho do período menstrual, o corrimento marrom normalmente não indica perigo, mas, fora dele, é sinal de alerta pois pode indicar um sangramento vaginal. Caso ele for acompanhado de dor abdominal, ele pode ser indício de câncer de útero ou do endométrio.

Corrimento branco

Quando o corrimento está branco e isso vem acompanhado de coceira na região íntima, pode ser que a mulher esteja desenvolvendo uma candidíase - problema que, apesar de simples, é bem incômodo. Além disso, esse quadro também está relacionado a alergias a algum produto diferente que entrou em contato com a região.

Corrimento acinzentado

Quando o corrimento aparece com esta coloração, é possível que a bactéria Gardnerella vaginalis - que naturalmente habita a região íntima da mulher - esteja se proliferando de maneira anormal e causando um problema chamado vaginose.

ginecologista 0319 1400x800
Olena Yakobchuk/Shutterstock

Saúde íntima