Reconstrução mamária após câncer

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Uma das principais preocupações para mulheres que enfrentam o câncer de mama é perder um ou ambos os seios. É uma questão de vaidade e muitas se sentem inibidas ou menos femininas quando precisam retirar o busto. Contudo, existe uma alternativa: a cirurgia de reconstrução mamária promete devolver o volume original e renovar a autoestima.

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"Anos atrás a mastectomia (retirada total da mama) era o procedimento mais comum. Mas, atualmente, as cirurgias são mais conservadoras e permitem que o médico retire apenas partes infectadas pela doença, usando a mastectomia apenas para casos extremos", lembra o cirurgião plástico Dr. Rodrigo Mangaravite. Segundo o especialista, a reconstrução pode ser feita nos dois tipos de retirada dos seios, mas de diferentes formas.

Retirada parcial da mama

Nesses casos, a cirurgia pode ser feita de duas maneiras: com inserção de prótese de silicone ou com o chamado retalho grande dorsal. Na primeira situação, o cirurgião apenas usa o enchimento para corrigir a falta de tecido mamário em alguma região, tentando deixar a mama com aparência e volume próximos aos originais. Já o segundo procedimento – indicado para quando o primeiro não consegue resolver o problema – é mais invasivo e o especialista precisa retirar um pedaço de pele ou tecido das costas para corrigir o seio.

Retirada total da mama

Quando todo o tecido e a glândula mamária foram retirados, é usada a técnica chamada Retalho Tram, que é quando o medito usa músculo, pele e gordura da barriga para formar o volume dos seios. Depois disso, é preciso aguardar e observar a aceitação desse novo tecido pelo corpo durante cerca de seis meses. Dando tudo certo, a paciente volta à sala de cirurgia para moldar esse seio e reconstituir a aréola – bico do peito –com pele, geralmente, da virilha, que apresenta coloração mais escura e semelhante à dessa região.

Riscos, cuidados e recuperação

O ideal é esperar terminar todo o tratamento e, só então, com o câncer curado, optar pela cirurgia. Caso a mulher tenha se submetido à radioterapia, a indicação do Dr. Mangaravite é esperar um ano até uma reconstrução. "A pele que sofre radiação perde elasticidade. Se a cirurgia for feita imediatamente, a pele não cicatriza bem, pode perder tecido ou mesmo estourar em caso de colocar prótese, já que essa pele precisaria expandir", alerta.

A reconstrução mamária é feita durante cerca de três horas, com anestesia geral na paciente, mas, segundo o especialista, sem grandes riscos – apenas se o corpo rejeitar os implantes. Já a recuperação leva em torno de 10 dias para atividades leves e de 30 a 45 dias para retomar as atividades normais, incluindo exercícios físicos. Durante esse período, é essencial não fumar. "O cigarro impede a vascularização e dificulta a cicatrização". Essa cicatriz que circula o seio reconstruído, inclusive, pode ser suavizada com o auxílio de cremes indicados pelo médico responsável pela operação.

Quem passa por esse procedimento tende a perder a sensibilidade da mama e, além disso, nunca mais poderá amamentar com o seio operado. Contudo, o resultado final – o tempo de aceitação completa é de dois anos – compensa. "Voltar a ter volume mamário aumenta muito a confiança da mulher, que se torna muito mais decidida e, consequentemente, fica muito mais bonita", relata o cirurgião plástico Dr. Rodrigo Mangaravite, que frisa ainda a importância de nunca abandonar os exames preventivos, a fim de evitar o ressurgimento do câncer. "É importantíssimo continuar frequentando o ginecologista e fazendo todos os exames necessários para acompanhar o quadro", finaliza.