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Intolerância alimentar

2006 12 4106
Divulgação

Alergia e intolerância são coisas distintas, embora às vezes os sintomas se pareçam. Os sintomas de intolerância não acontecem de forma imediata e nem são fortes como em um quadro alérgico (por exemplo, quando alguém é alérgico a camarão e fica todo "empolado" deve ser levado ao hospital imediatamente, pois corre até risco de vida!).

A intolerância é diferente. O quadro é insidioso e pode levar desde alguns minutos até dias para aparecer, o que dificilmente leva a uma associação de causa e efeito.

Teoricamente, podemos desenvolver intolerância a qualquer alimento, principalmente ao consumirmos algum tipo em grandes quantidades e ao longo de muitos anos, às vezes, por toda a nossa vida.

Alimentação repetida e monótona é prato cheio para as intolerâncias!

Embora passem despercebidos na maioria das vezes, ou por serem automáticos ou por estarmos muito acostumados com eles, certos sintomas corriqueiros podem indicar algum tipo de intolerância.

1. Os espirros, entupimentos nasais e corizas, os acessos freqüentes de rinite ou sinusite.

2. Os corrimentos vaginais, inclusive as cândidas de repetição.

3. As coceiras pelo corpo, às vezes leves, às vezes nem tanto (incluindo vagina e ânus), as acnes persistentes e de repetição.

4. Sensação de cansaço ou sono após comer, ao longo do dia também.

5. As dificuldades para emagrecer (as intolerâncias são freqüentes na obesidade e o seu tratamento facilita e muito, a perda de peso).

6. Sensação de inchaço pelo corpo (relacionada ou não com o período menstrual).

7. Prisão de ventre ou intestino muito solto, com fezes amolecidas e com restos de alimentos.

8. Dores abdominais sem fundamento, excesso de gases e distensão após comer, mesmo que pouco.

9. Dores de cabeça ou enxaquecas freqüentes.

10. Sintomas de ansiedade ou depressão e também de hiperatividade (que é muito comum em crianças).

11. Algumas dores musculares e articulares. As fibromialgias.

Há muitos outros sintomas ainda, mas acho que esses são suficientes...

Infelizmente para nós, os testes atuais ainda são muito caros e não estão disponíveis em qualquer lugar. O que faz que eu os indique apenas em situações especiais, mas creio que, num futuro próximo, serão realizados de maneira corriqueira.

Uma dica clínica útil é auto-observação (sempre ela, não é mesmo?). O desejo alimentar é uma chave importante! Por um mecanismo ainda não muito bem desvendado nós temos desejo pelo alimento que somos intolerantes. Portanto, se você pensa que não pode ficar nem um dia sequer sem o pãozinho, leitinho ou qualquer outro inho, atenção!

É claro, que há alimentos que são mais freqüentes que os outros. Na minha clínica, o leite e o glúten (trigo, aveia, centeio e cevada) são os campeões (afinal, formam a base da alimentação ocidental), mas também acontece muito com os queijos mofados, amendoim, cerveja etc.

Não preciso falar dos alimentos industrializados, com conservantes e corantes, que devem ser evitados independentemente de qualquer coisa!

Informe-se bem pois, quando somos intolerantes a algum alimento, devemos evitar uma série de outros que são da mesma família ou grupo. Por exemplo: no grupo do orégano temos que observar a manjerona e o manjericão.

Na prática, o que fazemos é retirar o alimento suspeito durante um certo tempo, que varia de uma pessoa para outra. Algumas semanas, para muitos, já é suficiente para haver melhora importante dos sintomas, que reaparecem quando o alimento é re-introduzido.

A boa notícia é que muitas vezes a intolerância não é para sempre. Após um período mais ou menos longo a pessoa pode re-introduzir, esporadicamente, aquele alimento, embora isso não sirva para todos, e vai depender de cada caso, da experiência pessoal também.

Bem, varie sempre a qualidade de seus alimentos. Alimentação repetida e monótona é prato cheio para as intolerâncias!

Fiquem bem e até a próxima!