Beleza de pele

Dia vai, dia vem e, quando nos damos conta, o sol já deixou sua marca registrada na pele: as manchas, que podem atacar as pernas, os braços, o dorso das mãos e, pior, o rosto e o colo. Todas são provocadas ou agravadas pelo inimigo número um da pele, o sol, mas elas podem ser eliminadas e, melhor, evitadas! Quanto mais cedo você começar a cuidar deste que é o maior órgão do corpo humano, mais chances de sucesso para garantir a maciez e jovialidade da sua pele. Nada de inveja do rostinho-porcelana das modelos! Uma pele lisa e aveludada é, sim, possível - e sem retoques com a maquiagem ou com o computador. Veja alguns produtos no slideshow.

O melasma é o que mais compromete a estética. Minhas pacientes chegam arrasadas ao consultório

Primeiro mandamento

Onde quer que você esteja durante o dia, faça chuva ou faça sol, não abra mão do filtro solar! Ele deve ser aplicado diariamente, de duas em duas horas, para bloquear os raios ultravioletas, protegendo a pele. "Afinal, quando exposta cronicamente ao sol, ela se torna áspera, espessa, amarelada, seca e com pigmentações acastanhadas e esbranquiçadas", afirma a dermatologista Daniela Hueb, de São Paulo.

"O sol é perigoso porque tem efeito cumulativo. Conforme o acúmulo de radiação UVB na pele, chega um momento em que ela protesta: aí pronto, aparecem as manchas", explica a dermatologista e colunista do Bolsa de Mulher, Ligia Kogos. E se engana quem acha que fugir da praia garante a salvação. "É preciso se proteger do sol também no dia-a-dia: no trânsito, na rua, etc", ensina. O ideal, segundo as especialistas, é usar o fator de proteção (FPS) de 30 para cima. "Use e abuse, também, dos cosméticos com filtro. Hoje em dia existem muitos pós e bases que já trazem na fórmula o fator de proteção solar", aconselha a dermatologista Renata Domingues, do Rio de Janeiro.

Mas se você já é malhadinha, não fique desanimada: a dermatologia dá um jeito! Protetor solar à mão - para evitar o aparecimento de novas manchas - fique de olho nos tratamentos que são o passaporte para a pele dos seus sonhos. E não marque bobeira: procure ajuda médica assim que notar qualquer mancha. "No início, elas se localizam na superfície da pele, sendo mais fácil de serem removidas", avisa Daniela Hueb. Vamos lá? Aproveite, também, o inverno: não existe melhor hora para iniciar os tratamentos de beleza, já que a incidência dos raios solares é menor.

Melanose solar

Muito parecidas com as sardas, as melanoses solares são aquelas manchas com bordas bem definidas, que geralmente aparecem em pessoas mais velhas (por isso, também são conhecidas como manchas senis) e costumam surgir com muita freqüência no rosto, nos braços e no dorso das mãos. São manchas acastanhadas, cujo diâmetro mede entre 0,5 cm e 1 cm e são mais comuns em mulheres de pele clara.

Para tratar, neve carbônica, microcauterização, ácido TCA ou laser são boas opções de acordo com as especialistas.

A gente explica:

Neve carbônica: é um procedimento que se utiliza de um aparelho, uma espécie de caneta, com a ponta congelada a -40ºC. "O frio queima as proteínas superficiais da pele, levando as manchas embora. Podem surgir crostas no local cauterizado, mas elas saem geralmente após oito dias", explica a dermatologista Ligia Kogos.

Microcauterização: muito parecido com a neve carbônica, entretanto, ao invés de utilizar o frio para queimar, a microcauterização utiliza o calor. Também podem aparecer casquinhas, mas logo saem e o resultado você já sabe, por baixo da crosta, pele nova e lisinha.

TCA: pode ser que o seu dermatologista prefira usar um ácido para queimar mancha por mancha e é aí que entra o TCA (ácido tricloroacético). O resultado é o mesmo, pode haver a formação de crostas, mas, desde que você não cutuque, o sucesso é garantido.

Peelings: os mais indicados são os médios e profundos, com ácidos como o TCA. O único inconveniente é que eles provocam descamação profunda, no estilo cobra quando troca de pele. Ela pode durar de 15 dias a um mês, tanto no rosto quanto nas mãos, mas o bom resultado é garantido. E, cá entre nós, estamos acostumadas a "sofrer" para ficarmos bonitas, não é mesmo? O que são umas escaminhas por alguns dias? Na dúvida, faça como a dermatologista Ligia Kogos aconselha - teste o peeling apenas em um pedacinho da pele para ver como ela responde.

Neve ou microcauterização ou TCA + ácido retinóico: tanto a neve como a microcauterização e o TCA resolvem o problema das manchas em apenas uma sessão, que pode variar entre R$150,00 e R$ 500,00. Elas não causam dor porque o dermatologista aplica uma anestesia local. Após cada um desses procedimentos, Ligia Kogos conta que pode ser feito ainda um peeling químico superficial, com ácido retinóico, por exemplo, para homogeneizar e rejuvenescer toda a pele.

Laser: o de CO2, por exemplo, é bom no combate à melanose, mas só para quem está a fim de ficar de molho durante três meses para completa recuperação, porque o peeling físico é profundo. "Na verdade, o que está em voga é um tipo de laser que chamamos de luz intensa pulsada. Os aparelhos mais modernos são o Quantum, o Harmony e o Star Lux", explica a dermatologista Renata Domingues. "O laser age numa região pré-escolhida mais abrangente, e não mancha por mancha", explica Renata. Portanto, é válido para quem tem manchinhas muito concentradas e para quem quer clarear uma região maior. A única contra-indicação é para mulheres grávidas e pessoas que têm alguma doença que sensibilize a pele. Quem está bronzeada também não pode se submeter ao tratamento.

Já a desvantagem é que é um procedimento caro e mais longo: são necessárias de quatro a seis sessões, em média. Mas o sucesso, segundo dermatologistas, compensa. Se você e o seu médico optarem por esse tratamento, prepare o bolso - dependendo do aparelho de laser utilizado, uma sessão pode custar entre R$800 e R$2.000,00.

Melasma e manchas da gravidez

Os melasmas são manchas espalhadas, escuras e mais comuns em peles morenas. Podem aparecer nas maçãs do rosto, no nariz, na testa, muitas vezes com o aspecto de uma borboleta. Surgem com mais freqüência nas mulheres devido aos hormônios, mais especificamente o estrogênio. "Um outro nome para melasma, e que agora caiu em desuso, é cloasma gravídico, o que chamamos de mancha da mulher grávida, que passa por muitas alterações hormonais", explica a dermatologista Renata Domingues. Ela conta que quem toma anticoncepcional ou faz algum tipo de tratamento com hormônios também pode se tornar vítima da mancha, se já tiver predisposição para isso.

"O melasma é o que mais compromete a estética. Minhas pacientes chegam arrasadas ao consultório", conta Renata Domingues. Ela adverte: "É a mancha mais difícil de tratar. Portanto, nesse caso, o protetor solar é ainda mais importante". Ao filtro, no entanto, podem ser aliados alguns cuidados básicos no dia-a-dia como cuidado com mormaços e com todo tipo de calor. "Não só a luz, mas também o calor agrava o melasma", explica a dermatologista. Muita atenção ao "bafo" que sai das panelas e evite ficar muito tempo exposta a telas de computador e à luz fluorescente. "Também é comprovado que o infravermelho é um fator agravante", completa Renata.