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A pluralidade de Claudia Lira > De tudo um pouco

Bolsa de Mulher - Claudia, você é carioca?

Claudia Lira - Não. Eu vim com um mês pro Rio, sou carioca da....

BM - De coração?

CL - Carioca da gema não, carioca da clara (risos).

BM - Seu nome completo?

CL - Cláudia Vasconcelos Lira.

BM - Vamos fazer um apanhado da sua vida. Como foi a sua infância? Você veio nova pro Rio...

CL - Tive uma infância normal, como qualquer criança brasileira. Graças a Deus eu tive uma vida de classe média, tive oportunidade de estudar em bons colégios, desde pequena fiz ballet, estudei piano, morei dois anos na Argentina porque meu pai foi transferido pra lá. Estudei em Buenos Aires, em uma escola super-rígida, no esquema de semi-internato. Isso foi muito bom pra mim, eu tinha 14, 15 anos, então eu estudei em um colégio britânico e tinha aulas de música, de canto, teatro. Foi nessa época que comecei a me apaixonar por teatro. Eu falo espanhol fluentemente, falo inglês porque estudei num colégio britânico e morei na Argentina. Aí voltei pra cá, continuei estudando, estudei no colégio americano, Depois estudei em outros colégios, Princesa Isabel. Continuei fazendo ballet, que foi uma coisa que eu sempre fiz. Aí tive um problema na coluna, em virtude de um acidente de carro que tive com seis anos, que só foi aparecer aos 18. Tive que parar e aí eu comecei a fazer alongamento e outras aulas. Eu sempre fui uma pessoa muito esportiva. Sempre joguei vôlei na escola, andava de patins, sempre gostei muito de esportes. Até futebol eu curtia, basquete, eu fui uma criança muito ativa, gostava de esportes. Eu acho isso muito importante para toda criança. O esporte ajuda muito no coletivo.

BM - Então o seu gosto pelas artes veio desse seu contato com o colégio ou também teve influência dos pais?

CL - Na verdade, quando eu tinha seis, sete anos, eu adorava cantar. Eu cantava pra minha mãe dormir e resolvi fazer teatrinho no prédio. Eu morava na Lagoa, eu e minhas amigas fazíamos o cenário, tudo, e cobrávamos como se fosse uns cinqüenta centavos pra criança e R$ 1 para os adultos. Nós montávamos as peças, mas eu sempre quis ser cantora, nunca imaginava ser atriz, eu sempre gostei muito de cantar. Meu brinquedo predileto era o rádio.

BM - Vocês pegavam textos de outros autores ou escreviam as próprias peças?

CL - Nós pegávamos de livros que a gente lia, aquelas historinhas de livros infantis e a gente fazia. Nós montávamos o figurino, era muito bacana. Mas eu sempre fui tímida.... não tímida, mas nunca imaginei ser atriz. Então, com 18 anos, quando eu me formei, fiz aula de teatro na CAL, fiz um curso e decidi que queria ser atriz. Então eu me formei pela CAL, sou formada em artes cênicas. Mas, antes de me formar, fiz minha primeira novela que foi "Bambolê". Eu continuei a fazer muitos cursos: fiz curso de sapateado, o que você perguntar eu já fiz. Já fiz capoeira, sou faixa vermelha em caratê, fiz dança espanhola, enfim, adoro cursos. Até hoje eu faço cursos quando posso. Fiz um ano de italiano para aprender a língua. Acho que eu tenho um ouvido bom porque eu falo línguas, isso me ajuda bastante. Fiz aula de canto por quatro anos, canto lírico, enfim, sempre gostei de estudar. Sempre fui autodidata também, mas gostava de fazer aulas. Sempre fui muito curiosa, adoro aprender coisas novas. Quero sempre aprender. Outro dia mesmo, teve um curso de dramaturgia para escritores iniciantes, ali no Planetário (na Gávea – Rio de Janeiro). Era um curso com um espanhol, foi bacanérrimo, adorei. Também tenho vontade de escrever. Dirigir também, mas ainda não é hora... Eu tenho mais vontade de escrever.

BM - Você se espelhava em alguma pessoa, algum artista, e pensava: eu quero ser como ela?

CL - Quando eu comecei a fazer teatro, eu fazia com o Moacir Góes. Eu era do grupo dele e fiquei cinco anos trabalhando. Então a gente lia sobre tudo, desde Sarah Bernardt, que tinha muita influência, Maria Callas, mas nada que fosse... entendeu? Eu sou brasileira, sou uma atriz brasileira, e aqui no Brasil é um outro mundo, um outro país, com outras condições, então fica meio difícil de comparar. Eu tento ser uma profissional de primeiro mundo. Eu busco isso. E isso faço aprendendo, lendo sempre, me interessando pelas coisas. O ator tem que estudar sempre, até o final da vida, tem que fazer aula de canto, tem que fazer dança. Eu fiz meditação também, fiz yoga...

BM - O que você não fez?

CL - (Muitos risos) Tem que ter um equilíbrio, sabe? Porque eu já fiz onze novelas, né! Fiz "Bambolê", minha primeira novela, que foi com o Wolf Maya, "Mico Preto", "Perigosas Peruas", "Renascer", "Guerra sem Fim", "História de Amor", com o Ricardo Waddington, "Colégio Brasil", com o Talma, "O Amor Está no Ar", "Corpo Dourado", com o Ricardo também.

BM - Sua estréia foi na televisão?

CL - Já estudando, eu fazia novela. Continuei estudando porque achava que era importante para o meu aperfeiçoamento. Então eu me esforcei muito. Acho que eu tive uma juventude, assim, dos 18 aos 28 anos, muito dedicada ao meu trabalho. Eu não tinha finais de semana pra viajar pra Búzios, viajar pra Angra, ir pra fora. Na época que eu podia viajar, eu ia pra Europa e para os Estados Unidos para ver peças. Eu sempre me direcionei muito, tenho uma paixão muito grande pela minha profissão, acho que é uma vocação que tenho. Eu faço com muito gosto e teatro você tem que fazer com muito prazer, senão não vale a pena. Você tem que acreditar no seu trabalho.

BM - Então você começou na TV?

CL - Eu comecei na TV, fazendo "Bambolê". Eu fiz um curso com o Wolf Maya e, depois de um tempo, encontrei com ele no meio de um sinal e ele falou: "poxa, você não soube que eu ia fazer o 'Bambolê'? Ah, não tem mais personagem para você, eu só tenho um personagem muito pequeno, que é uma participação e tal...". Então, eu disse para ele que não importava, que eu queria aprender. Aí eu fiz a participação, que era um personagem em cima da Marilyn Monroe. Eu tinha o cabelo comprido, tive que cortar, pintar o cabelo de loiro, bem blondie mesmo. Era uma participação de dez capítulos, mas eu fiquei tão parecida com a Marilyn que o autor começou a escrever e eu fiz a novela inteira. Foi muito bacana. Depois disso eu montei minha peça com o André Abujamra, comecei também a produzir. Eu e a Cristiane Guinle montamos "O Inferno São os Outros", na verdade "Entre quatro paredes", do Sartre, com o Abu dirigindo e fazendo. Era eu, a Cristiana Guinle e o Marcelo Serrado. Foi a minha primeira produção independente. Como atriz também foi muito interessante, a gente estreou no Hotel Glória, foi um sucesso, viajamos com a peça. Aí eu fiz o meu primeiro espetáculo infantil, que foi "Os Germes da Discórdia", que eu ganhei o Prêmio Coca-Cola. Era eu, o Ricardo Blat, Anselmo Vasconcelos, Scarlet Moon, Rodrigo Penna, quer dizer, um elenco maravilhoso. Depois fiz outra peça com o Marcelo Saback que meu deu outro Prêmio Coca-Cola. Sempre fiz novela e teatro, novela e teatro.

BM – E cinema?

CL - Cinema eu fiz uma vez, foi "Doces Poderes", da Lúcia Murad. Foi o único filme que eu fiz. Eu morro de vontade de fazer cinema, tenho loucura por cinema. Fiz "Mulher", o seriado, com a Patrícia Pillar e a Eva Wilma, que era também em película, foi uma experiência bárbara.

BM – E se você tivesse que escolher entre TV, teatro ou cinema?

CL - Eu escolho o personagem.