Lázaro Ramos conta que sofreu com o preconceito até virar um ator reconhecido

lazaro ramos conta que sofreu com o preconceito ate virar um ator reconhecido

O ator Lázaro Ramos é convidado do programa Marília Gabriela Entrevista, que vai ao ar no próximo domingo, 4, pelo canal GNT. Com 20 filmes no currículo, 20 peças teatrais, cinco séries e duas novelas, Lázaro revela que já sofreu um tanto com o preconceito até virar um ator reconhecido. "Sofri diversas vezes. Algumas delas de uma maneira mais explícita e outras de uma maneira que entendi depois. Por exemplo, eu tive a minha primeira namorada aos 17 anos, eu sempre fui o melhor amigo. Eu estudava em colégios particulares que tinham, em sua maioria, pessoas brancas, e eu tinha muita dificuldade em me relacionar", conta. Marília Gabriela pergunta se ele consegue enxergar que, atualmente, é considerado um ícone na TV brasileira por ser um ator negro, premiado, respeitado e que, a cada dia, sua responsabilidade cresce profissionalmente. "Percebo, assumo, adoro e faço uso! É um pouco o que eu queria, porque a minha formação artística vem muito em paralelo com o pensamento político. Hoje em dia, os meus projetos pessoais têm ligações com questões sociais e políticas do país. É uma forma de utilizar esse prestígio, esse espaço conquistado, para dar visibilidade a essas temáticas que eu acho tão importantes", explica o ator. Quando o assunto é política, Lázaro comenta que tem a esperança de que Barack Obama realmente modifique o cenário internacional e diz que, "antes de qualquer coisa, a eleição de um negro para comandar uma nação como os Estados Unidos já é uma mudança, um avanço". Sobre o fato de que cada vez mais os baianos se destacam no cenário cultual do país, Lázaro é suspeito e confessa que percebe esse movimento: "Alguém tem que fazer um estudo sério sobre isso porque há provas inequívocas de que tem um espírito artístico no jeito baiano de ser". A apresentadora comenta que, uma vez, o convidado teria dito que a profissão de ator não combina com a vida de celebridade. Lázaro então explica essa declaração: "Eu acho que o mais importante sempre tem que ser a história que você está contando e o personagem que está fazendo. Não gosto de ficar falando da vida particular porque isso não faz parte, inclusive é uma deturpação do tempo em que a gente vive. A minha função como ator é contar uma história. Inclusive, acho que essa história pode ser melhor contada quanto mais iludido o espectador estiver de que eu sou o personagem". Apesar de tudo, ele diz gostar do assédio das pessoas que realmente admiram seu trabalho e nunca se aproximam para invadir sua vida, e sim para elogiar o trabalho. A única coisa que o incomoda é quando o fã quer estender o papo. "Quando isso acontece, eu faço logo uma palhaçada gigantesca para a pessoa receber uma dose de intimidade imensa, ficar satisfeita e sair rapidinho", conta às gargalhadas. Sobre seus próximos projetos, ele revela que no Carnaval começará a filmar o novo longa-metragem de Tadeu Jungle. Lázaro fará o papel de um anestesista, pai de família, que está tentando voltar para casa. Ele conta que adorou o convite porque é um personagem diferente de todos que já fez e confessa que seu grande desejo como ator é poder fazer qualquer tipo de papel. O ator revela ainda, que teve medo de se arriscar na televisão e que nesse momento está se dando a chance de conhecer os diversos tipos de interpretação. "Eu sempre me vi mais encaixado no cinema e no teatro do que na televisão. Não sabia se a TV me incorporaria. Assinei um contrato com a Rede Globo durante um período específico para poder entender esse bicho que é a televisão, que eu morro de medo. Foi uma escolha de vida. Depois de ter feito cinema, onde me senti bem-vindo e cuidado, e teatro que eu faço desde os dez anos, não sabia se a televisão era um espaço para um ator como eu, com os meus anseios", conta. Lázaro também revela que vai passar um mês nos Estados Unidos para estudar inglês, dança e cinema, e conta que nunca pensou em fazer uma carreira internacional, apesar de já ter conversado com agentes na época do filme "O Homem que Copiava". Ele recebeu convites para atuar fora do Brasil, mas preferiu investir em trabalhos nacionais. A entrevista na íntegra vai ao ar no próximo domingo, 4, às 22h, no programa Marília Gabriela Entrevista, exibido pelo canal GNT.

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