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Nadismo

Irritada com o estresse e a falta de tempo, você pensa: que delícia seria poder ficar sem fazer nada. E se a gente disser que já existe uma proposta possível? O nadismo, como o movimento é conhecido, promete melhoria na qualidade de vida através de um tempinho no meio do dia dedicado a desacelerar, desacelerar até desconectar. Não vale ler, pensar e nem dormir. Parece que Rita Lee tinha razão quando disse que "nada melhor do que não fazer nada".

Mas o que é esse tal "fazer nada"? Para o designer Marcelo Bohrer, criador do movimento, nada é nada mesmo. É bom esclarecer que o nadismo não é uma filosofia de vida e, muito menos, uma forma de meditação. "Não é filosofia porque não pretende aprofundar intelectualmente a questão. A meditação possui técnicas e objetivos definidos. O nadismo é livre e sem propósito", explica. Ele parte do princípio que todos nós deveríamos tomar consciência de que o tempo de fazer nada também é valioso. "Aprendendo a aproveitá-lo se vive melhor, literalmente, sem fazer nada!", alega.

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Clube de Nadismo

A idéia do ócio transformador surgiu em 2005 quando níveis elevados de estresse sobrecarregaram corpo e mente e levaram Marcelo a um colapso. O susto fez com que ele buscasse entender melhor a cultura da aceleração e o processo que nos leva a viver sempre correndo e sem tempo. O designer chegou à conclusão que a questão que nos mantém presos ao estilo de vida acelerado é o fato de que o fazer nada passou a ser visto como um pecado e por isso não conseguirmos mais parar e relaxar. "Estamos viciados em fazer e desaprendemos a ficar sem fazer", diz.

Pronto! Estava aí a pedra fundamental para a criação do Clube de Nadismo, em 2006. Nos encontros, que ocorrem em parques de diversas capitais brasileiras, as pessoas ficam à vontade para se dedicar ao fazer nada. Segundo Marcelo, dessa forma é possível desfrutar de momento de forma prazerosa e sem culpa e então adquirir uma nova consciência do aproveitamento do tempo.

Hoje o Clube conta com quase sete mil sócios no Brasil e outros tantos em mais oito países e já realizou eventos em Londres e Nova Iorque. Marcelo acredita que a grande repercussão que o nadismo vem obtendo se deve ao seu conceito revolucionário: fazer nada não significa perder tempo, mas aproveitá-lo com qualidade.

"Atualmente ter tempo livre é algo bastante raro, a proposta então é que se escolha, às vezes, fazer nada de propósito, sem culpa. Neste sentido, o nadismo é um significativo agente de mudança cultural, pois cria a consciência da importância do tempo livre e descompromissado, do prazer de simplesmente desfrutar de momentos sem pressa. Afinal, nessa vida corrida e ocupada quem não quer ter um tempinho para não fazer nada?" argumenta o fundador do movimento.

É claro que algumas pessoas ainda torcem o nariz para a prática. No entanto, Bohrer garante que a aceitação tem sido ótima e pode melhorar. "O problema é a mudança de hábito", constata. E aí, em qual grupo você está?