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Pimenta

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Quente, picante, ardente e gostosa... Adivinha quem é. Estamos falando do condimento mais usado no mundo depois do sal: ela mesma, a pimenta. Dando um toque a mais aos mais variados pratos de diferentes culinárias mundo afora, o tempero não é forte somente no sabor. A saúde também agradece.

Nos pratos do mundo

A jornalista Rosa Nepomuceno, autora dos livros Viagem ao Fabuloso Mundo das Especiarias e O Brasil na Rota das Especiarias, ambos lançados pela Editora José Olympio, revela que a pimenta está presente na culinária de quase todos os povos. E o apreço por ela é ainda maior nos países tropicais.

Dependendo da espécie, uma pimenta pode ter entre seis e dez vezes mais vitamina C do que uma laranja

"A pimenta está ligada à cultura mais popular e é utilizada para ativar sabores e equilibrar a temperatura do corpo. Mas vem sendo cada vez mais valorizada pela gastronomia moderna", afirma Rosa, que credita a valorização do condimento a um fenômeno atual: a globalização. "Os grandes centros urbanos têm se aproximado das pimentas por meio dos pratos de inspiração asiática. Os curries, os molhos picantes e coloridos marcam presença na cozinha ocidental", comenta Rosa Nepomuceno.

Para quem aprecia o gosto forte, picante e exótico, Rosa diz que em bons empórios e supermercados podemos encontrar pimentas orientais, como a pimenta-longa da Indonésia e a cubeb, dos árabes. Nas Américas, as pimentas nativas são as do gênero Capsicum, que agregam dezenas de espécies como a jalapinha, a malagueta, a dedo de moça, a olho de bode, todas as amazônicas, e tantas outras. "Em Paris e Nova York, podemos encontrar uma variedade enorme de pimentas nos mercados, e a predominância dos tipos da América é notável, principalmente as produzidas na América Central, nas Caienas", informa.

Para o paladar e para a saúde

Em seu livro Pimenta e seus benefícios à saúde, da editora Alaúde, o médico Márcio Bontempo observa que, na medicina ayurvédica, na egípcia, na persa, na árabe, nos povos pré-colombiano e na medicina dos índios, o hábito de ingerir pequenas quantidades diárias de pimenta parecia ser um recurso indicado para a preservação da saúde e prevenção das doenças.

E são justamente as pimentas vermelhas, encontradas na América Latina, como nossa tradicional malagueta, as que trazem mais benefícios à saúde. Elas pertencem ao gênero Capsicum, ricas em capsaicina, uma substância poderosa quando o assunto é bem-estar. As do gênero Piper, como a pimenta-do-reino, são ricas em piperina, e têm efeito similar. "As pimentas têm efeito anestésico, antiinflamatório e antimicrobiano, também diminuem a formação de coágulos no sangue e são vasodilatadoras, ajudando na circulação", informa Dr. Bontempo.

O condimento ainda aumenta a produção de endorfina no cérebro, hormônio que produz sensação de bem-estar, e é muito benéfica para quem quer emagrecer, pois ajuda a reduzir o apetite. De acordo com Dr. Bontempo, o consumo de pimenta também evita gripes: "Dependendo da espécie, uma pimenta pode ter entre seis e dez vezes mais vitamina C do que uma laranja", diz ele. Além da vitamina C, que é antioxidante, as pimentas vermelhas e verdes contêm beta caroteno (vitamina A), licopeno e microminerais - nutrientes que ajudam a proteger o organismo de doenças degenerativas.

Em alguns capítulos do seu livro, Dr. Bontempo explica como a ingestão regular de pimenta também contribui para evitar o envelhecimento. Ele afirma que há cada vez mais estudos sobre sua potencialidade e que, segundo pesquisas, a clorofila, presente nas pimentas verdes, e os bioflavonóides, superabundantes em todas as espécies de pimenta, ajudam a repor o dano genético celular, reduzindo o processo que leva ao envelhecimento precoce.

Escala de ardência

Para medir o ardor da pimenta, foi desenvolvida a Escala de Scoville pelo químico Wilbur Scoville. "Foi de acordo com essa escala que se concluiu que a Naga Jolika é a pimenta mais forte do mundo. Tão ardida, que não tem uso culinário, somente na fabricação de sprays de pimenta", explica Dr. Bontempo. A pimenta Habanero, muito apreciada pelos mexicanos, é a terceira da escala. Para se ter uma idéia, a malagueta, no Brasil quase um sinônimo de ardência, está no meio da tabela, quase no mesmo patamar das pimentas de cheiro.

Diante disso, para quem não gosta de pimenta, a solução é consumi-las em cápsulas a partir da indicação de um médico. Mas se esse não é o seu caso, esquente a comida, o corpo e a alma e delicie-se com alguma moderação e sem culpa.