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Investida feminina

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Ficar de olho não basta, tem que conquistar. Só resta saber como. Quem tiver essa resposta tem praticamente o segredo do sucesso sentimental. A arte da conquista requer talento, tato e uma boa dose de segurança, só que nem sempre esses atributos são encontrados na bolsa da mulher com a mesma facilidade que um batom ou uma escova. Então, inclua na sua necessérie um vidro de óleo de peróba, passe uma fina camada para dar aquele lustre na cara de pau, e vá à luta. Porque na caça, como na guerra, quem tem a melhor estratégia sai com a recompensa.

Uma boa abordagem pode ser garantia de sucesso para fisgar o objeto de seu desejo. No entanto, ainda existe um certo pudor ou mesmo uma insegurança de algumas mulheres na hora de assumir o “papel do menino” na azaração. “É muito difícil você ver um cara na rua e chegar nele. Não existe um conhecimento para saber como agir, para mim a melhor tática é ficar estudando o terreno. Morro de medo de levar um fora”, diz a economista Laís Manhães. E quebrar a cara faz parte dos, inevitáveis, ossos do ofício. “Eu já cansei de levar fora. Uma vez o cara falou que não adiantava mais eu insistir que ele não ia me dar o telefone”, conta a arquiteta Márcia Lemos.

Portanto, quem não quer ficar chupando dedo, tem que fazer da máxima “quem não arrisca não petisca” seu mandamento número um. “Eu, quando quero alguém, vou à luta mesmo. Não fico esperando sentada que outra faça o que eu queria fazer. Falo, telefono, chamo pra sair, dou uma de macho e quase sempre dá certo”, jura a publicitária Michelle Castanheira. E esta visão de Michelle tem fundamento. O terapeuta sexual Marcelo Toniette, presidente do Centro de Estudos e Pesquisas em Comportamento e Sexualidade – CEPCoS, explica que hoje a linha que divide o que é atribuição feminina e o que é masculina está cada vez mais tênue. “Os papéis de homem e de mulher passaram por uma reformulação”, explica ele.

E o que pensam os moçoilos a respeito de terem seu dia de caça? “A vulgaridade gratuita é uma coisa que me agride. Mas se a menina chegar de uma maneira ousada, só que inteligente, com certeza, vai impressionar. Se for gata então...”, confessa o engenheiro Daniel Marinho. Segundo Marcelo Toniette, a vulgaridade pode esbarrar na falta de respeito. “Eu gosto muito daquele dito ‘meu direito termina quando começa o do próximo’. A vulgaridade invade, incomoda justamente por não levar em consideração o limite do outro. É o tal ‘forçar a barra’. A liberdade pode ser exercitada reconhecendo o espaço do outro. Creio que o limite seja o respeito”, acredita ele.

Acontece que as mulheres ainda encontram resistência para botar em prática essa faceta predadora, com todo respeito, por causa de certos homens, que ainda rezam pela ultrapassada cartilha machista. O terapeuta sexual explica que essas atitudes se justificam pelo apego aos valores tradicionais. “Muitos homens, como aqueles mais presos a valores tradicionais, se assustam com a atitude ousada da mulher hoje”, diz Toniette. Um exemplo que ilustra bem isso é o do empresário Carlos Eduardo Monteiro. “Essa história da mulher chegar junto e sair pegando não me anima. Eu ainda prefiro fazer essas coisas. Acho que sou antigo”, define-se. Como ninguém é igual (ainda bem), outros não fazem o menor esforço para se debater na armadilha. “Se a mulher está interessada, acho que ela tem que procurar. O assédio de uma mulher me instiga”, confessa o dentista Frederico Salazar.

Como nós, mulheres, os homens também não se rendem a qualquer cantada barata. “A melhor azarada que levei foi da minha mulher, foi tão boa que casei com ela. Estávamos num show, todo mundo dançando e naquele pula pra cá, pula pra lá, ela me deu uma sarrada, fiquei louco. Dali pra frente fiquei contando os minutos pro show acabar e nunca mais larguei ela”, conta o analista de sistemas Paulo Sobral. Marina Sobral, mulher de Paulo, alega que não foi bem assim. “Ele estava o show todo me dando mole, não encostei nele numa de “vem cá meu nêgo”, foi mais uma provocação. Não seria maluca e nem tão ousada de dar uma sarrada assim, gratuita”, revela ela.

Só que mesmo com essa liberação toda, muitas mulheres ainda preferem fazer uma linha mais convencional. “Eu não sei ser ousada. Prefiro ainda o gênero ‘olhos nos olhos’ e esperar o cara vir falar comigo”, revela a estudante Aline Gomes. E quem pensa que essa tática tem um ‘Q’ de puritanismo, está enganada. Talvez seja, simplesmente, um truque em que os homens ainda gostam de cair. “O negócio é ficar dando um mole discreto, não bancar a apavorada, senão fica parecendo que você está no cio. Se caso depois role alguma coisa séria, o homem vai jogar na sua cara. É deixar ele pensar que está conquistando uma mulher difícil’, acredita a advogada Luiza Figueiredo.

Então, se você está na ativa, tentando encontrar entre tantos a sua cara-metade, Marcelo Toniette tem um conselho. “O importante não é homens e mulheres se encaixarem nessa ou naquela categoria, mas descobrir o jeito que mais apreciam de se aproximar de alguém, sem estereótipos’, finaliza ele.

Agradecimentos: 

Marcelo Toniette - CRP 06/49357-4

Psicólogo e Terapeuta Sexual associado ao Instituto Paulista de Sexualidade

Presidente do CEPCoS - Centro de Estudos e Pesquisas em Comportamento e Sexualidade

Diretor da ABRATESEX - Associação Brasileira de Terapia Sexual

Site: http://www.matoniette.psc.br

Tel.: (11) 3662-3139