Meu filho quer um celular ou um tablet! E agora, devo dar?

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Nativas digitais, as crianças estão a cada dia mais familiarizadas com aparelhos eletrônicos. Não à toa, existem no mercado brinquedos que simulam notebooks, tablets e telefone celulares. Mas para muitas, isso não basta. Elas querem ter os aparelhos de verdade, como os adultos. A grande dúvida dos pais é como fazer que essa relação com a tecnologia aconteça de forma saudável. "O universo das crianças de hoje é diferente do que era há 30 ou há 50 anos. Os aparelhos tecnológicos são coisas do tempo delas, então não tem problema ter acesso a eles. Mas elas continuam sendo crianças e o que não pode acontecer é de se tornarem iguais a um adulto. Se uma criança passa a partilhar dos assuntos e hábitos dos pais e irmãos mais velhos é natural que as características infantis desapareçam dando lugar a um adulto precoce", afirma a coach e especialista em comportamento humano, Roselake Leiros, da CrerSerMais.

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Ela explica que, quando o adulto não entra no universo da criança, que é lúdico, a criança acaba entrando no universo do adulto. "Os pais precisam ser companheiros, brincar, sentar, conversar, estimular, entrar no universo delas, mesmo que pouco, ao invés de chegar em casa e ficar direto no computador, mostrando o que está fazendo na internet, porque isso chama o filho para o universo adulto", explica.

Para a especialista, a tecnologia é parte do universo das crianças, mas não é tudo. "Não tem que privá-las disso, mas tem que ter limite. É claro que podem ter acesso a tudo, mas com restrições. As crianças estão aptas a usarem os aparelhos eletrônicos, a internet, elas são inteligentes, espertas, mas não têm maturidade emocional", afirma. "A família pode até ter um aparelho celular que o filho use quando for para a casa de um amigo ou para um passeio, para que ele possa se comunicar. Mas criança com celular na escola não dá! Os pais precisam ser mais rígidos".

Ao permitir que as crianças tenham acesso ao mundo tecnológico, deve-se ficar sempre atento ao conteúdo que elas veem, estabelecer horários, bloquear determinados sites, e observar também se estão ficando muito sozinhas. "Tudo é bom, tudo é importante, depende de como se utiliza. Uma criança muito tímida, com dificuldade de se relacionar, se solta primeiro na internet. Mas é preciso incentivar o presencial, o contato. Viver só virtualmente não é saudável e pode se tornar um vício. Depois disso fica muito mais difícil colocar limites".