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Mesmo grupo de haters pode ser responsável por ataque a Taís e Maju: veja como agem

Após a atriz Taís Araújo ser bombardeada com comentários racistas em sua página no Facebook, o caso repercutiu intensamente na mídia e a própria artista foi à Delegacia de Repressão a Crimes de Informática (DRCI), no Rio de Janeiro, denunciar o crime e prestar depoimento. De acordo com apurações do site Ego, o grupo responsável pelos ataques seria o "QLC The Return", o mesmo acusado de incitar comentários preconceituosos contra a jornalista Maju Coutinho em julho deste ano. Seriam vários haters – pessoas que disseminam ódio contra alguém- que se unem com o objetivo de espalhar comentários ofensivos pelas redes sociais.

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Segundo o Ego, que divulgou postagens do grupo no Facebook, os membros convocaram uma série de perfis fake (que se passam por pessoas reais) para proferir ofensas a Taís Araújo. "Preparem os fakes, que vamos zoar uma crioula famosa", escreveu um usuário. Outro ainda comentou: "Comenta xingando essa macaca, quem não curtir os comentários lá [na página da atriz], vai ser banido do grupo".

Ainda de acordo com o Ego, os membros do grupo se mostraram satisfeitos com a repercussão e felizes por ainda não terem sigo pegos pela Polícia Federal, que investiga o caso. O site afirma que alguns usuários já abandonaram o grupo, com medo de repreensão judicial. Os administradores da página, no entanto, contam com o desfecho do caso de Maju, em que ninguém foi condenado pelos ataques. "Isso não dá nada. Se desse, estaríamos presos faz tempo, pelo ataque da Maju", teria escrito um dos membros, dando a entender que eles também teriam orquestrado a invasão ao perfil da jornalista Maria Júlia Coutinho.

Os ataques não acontecem apenas aos famosos e o crime nem sempre é de racismo. Segundo as informações obtidas pelo site, os integrantes do grupo - que seriam, em grande maioria, jovens de 15 a 20 anos, segundo informações do Ego - escolhem uma vítima e compartilham a "missão" com os demais participantes, ordenando o que dizer e em qual foto comentar, seja em imagens de pessoas negras ou homossexuais.

A adolescente Maria das Dores Martins teria sido um dos alvos do grupo. Ela recebeu uma enxurrada de comentários racistas ao publicar uma foto com o namorado, que é branco, eu seu Facebook. "Onde você comprou essa escrava?" e "Parece até que estão na senzala" foram algumas das postagens que levaram o caso a ser discutido inclusive no programa Encontro com Fátima, da Rede Globo. Segundo imagem postada pelo Ego, os responsáveis pelo crime comemoraram - "estamos famosos" – ao saber que o ataque foi pauta em rede nacional.

Racismo é crime? 

No Brasil, o racismo é um crime inafiançável e imprescritível, previsto pela Lei n. 7.716/1989, e é definido como ofensa a uma coletividade indeterminada de pessoas, discriminando toda a integralidade de uma raça. No entanto, o caso de Taís Araújo foi, a princípio, definido como injúria racial (diferente de racismo): ofensa à honra de alguém com base em elementos referentes à raça, cor, etnia, religião ou origem.

O delegado Alessandro Thiers, da DRCI, disse ao Ego que a investigação de crimes de injúria racial precisa de representação, ou seja, é necessário que a vítima denuncie à polícia. "Suspeitamos também de formação de quadrilha, que difunde ódio pela internet. A Polícia Civil não admitirá isso", declarou.

Entenda os casos

O perfil de Taís Araújo no Facebook foi alvo de uma série de comentários preconceituosos por conta de uma foto publicada pela atriz. Entre os comentários, alguns usuários diziam "já voltou da senzala?", "cabelo de Bombril", "quem postou a foto desse gorila?", entre outras postagens altamente ofensivas. 

No caso da jornalista Maria Júlia Coutinho, a Maju, o ataque também aconteceu na rede social, na página do Jornal Nacional, programa em que a profissional apresenta a previsão do tempo. A página foi bombardeada com comentários como "não bebo café pra não ter intimidade com preto", "preto só vai à escola quando ela está em construção", "só conseguiu emprego no Jornal por cotas", entre outros. Os comentários ofensivos mobilizaram os internautas e os profissionais do Jornal, como William Bonner e Renata Vasconcellos, que lideraram a campanha #SomosTodosMaju contra o racismo na internet

Como denunciar?

Para denunciar crime de racismo ou injúria racial, disque 156, em seguida opção 7. (Informação oficial do portal do Governo brasileiro)