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Afinal, o que é e para que serve a máscara que Fernanda Souza usa nesse exercício?

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reprodução/instagram/fernandasouza

Recentemente, a atriz Fernanda Souza chamou atenção nas redes sociais ao postar uma foto fazendo um teste bem diferente. Na imagem, ela aparece com máscara em uma bicicleta ergométrica e diz que o objetivo é encontrar a zona de treinamento em que a queima de gordura é maior. Conversamos com o educador físico Paulo Campos, responsável pelo teste de Fernanda, para entender direitinho o que ela quis dizer.

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O que é o teste feito por Fernanda Souza? 

Paulo Campos é mestre em medicina esportiva e trabalha na clínica Skin Lux, no Rio de Janeiro, onde Fernanda fez o teste. Ele explica que, na foto em questão, ela está realizando uma análise cardiometabólica.

Objetivo 

De acordo com Paulo, a finalidade desse teste é entender o comportamento metabólico de cada indivíduo, do repouso até sua capacidade máxima. Dessa maneira, é possível saber, de forma precisa, qual é o ritmo e com que carga o indivíduo deve realizar diferentes exercícios para conseguir queimar o máximo de gordura e, a partir dessa informação, prescrever um treino saudável com gasto de gordura potencializado.

Como é feito? 

A avaliação é realizada em esteira ou bicicleta, equipamentos usados para induzir o esforço da pessoa que está fazendo o teste. O funcionamento do metabolismo é avaliado através de um sistema que utiliza uma máscara para controlar o fluxo das trocas de gases (oxigênio e gás carbônico) que ocorrem durante a respiração.

"O teste dura em média de 8 a 12 minutos, seguindo um protocolo específico que propõe o aumento gradativo da carga, para estimular o esforço no indivíduo", explica o educador físico. "O avaliador pede um constante feedback do avaliado, através de uma escala de notas, que vão de 0 a 10, para identificar seu nível de esforço e desgaste físico."

A análise cardiometabólica foi apenas uma etapa de uma série de testes que têm como objetivo final apontar com exatidão qual é o treino mais eficaz para o organismo de Fernanda. Outras fases da avaliação incluem testes de força, flexibilidade, composição corporal e postura.

"No final, o objetivo é ter precisão na hora de orientar em que intensidade o indivíduo deve treinar", conclui Paulo Campos.

Cuidados 

Os pacientes devem apresentar um eletrocardiograma de repouso, para avaliar a presença de alterações cardíacas, que podem se desencadear durante o teste. O teste também não é indicado a pacientes em período gestacional.

Como o teste é aplicado no treino 

Segundo Paulo Campos, um treino eficaz deve conter 3 elementos:

  • Exercícios de musculação com cargas elevadas e baixo número de repetições. Esses estímulos deformam o tecido muscular, obrigando-o a se regenerar e, assim, "crescer". Este tipo de exercício é importante para quem tem o objetivo de emagrecer porque acelera o metabolismo basal (de repouso);
  • EPOC (consumo excessivo de oxigênio após o exercício, na sigla em inglês). Consiste em estimular o corpo a continuar gastando calorias após o término do treino. Este efeito é obtido quando o praticante "engana" o organismo, trocando constantemente a intensidade dos estímulos durante um mesmo treino – ou seja, alternando entre momentos de intensidade extremamente elevada e outros de recuperação ativa, em que o indivíduo se mantém em movimento, porém em um ritmo moderado a baixo. Essas atividades podem estimular uma aceleração de até 24 horas no metabolismo do praticante.
  • Atividades de intensidade moderada e baixa. Elas têm por características estimular mais o metabolismo de gorduras que os de carboidratos. São excelentes alternativas aos dias de descanso da semana, pois exigem muito pouco consumo de carboidrato e não comprometem a qualidade e os resultados do treino de alta intensidade.

O resultado do teste será utilizado para definir a zona de treinamento que mais estimula o EPOC e o melhor ritmo de treinamento para os exercícios aeróbicos de baixa a moderada intensidades.

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"Dentro dessa tríade, você tem diversas possibilidades para adaptar, desde que essa orientação seja dada por um profissional habilitado e competente a realizar", explica Paulo Campos.

Por que não treinar pesado todo dia? 

Paulo Campos chama atenção, ainda, para as orientações dadas a muitos praticantes de atividades físicas que afirmam que apenas estímulos de alta intensidade são benéficos para a perda de peso. "Nos últimos anos, houve inúmeras descobertas científicas apontando sua eficácia através da estimulação do EPOC. Porém, realizar atividades de alta intensidade sem orientação de profissional pode resultar em 'overtraining', que tem como efeitos queda da imunidade, desequilíbrios hormonais, insônia, irritabilidade, descontrole da pressão arterial, lesões agudas e crônicas, entre outros. Nesse sentido, intercalar dias de atividades de menor intensidade e longa duração com dias com intensidade elevada pode ser uma boa alternativa, pois otimiza o processo de recuperação e não compromete a qualidade do treino no dia seguinte."