Benefícios do açúcar mascavo: razões para abandonar o branco

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Parece que não adianta tentar fugir dele. Açúcar faz mal à saúde, mas é difícil imaginar a vida sem seu sabor. Aquele bolo gostoso no fim de semana, aquela sobremesa preferida e o contraponto perfeito para o amargo do café. A gente dá duro para evitar ao máximo e colocar o mínimo de colherinhas, mas quando sente o doce na boca, se rende exatamente ao grande problema do açúcar: ele vicia.

O ideal seria liberar o paladar dessa substância que pouco oferece ao organismo, já que, fruto de um intenso processo de transformação, ao açúcar pouco resta da sua rica origem – a cana. Além disso, o doce que nosso corpo de fato precisa está nos próprios alimentos, principalmente nos cereais integrais como o arroz ou tubérculos como a bata-doce e a beterraba.

Mas, às vezes, parece mais forte do que a gente e, de repente, só mesmo o doce do açúcar resolve. Nessas horas, é melhor ter à mão soluções menos prejudiciais e que oferecem algum tipo de benefício ao organismo - caso, por exemplo, do açúcar mascavo, aquele mais grosso e de tonalidade mais amarronzada.

O que é o açúcar mascavo?

Com uma coloração completamente diferente da do açúcar refinado e sabor semelhante ao da rapadura, o açúcar mascavo também é extraído da cana-de-açúcar, mas a diferença entre ele e sua versão branquinha e fininha está nos processos pelos quais ele passa até chegar às prateleiras do supermercado.

Como este açúcar é obtido por um processo de cozimento, ele não passa pela refinação, algo que conserva seus valores nutricionais, fazendo, portanto, que ele ao menos não traga calorias vazias (que não têm nada de bom a oferecer). "O açúcar mascavo é uma versão mais integral dos cristais de açúcar da cana e, por isso, preserva ainda vitaminas e minerais que no branco e no demerara já não existem mais", diz a nutricionista Priscila Lese.

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Propriedades do açúcar mascavo

O açúcar mascavo é mais escuro, marrom ou dourado, exatamente porque ainda não perdeu o melaço da cana onde vivem quantidades significativas de cálcio, ferro, potássio e magnésio. "Quanto mais escuro o açúcar, mais vitaminas e minerais ele tem", afirma Lese. Mas não se engane: ele continua sendo tão calórico e prejudicial quanto o branco e oferece as mesmas restrições de consumo a pessoas diabéticas.

Ele também pode exigir um tempo até que nos acostumemos com seu sabor. Com mais personalidade do que a versão refinada, o açúcar mascavo tem gosto forte e interfere no sabor dos alimentos. "Mas o benefício principal da versão escura do açúcar faz valer a pena a troca", garante a profissional. "Só o fato de ele não ter recebido o tratamento químico que os cristais branquinhos receberam já é motivo suficiente para investir na substituição", garante a profissional.

Segundo a nutricionista, os aditivos químicos presentes no açúcar branco são verdadeiros inimigos da boa saúde e deveriam ser evitados sempre que possível. "Adotar a estratégia de ter apenas açúcar mascavo em casa é uma excelente maneira de reeducar nosso paladar e, aos poucos, encontrar o doce natural dos alimentos", conclui a nutricionista.

Açúcar mascavo adoça menos?

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Para muita gente, este alimento não é uma opção nas receitas pela ideia de que o açúcar mascavo adoça menos que o refinado - mas isso não é real. Por não ser refinado, ele demora mais tempo para adoçar os alimentos em que é acrescentado (com um cafezinho, por exemplo), mas, quando se dissolve, sua potência é igual à de sua versão branquinha e fininha.

Uma forma de garantir que a bebida ficará igualmente docinha é adicionar o açúcar mascavo (na mesma quantidade que costuma se usar o branco) enquanto ela ainda estiver bem quente, e aguardar alguns minutos para beber, tendo assim a certeza de que ele se dissolveu completamente.

Algo que pode não apenas garantir que o açúcar mascavo vai adoçar a bebida como também deixará o processo de fazer aquele cafezinho coado diário mais prático é colocar essa substância diretamente na água que será usada no processo. Desta forma, quando o café ficar pronto, ele já estará docinho (e sem o perigo de não estar tão gostoso quanto quando se usa o açúcar refinado).

Outros tipos mais saudáveis de açúcar

Rapadura

A rapadura é produto de um processo de cozimento do caldo da cana-de-açúcar (algo que faz a substância se solidificar) - e, de acordo com a nutricionista Camila Prata, é mais nutritiva quando comparada com o açúcar refinado e até com o mascavo.

Como nada mais é que a versão mais integral possível deste alimento, todos os nutrientes da matéria-prima são preservados - algo que não muda o fato de que ele segue sendo bem calórico, mas, ao menos, traz junto das calorias alguns benefícios.

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Conforme explica a nutricionista, a rapadura tem até 100 vezes mais cálcio, ferro, maiores quantidades de minerais como potássio, magnésio, fósforo, cobre, zinco e vitamina A. Além disso, ela é rica também em vitaminas do complexo B, que fortalecem o sistema nervoso.

Para adoçar café, leite, chás, sucos e até receitas como bolos e doces de forma geral, basta apostar na versão ralada da rapadura - sempre, é claro, com a moderação que qualquer tipo de açúcar vai exigir.

Açúcar de coco

Apesar de adoçar tanto quanto outros tipos de açúcar, esta substância não tem a mesma matéria-prima que eles. Em vez de ser produzida a partir da cana-de-açúcar, ele é feito com as flores da palma de coco, cujo néctar é retirado e aquecido até que se transforme em um caramelo bem espesso. Depois disso, ele é triturado, resultado em cristais grossos e marrons.

Assim como o açúcar mascavo, o açúcar de coco não passa por processos de refinamento - algo que faz com que ele mantenha seus muitos nutrientes. Segundo Fábio Cardoso, especialista em medicina preventiva e longevidade, o açúcar de coco possui quantidades boas de potássio, magnésio, zinco e ferro, além de ser fonte de vitaminas B1, B2, B3 e B6.

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Uma vantagem ainda maior dele sobre os outros tipos de açúcar é o fato de que, ao contrário deles, ele tem um baixo índice glicêmico - ou seja, não é absorvido de forma tão rápida pelo organismo e, consequentemente, não ocasionando picos de insulina. Isso, por sua vez, favorece quem tem diabetes. “O açúcar de coco tem um índice glicêmico de 35, muito mais baixo do que o refinado, que é de 68”, explica o médico.

Apesar disso, porém, ele tem o mesmo valor calórico que os outros e, mesmo não trazendo calorias vazias para o corpo, é necessário ter moderação na hora de consumi-lo. Segundo a chef funcional Lidiane Barbosa, ele tem o mesmo poder adoçante que os outros, podendo substitui-los em receitas na mesma proporção.

Por que o açúcar faz mal?

Consumir um ou outro alimento que tem bastante açúcar na composição de tempos em tempos não é capaz de destruir sua saúde - mas, conforme se consome esse tipo de alimentos em quantidades cada vez maiores, o organismo acaba ficando, de certa forma, viciado em açúcar, pedindo um consumo cada vez maior dele.

Isso, por sua vez, é prejudicial por diversos motivos. Em primeiro lugar, por ser extremamente calórico e normalmente aparecer em grandes quantidades quando estão presentes em receitas, o açúcar em excesso pode ocasionar a obesidade. Além disso, como normalmente quem come muito açúcar tem uma dieta pobre em nutrientes, estas pessoas acabam com o organismo fragilizado.

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Em excesso, o açúcar também desencadeia e agrava inflamações e gera picos de insulina - sendo este o motivo pelo qual diabéticos (pessoas que têm deficiência na produção deste hormônio) não devem consumi-lo. Os efeitos danosos do açúcar podem inclusive se manifestar na pele, ocasionando acne e deixando a pele com um aspecto não-saudável quando consumido em excesso.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), há um limite considerado seguro para a ingestão de açúcar por pessoas saudáveis: no máximo, 50 gramas da substância por dia. Apesar de parecer muito, está é a quantidade de açúcar encontrada em muitas garrafinhas e latinhas de refrigerante por aí, então é sempre bom ficar atento ao valor nutricional dos produtos consumidos.

Enquanto isso, para quem tem diabetes ou é portador de doenças cardíacas, o mais indicado pela OMS é consumir até 5% deste total.

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