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Consumismo infantil > Educação saudável

Ter o consumo como um fator de inserção social é um problema grave. "Especialmente em uma sociedade desigual como a nossa, crianças podem se sentir discriminadas por não usar uma determinada marca de roupa, por não ter condições de brincar com um videogame ou não possuir um iPod", alerta Lais. A psicóloga Ana Lúcia vai além. "O consumismo exagerado está mais concentrado nas classes média e alta, onde dá status possuir o celular mais moderno, freqüentar salão de beleza, usar grifes", pontua.

O papel dos pais

Apesar da influência dos meios de comunicação, os pais desempenham papel fundamental para que seus filhos estabeleçam hábitos saudáveis (ou não!) de consumo. É primordial fazer uma autoavaliação. "Muitas vezes a mãe se projeta na filha e, desesperada por estar perdendo a juventude, começa a antecipar a da filha, fazendo a pobre criança usar saltos quando deveria estar correndo e ‘aprontando', em vez de ‘se aprontando' no salão de beleza", analisa a consultora financeira Andréa Voute.

De acordo com a especialista, os pais muitas vezes desejam comprar algum item para os filhos para compensarem privações que eles próprios passaram. É uma prova de poder, de status, que acaba criando um miniconsumista. Crianças também não devem ser usadas como vitrine, como observa Ana Lúcia Oliveira: "Elas não podem ser usadas para mostrar o poder econômico que os pais têm".

É certo que os adultos são um espelho para a garotada. Há o desejo natural de imitar o mundo adulto. Segundo Lais, isso é saudável. "Você deve se lembrar de, quando criança, calçar os sapatos da sua mãe, vestir uma saia dela como vestido, passar o batom que estava guardado em uma gaveta", considera. Como saber qual o limite? "O problema é quando o sapato de salto alto passa a ser fabricado para um bebê de dois anos, quando o batom vem dentro do kit de maquiagem de uma boneca, quando o celular vem pintado de rosa ou com desenhos de carrinho", diz a especialista.

Dar limites

Conforme observa a coordenadora do Instituto Alana, o consumismo é estrutural. "No mundo em que vivemos é impossível garantir a presença constante dos pais em casa por razões financeiras, pois os dois precisam trabalhar. Dessa forma, a criança fica uma parte do dia na escola e a outra em casa, sem a presença de seus responsáveis. É justamente nesse período que ela fica mais exposta aos apelos de consumo". Vira uma bola de neve.

Teste: Que tipo de mãe você é?

Anúncio vai, anúncio vem, a criança pede, os pais se acham negligentes e bingo: presentinhos na expectativa de se redimirem pela falta de tempo. "Dar um presente ou dinheiro à criança que pede atenção e carinho pode gerar graves transtornos de personalidade. Nada substitui a presença amorosa dos pais, uma brincadeira, um abraço, um papo, uma dança, uma refeição juntos, tempo de qualidade", pondera Andréa Voute. A compensação material pode ser desastrosa. "A culpa dos pais não desaparece e as crianças tornam-se consumidoras sem limites e chantagistas", pondera a Ana Lúcia. Mas isso não vem escrito em embalagens.

O consumismo pode representar uma verdadeira catástrofe no orçamento. Tem muitos pais que dividem "aquele" mimo em suaves prestações ou gastam mais do que podem, sem prestar atenção no que a criança realmente quer. "É normal fazermos um passeio caro e a criança querer voltar logo para brincar com o vizinho ou até dormir de tédio. É normal o bebê se distrair com objetos simples da cozinha e gostar mais da embalagem do que do brinquedo sofisticado", analisa a consultora financeira Andréa Voute. Coisas simples, baratas e que alegram a vida.

Dicas para os pais

Algumas medidas como limitar o tempo em que as crianças vêem televisão, ouvem rádio e usam a internet podem ajudar a diminuir a exposição à mídia. Realizar essas atividades ao lado dos pequenos e conversar sobre as propagandas também é uma boa maneira de trabalhar a questão. Procure incentivar a garotada a se envolver em atividades que não incluam a tevê. Que tal ler histórias, brincar na praça, se aventurar na cozinhar? Para os pequenos é importante aprender a não depender exclusivamente de brinquedos e de produtos industrializados para se divertirem.

Se ainda não bastou, quer mais um motivo para deixar os apelos do consumo bem longe dos seus filhos? Anota esse: os efeitos sobre o meio ambiente. Você já parou para pensar qual é o destino do lixo que produz? E que quanto mais você compra, mais produz lixo. Pobre planeta. Fica o convite para refletir sobre o assunto.

Conheça a seguir, organizações que lutam pelos direitos da criança e como botar a boca no trombone contra o marketing voltado ao público infantil