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Manaus: a antiga Paris dos trópicos

1811

Até o dia 23 de maio Manaus sedia um importante evento operístico, o VI Festival Amazonas de Ópera, com a presença de artistas nacionais e estrangeiros. A temporada começou em 14 de abril, e no total serão 16 apresentações de cinco óperas, com entradas que custam entre R$ 5 e R$ 50. Nos dias 5, 10, 17 e 19 de maio será apresentada Don Giovanni, de Mozart; e nos dias 18, 21 e 23 de maio é a vez de Condor, de Carlos Gomes.

O palco, como não poderia deixar de ser, é o do fantástico Teatro Amazonas, construído em 1896. Os barões da borracha – ingleses, italianos, franceses, portugueses – para curar sua nostalgia da Europa, mandaram construí-lo com mármore de Carrara, cristal de Murano, bronzes e vitrais franceses e ferrarias inglesas. Madeiras nobres brasileiras viajavam de navio para serem trabalhadas na Europa. Com pinturas fabulosas e um deslumbrante pano de boca, é um expoente da arquitetura do período áureo da borracha, e vale por si só uma viagem à cidade. Mesmo fora das temporadas pode-se fazer visitas guiadas.

Manaus, com características e história diferentes das outras cidades brasileiras, é passagem obrigatória para quem vai visitar a maior floresta do planeta. No século XVII, os portugueses construíram a fortaleza de São José do Rio Negro. O povoado tomou o nome de Manaós, uma tribo local. A vida na cidade corria obscura e distante, literalmente, do resto do país. Duzentos anos depois, em 1866, o Rio Amazonas foi liberado à navegação, e começou-se a exportar os produtos locais. Foi o que bastou para o início do boom da borracha.

Apareceram os barões ou coronéis da borracha, e o sonho de riqueza durou cerca de 20 anos, quando se construíram prédios luxuosos, e a cidade, a primeira no Brasil a ter bonde, luz elétrica e telefone, era chamada de a Paris dos trópicos. Tristes trópicos: mudas de seringueiras contrabandeadas para a Malásia começaram a produzir o látex em melhores condições e preços. Era o declínio econômico. Mergulhada em letargia, a cidade foi parcialmente revigorada durante o regime militar pela Zona Franca. Com a abertura de mercado nos anos 90, extinguiu-se mais um ciclo econômico da região, que agora se entrega de corpo e alma ao turismo ecológico praticado na floresta.

Mas as marcas da prosperidade ficaram, e entre elas o Mercado Municipal, réplica do Les Halles, de Paris, com vitrais coloridos e lindas estruturas de ferro batido. Dentro, o ambiente é interessantíssimo, com todos aqueles imensos peixes amazônicos, ervas aromáticas e medicinais e uma variedade inimaginável de farinhas de mandioca. Peças de artesanato indígena têm bom preço lá e no Museu do Índio. No porto, construído pelos ingleses em 1902, embarcações partem para toda a Amazônia. O barco é o meio de transporte por excelência da região, onde as distâncias são assustadoras. Uma viagem até Parintins, por exemplo, dura 24 horas.

Serviço:

Como chegar: A Varig, a Tam e a Vasp voam para Manaus. Há diferença de duas horas em relação ao fuso horário de Brasília.

Onde ficar: Tropical – tel: (92) 658-5000; Mônaco – tel: (92) 622-1415.