Cássia Kiss: 'O Espiritismo me faz feliz, me tranquiliza'

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Cássia Kiss tem se emocionado a cada página do roteiro de "Escrito nas Estrelas", novela que estreia nesta segunda-feira, 12, no horário das seis. No folhetim, que abordará o espiritismo, ela será Francisca, mulher de Ricardo (Humberto Martins), dono de uma famosa clínica de fertilização, e mãe de Daniel, papel de Jayme Matarazzo. Religiosa, a atriz aplaude a iniciativa da autora Elizabeth Jhin de falar sobre a crença. "Me sinto atraída pelo espiritismo, a doutrina me faz feliz, me tranquiliza e me proporciona uma satisfação muito grande. Cheguei a frequentar durante muito tempo o Grupo Espírita Irmãos Samaritanos, na Zona Oeste do Rio de Janeiro", lembra ela. Cássia revela que sua personagem começará a trama já morta. Ela adianta os detalhes. "A Francisca aparecerá em dois momentos diferentes na novela: em flashback, para mostrar como era a vida dela em família, como mulher do doutor Ricardo, e depois como desencarnada, num plano superior. Numa das cenas da personagem como espírito, ela recepcionará no plano superior o próprio filho, Daniel, que morrerá no início da trama. Quero passar para o público que a Francisca é um espírito evoluído, não um fantasma engraçado como andaram dizendo por aí", rebate. A atriz traduz sua religiosidade em conforto para os desafios pessoais que enfrenta. Vítima de bulimia e transtorno bipolar, problemas que vieram a público em agosto de 2007, em entrevista que concedeu à revista "Quem", Cássia, hoje, fala sobre o assunto com leveza e conta como faz para administrar a situação: "A bulimia exige autocontrole, ambiente saudável, senão você pira. Se você está numa família que proporciona este ambiente, é animador demais e contribui para o tratamento. Para controlar o transtorno bipolar, tomo três tipos de medicamentos, quando lembro (risos). Tenho andado muito esquecida ultimamente. Não é fácil fazer uso de medicamentos com hora marcada, às vezes tenho vontade de chutar o pau da barraca". Leia a seguir a entrevista na íntegra.TE CONTEI: Como será sua personagem na trama "Escrito nas Estrelas" e qual será a função dela na trama?CÁSSIA KISS: Minha personagem se chamará Francisca e já entrarei na trama morta, como um espírito evoluído. A Francisca aparecerá em dois momentos diferentes na novela: em flashback, para mostrar como era a vida dela em família, como mulher do doutor Ricardo (Humberto Martins), e depois como desencarnada, num plano superior. Numa das cenas da personagem como espírito, ela recepcionará no plano superior o próprio filho, Daniel (Jayme Matarazzo), que morrerá no início da trama. O tipo de recepção não será como uma mãe que encontra o filho. Ela o receberá como uma mãe universal, não como a mãe que ela foi enquanto viveram na terra. Quero passar para o público que a Francisca é um espírito evoluído, não um fantasma engraçado como andaram dizendo por aí. O espiritismo é tratado na novela com muita seriedade. Achei uma ótima ideia a Elizabeth Jhin tratar deste assunto, porque estamos no ano do centenário do Chico Xavier.TC: A novela abordará a doutrina espírita. Qual é a sua relação com a religião?CK: Sou espírita dentro do universo religioso. Me sinto atraída pelo espiritismo, a doutrina me faz feliz, me tranquiliza e me proporciona uma satisfação muito grande. Cheguei a frequentar durante muito tempo o Grupo Espírita Irmãos Samaritanos, na Zona Oeste do Rio de Janeiro.TC: Há alguns anos você declarou que sofria de bulimia e transtorno bipolar. Hoje você se sente curada? A religião a ajudou de alguma forma?CK: A religião me deu conforto. O que resolve é a medicina, o universo científico. A bulimia exige autocontrole, ambiente saudável, senão você pira. Se você está numa família que proporciona este ambiente, é animador demais e contribui para o tratamento. Para controlar o transtorno bipolar, tomo três tipos de medicamentos, quando lembro (risos). Tenho andado muito esquecida ultimamente. Não é fácil fazer uso de medicamentos com hora marcada, às vezes tenho vontade de chutar o pau da barraca.TC: Aos 16 anos, você foi expulsa de casa pela sua mãe (Piedade Monteiro Kiss). Você era uma jovem muito rebelde? Conseguiu perdoar a sua mãe por isso?CK: Amo a minha mãe, é a única que eu tenho! Fui extremamente rebelde porque, desde cedo, recebi muita responsabilidade dos meus pais. Aos 7 anos de idade, eu ia para a escola sozinha, e andava muito mesmo. Quando eu tinha 16 anos, minha mãe me disse: "Filha, está na hora de você ir embora". Não me senti preparada, mas fui. A única coisa que levei foi a minha cama e mais nada. A minha mãe não criou os filhos para ela. Ela criou para o mundo, entendo perfeitamente o ponto de vista dela e concordo. TC: Tem medo de que seus filhos (Joaquim Maria, de 14 anos, Maria cândida, de 13, Pedro Gabriel, de 8, e Pedro Miguel, de 5) sejam rebeldes como você? Como os educa?CK: Eu, meu marido (João Baptista Magro Filho) e meus filhos somos muito unidos, muito felizes. Sou uma mulher muito política, muito aberta. Converso demais com eles. Já falei com eles sobre sexo até dentro de uma farmácia. Quando aparece a oportunidade, falo na hora, jamais deixo passar. Na hora do almoço, em volta da mesa, conversamos sobre tudo e só nos retiramos da mesa quando todos terminaram suas refeições. Minha mãe me ensinou a conquistar a liberdade e ensino isso para os meus filhos também. Não vou mandá-los embora, mas também não quero que fiquem debaixo da barra da minha saia. Quero que eles sejam independentes, donos do próprio nariz. Acho um absurdo quando ouço as pessoas falarem que deixam a namorada do filho dormir em casa. O que é isso? Na minha casa, não! Não participo disso de forma alguma. Me sinto muito responsável pelas pessoas que coloquei no mundo. Já pensou se amanhã um dos meus filhos cogita seguir a carreira política? Quero que sejam pessoas decentes, que se preocupem com o todo e não com interesses particulares como muitos fazem. TC: Quando está fora do estúdio, qual é o seu lazer preferido?CK: Durante o dia, nós adoramos ir à praia. Quando digo ir à praia não é ficar na água ou pegando sol. Nós aprontamos todas mesmo, ao ponto de as pessoas ficarem nos olhando e apontado. Fazemos a maior bagunça! Já saímos de lá ralados e tomamos vários caldos (risos). À noite, gostamos de conhecer restaurantes novos. Sou muito exigente com a alimentação em casa, por isso, do lado de fora, procuro manter o padrão. Vamos com muita frequência ao teatro. A última peça a que assistimos foi "Beatles Num Céu de Diamantes". O Joaquim já entende tudo sobre os Beatles e está lendo a biografia do John Lennon. Quando estamos dentro do carro, só ouvimos os Beatles e o Gabriel já sabe cantar quase todo o repertório! Outro espetáculo maravilhoso a que assistimos foi a comédia musical "Oui, Oui ... A França é Aqui", é um espetáculo muito bom.TC: Aos 52 anos, você exibe boa forma e, principalmente, costuma dizer que se preocupa com a alimentação. Como são seus hábitos alimentares?CK: Sou vegetariana e descobri que preciso comer um pouco de tudo. Quero me sentir melhor sempre, por isso começo a cuidar de mim a partir da alimentação. Três vezes por semana faço musculação e ioga. Quero envelhecer e morrer naturalmente, e não cheia de tubos num hospital. Quero ter morte natural, na casa da minha família. Gosto muito da vida e tenho muitas razões para viver vem, de forma saudável, uma destas razões é minha família linda, mas que não caiu do céu. Para manter a união e o respeito dentro de casa é preciso trabalhar o amor todos os dias.TC: Além da novela, quais são seus projetos para este ano? CK: Estou concebendo um projeto sobre a escritora Adélia Prado e estou no filme "Na corda bamba".

Por Renata Trindade, especial para o Te Contei