Distúrbios da tireoide: saiba quais são e como tratar

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Responsável pela produção de hormônios que influenciam no crescimento e metabolismo do fígado, cérebro, coração e outros órgãos vitais, a glândula tireoide regula o funcionamento de praticamente todo o corpo. Quando não funciona propriamente, gera diversos problemas para o organismo, mas, com o tratamento ideal, é possível controlar e conviver com a disfunção.

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Existem diferentes alterações que podem ocorrer na tireoide. Os principais são hipotireoidismo, hipertireoidismo, tireoidite, nódulos e tumores. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), pelo menos 300 mil pessoas em todo o mundo sofrem de algum destes problemas. No Brasil, de acordo com a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, o quadro atinge 15% da população.

Segundo afirma a Dra. Ana Cristina Belsito, endocrinologista do Hospital São Vicente de Paulo (RJ) e membro da Sociedade de Endocrinologia, as mulheres devem ficar mais atentas, já que têm até oito vezes mais chance de desenvolver distúrbios na tireoide do que os homens.

A especialista explica que o fator genético é de crucial importância para o aparecimento das disfunções, bem como o uso de certos medicamentos, como os que contêm lítio e amiodarona. No entanto, na grande maioria dos casos, o problema é controlado com remédios e não há indicação de cirurgia. "São patologias benignas e de baixa mortalidade", afirma.

Hipotireoidismo

É quando a produção hormonal da tireoide está reduzida. Os principais sintomas são cansaço, ganho de peso, batimentos cardíacos e raciocínio lentos, além de unhas e cabelos fracos e quebradiços. O problema costuma ser diagnosticado tardiamente, já que esses sintomas também são comuns a outras doenças. O diagnóstico se dá por exames laboratoriais, e o tratamento, por ingestão diária de hormônios. "O hipotireoidismo não tem cura: depende do uso diário de medicação. Porém, o tratamento é simples, e o medicamento é tomado diariamente pela manhã, antes do café", explica a especialista.

[[{"fid":"","view_mode":"default","fields":{"format":"default","field_file_image_description[und][0][value]":""},"type":"media","link_text":null,"attributes":{}}]] Pele seca também é sinal do hipotireoidismo. Crédito: Shutterstock

Hipertireoidismo

Ao contrário do hipo, é quando ocorre uma produção excessiva dos hormônios da tireoide. Essa alteração geralmente tem relação com alguma doença autoimune e pode levar o paciente a ter paradas cardíacas nos casos mais extremos. Taquicardia, insônia, perda repentina de peso e olhos saltados são os principais sintomas da doença. O tratamento é feito à base de iodoterapia, que visa reduzir a atividade da glândula doente. Segundo explica Dra. Ana Cristina, a ingestão do remédio pode variar de 1 a 4 vezes por dia, dependendo do quadro e do tipo de medicação. "Pode ser que o quadro normalize do ponto de vista hormonal. Porém, posteriormente, ele acaba evoluindo para hipotireoidismo. Em casos raros, o problema pode reincidir, sendo necessário acompanhamento médico regular", alerta.

Tireoidite

É a inflamação crônica, parcial ou total da tireoide. O problema é causado por doenças autoimunes que produzem substâncias que irritam a glândula. Na maioria dos casos, a tireoidite pode ocasionar hiper ou hipotireoidismo. A melhor forma de tratar o problema é controlando a doença autoimune presente, o que geralmente ocorre através de medicação específica.

Nódulos

São caroços, palpáveis ou não, na região da tireoide. Estima-se que pelo menos 40% das mulheres com mais de 40 anos tenham estes nódulos, que, em quase 90% dos casos, não são malignos. "No entanto, o recomendável é que o paciente passe por triagem médica para descartar a malignidade", orienta a especialista.

Tumores

Assim como as outras alterações na tireoide, o câncer nessa região também é mais incidente na população feminina e corresponde a 5% de todos os tumores que mais acometem as mulheres. Quando a doença é descoberta a tempo, os índices de cura são altos: próximos aos 97%. O tratamento varia de acordo com a gravidade do caso, mas, geralmente, são indicadas cirurgia e radioterapia. O fator genético e a exposição física à radiação costumam ter relação com o aparecimento desse tipo de tumor. Os principais sintomas são rouquidão, nódulos palpáveis e aumento dos gânglios linfáticos na região do pescoço.