mulher

Mais que uma simples cólica - Cólica, mal-estar, dores estranhas. Muito mais séria e preocupante do que um

2003 08 1381
Pacha Urbano

Todo mês, desejada ou não, a menstruação vem. Agora, imagine: primeiro, vêm as cólicas e todo o desconforto provocado pela TPM. Depois, chegam as dores durante o período menstrual. É justo tanto sofrimento? Definitivamente não, mas esse pode ser um sinal de endometriose, uma doença de nome complicado, mas de fácil tratamento. No entanto, nem sempre o problema é tão nítido e, sem os sintomas, só se descobre que o distúrbio existe porque engravidar se torna uma tarefa difícil. Mas não impossível: a medicina já conta com métodos capazes de contornar a situação.

O endométrio nada mais é que uma camada fofa que prepara o útero para receber um bebê e que descama se não há gravidez. Essa descamação é o que provoca a menstruação. "A endometriose ocorre quando o endométrio está localizado fora do útero, ocasionando pequenas feridas, nódulos e, em alguns casos, cistos", explica o ginecologista e chefe da clínica de endometriose da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, Dr. Tsutomu Aoki. As causas são diversas e a medicina ainda não descobriu todas. Por isso é que se diz que a endometriose não tem cura, apesar de representar um risco para a saúde da mulher, se tratada corretamente. "A localização do endométrio fora do útero pode se dar por razões genéticas. Mulheres cujas famílias tenham histórico da doença têm sete vezes mais chances de contraí-la. Outro fator muito importante está diretamente ligado ao sistema imunológico. Toda vez em que a mulher menstrua, há o que chamamos de menstruação retrógrada, que é o sangue absorvido pelo próprio corpo. Quando as defesas do organismo não são capazes de absorver esse sangue, passa a existir a doença", revela o ginecologista Francesco Viscomi.

Na maioria dos casos, a dor é o principal sintoma, aparecendo pouco antes, ou durante o período menstrual. "Ela é bastante intensa. Vai aumentando à medida em que os ciclos vão ocorrendo e o ato sexual também é incômodo. Em alguns casos, evacuar pode ser doloroso e o aparecimento de sangue não é incomum. Sangramentos pequenos, fora do ciclo, também indicam a possibilidade de endometriose", garante o ginecologista e especialista em medicina reprodutiva, Dirceu Henrique Pereira. No entanto, nem sempre é assim que a endometriose aparece. Pode acontecer de a  danadinha estar lá, quietinha, e não se pronunciar durante anos. Nesses casos, o problema pode ser descoberto por acaso. "Tirando as visitas regulares, normalmente as mulheres procuram os ginecologistas por sentirem dor ou dificuldade em engravidar. Se a mulher diz que está fazendo sexo regularmente e não consegue ficar grávida, pode ser que ela tenha a doença", especula o Dr. Dirceu. O diagnóstico da endometriose é feito pelo exame de vídeolaparoscopia. "O procedimento em si não é tão complicado, mas requer uma preparação igual à uma cirurgia, pois ele é feito com anestesia geral. É introduzida uma microcâmera por um orifício na barriga da mulher e identificamos o problema. Esta é a única maneira de se afirmar que a mulher está com endometriose", assegura o médico.

Apesar de, tecnicamente não haver cura para a endometriose, não há motivo para pânico: a dor e os sintomas podem ser diminuídos. "O tratamento vai de acordo com o que a mulher apresenta. Normalmente, fazemos um trabalho para aliviar ou reduzir o incômodo, diminuir o tamanho dos nódulos ou cistos, reverter ou limitar a progressão da doença e evitar ou adiar a recorrência do problema. Se a mulher não quiser mais ter filhos, nós bloqueamos a menstruação e está resolvido", explica o Dr. Francesco. Casos em que a evolução da doença é acentuada são resolvidos com uma cirurgia simples e rápida. "O tratamento cirúrgico pode ser feito com laparotomia ou laparoscopia. Nós destruímos os nódulos por coagulação a laser, vaporização de alta freqüência ou bisturi elétrico", esclarece Dr. Tsutomu. O tratamento minimiza os incômodos, mas os sintomas podem voltar. "A maior parte dos sucessos terapêuticos ocorre após uma operação bem planejada, que é o ideal para a retirada da lesão", alerta o médico. Para se ter sucesso, recomenda-se uma dosagem hormonal por pelo menos seis meses para acompanhamento.

O tratamento para as mulheres que querem engravidar é feito de acordo com a evolução da doença. "Pode ser feito com cirurgia ou com hormônios. O mais importante é o planejamento das ações terapêuticas em comum acordo com o desejo do casal em ter filhos", lembra Dr. Dirceu. Pode acontecer, na pior da hipóteses, de a mulher não poder mais engravidar. "Se a lesão atingir os ovários, a chance de a mulher ficar grávida é muito pequena, mas pode ser possível através de técnicas de fertilização assistida ou inseminação artificial", garante o especialista em medicina reprodutiva.

Não se sabe, exatamente, o que pode ser feito para prevenir a endometriose. No entanto, o Dr. Dirceu alerta que alguns alimentos podem ajudar bastante, tanto no tratamento, quanto na prevenção. "O ideal é a ingestão de alimentos poliinsaturados, como o azeite de oliva, gergelim, salmão, atum, frutas e legumes. Todos contêm ômega 3 e essa substância faz com que a mulher sinta menos dor e desenvolva menos edemas", sugere o médico, lembrando que o exame preventivo no ginecologista deve ser feito de seis em seis meses para evitar surpresas ou complicações. O sucesso do tratamento acontece, principalmente, se o diagnóstico for feito de forma rápida.

Agradecimentos:

Dr. Dirceu Henrique Mendes Pereira – Ginecologista e Especialista em Medicina Reprodutiva

Profert – Clínica de Infertilidade Conjugal

Av. Indianópolis, 395, Moema – São Paulo

Tel.: (11) 5539 1035

www.profert.com.br

Dr, Tsutomu Aoki – Ginecologista e Chefe da clínica de Endoscopia Ginecológica e Endometriose

Santa Casa de Misericórdia de São Paulo

Rua Doutor Cesário Mota Júnior, 112, Santa Cecília – São Paulo

Tel.: (11) 3224 0122

Tsutomu_aoki@uol.com.br

Dr. Francesco Viscomi – Ginecologista, Doutor em Ginecologia pela UNESP e Diretor do Women's Medical Center

Clínica Viscomi

Rua Doutor Alceu de Campos Rodrigues, 309 – conjunto 21, Itaim – São Paulo

Tel.: (11) 3848 9816

www.womens.com.br