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Diagnóstico para depressão > Diagnóstico para depressão

Hoje, a perda de um ente querido, um estresse no trabalho ou um relacionamento mal resolvido já são motivos para alguém achar que caiu em depressão. Especialistas alertam que, além de se tratar de uma disfunção muito mais séria do que a tristeza, a banalização do termo pode gerar erros no diagnóstico. "'Não sei por que me sinto tão mal' é uma frase recorrente entre pacientes deprimidos. Mas é preciso estar atento: outras doenças ou problemas de vida podem simular essa patologia. A pesquisa dos sintomas é a chave para a análise correta", diz o psiquiatra Antonio Egídio Nardi.

Exame de retina

Um estudo oferece novos contornos ao diagnóstico ainda complexo da depressão. Pesquisadores da Universidade de Freiburg, na Alemanha, concluíram que pessoas deprimidas enxergam o mundo em tons de cinza, literalmente falando. Por isso, o exame de retina, que analisa o contraste da visão, pode ser a ferramenta que faltava para um prontuário mais objetivo do que perguntar: como você está se sentindo?

A psiquiatra Juliana Kalaf do Instituto de Psiquiatria da UFRJ, trata o assunto com ponderação: "É delicado diagnosticar um problema tão complexo como a depressão apenas por meio de um exame simplista. Os 'n' critérios da psiquiatria tradicional não podem ser deixados de lado. A análise ou psicoterapia é o mais importante de tudo. Remédios são imprescindíveis em alguns casos, mas não deixam de ser paliativos", contesta.

A redução do contraste, para o psiquiatra Miguel Chalub, do Hospital Universitário Pedro Ernesto, pode ter outras causas que não a depressão. "Este teste está em estágio experimental e ainda não é conclusivo. Falta ainda muita pesquisa para que possa ser considerado confiável e fidedigno", opina.

Antonio Egídio faz coro com os outros especialistas e reforça a importância do exame clínico: "Várias pesquisas procuram exames que possam ajudar no diagnóstico de depressão e de outros transtornos de humor, mas depois se mostram inconclusivos. Vamos torcer que este ajude a diagnosticar a disfunção. De qualquer forma, a entrevista psiquiátrica é e sempre será fundamental e insubstituível", reforça.

Herança genética

Outro fator importante a ser analisado é o histórico familiar, já que a depressão apresenta um componente genético. "Isso não quer dizer que é só a genética que vai contar, mas ela pode influenciar. Quem tem histórico na família, tem mais tendência a apresentar o distúrbio. Mas não é algo obrigatório. Tem gente que tem histórico e nunca apresenta a depressão. E tem gente que não tem e apresenta", explica Marco Antônio. "O que parece ser herdado é uma tendência para um funcionamento bioquímico anormal em algumas regiões cerebrais, o que facilitaria o desenvolvimento da doença", completa Egídio.

Os principais sintomas do distúrbio, continua o especialista, são o humor triste e a perda do interesse e do prazer, conhecida por anedonia. "Cansaço, alterações do apetite, distúrbios do sono, dores, sensação de desconforto, alterações nos movimentos, baixa autoestima, sentimentos de culpa, dificuldade de concentração, retraimento social, uso e abuso de drogas, problemas no trabalho, irritabilidade, distorção da realidade, ideação suicida e diminuição da libido também fazem parte do quadro", enumera.