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Truque da aspirina para pele e cabelos pode ser muito perigoso: entenda

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O ácido salicílico é um componente muito usado e prescrito por dermatologistas por causa da sua função esfoliante, que ajuda no tratamento de acne, cravos, calo, verrugas, manchas e é usado apenas no peeling, porque acelera a renovação celular.

“A melhor maneira de tratar manchas, por exemplo, é promovendo a descamação da pele. Por isso, o ácido salicílico é muito usado pelos dermatologistas”, afirma o farmacêutico e cosmetólogo Maurizio Pupo.

Diferença entre ácido salicílico e ácido acetilsalicílico

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Antes de ser descoberto pela dermatologia, ácido salicílico foi usado por anos pela indústria farmacêutica e era prescrito para tratar febre, dor de cabeça e dores reumáticas por causa de suas propriedades antiinflamatórias, analgésicas e antitérmicas. Contudo, o ácido era muito agressivo para a mucosa do estômago e por isso eram muitos os efeitos colaterais gástricos.

Após muitos estudos, foi descoberto que combiná-lo com o acetil faria com que a molécula fosse menos agressiva ao estômago, ou seja, os efeitos colaterais seriam menores, mas o remédio teria o mesmo efeito.

“O acetilsalicílico é bem menos agressivo ao estômago por causa do acetil, mas quando o medicamento vai para o sangue, a molécula se quebra e o que age no organismo é o salicílico”, explica Pupo.

Ou seja, o salicílico e o acetilsalicílico são praticamente a mesma coisa. De acordo com Pupo, a diferença é que o acetilsalicílico tem um “disfarce” em sua molécula para que não seja tão agressivo.

Por isso, muitas pessoas tem usado a aspirina, cujo principal componente é o ácido acetilsalicílico, na pele e no cabelo para tratar acne, oleosidade, caspa e cabelos esverdeados. Porém, Pupo não recomenda usar o remédio desta forma e alerta que pode ser muito perigoso.

Aspirina no rosto faz mal?

Ao aplicar a aspirina na pele, as propriedades em ação são as mesmas do ácido salicílico, só que mais atenuadas, porque a molécula vai sendo quebrada e o ácido salicílico vai sendo quebrado aos poucos. Portanto, o remédio pode melhorar acne, caspa, mas Pupo afirma que não vale arriscar.

Perigos da aspirina

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Africa Studio/Shutterstock

“Pode ser que a concentração seja tão baixa que não tenha efeito nenhum, pode ser que a pessoa dê sorte e dê certo e pode ser que dê muito errado e cause queimaduras graves, feridas, cicatrizes e manchas irreversíveis na pele. Medicamentos não devem nunca ser usados sem prescrição médica”, comenta.

O farmacêutico diz que cada pessoa precisa de uma quantidade de ácido salicílico específica e há a forma mais indicada de uso para cada pessoa e por isso que o correto é procurar um dermatologista pra tratar problemas de pele.

“Médico conhece exatamente a dose, o produto é manipulado por um farmacêutico, está estabilizado, com pH equilibrado, pronto para ser usado na pele, a aspirina não foi feita para isso e ao usar sem recomendação a pessoa não sabe quanto de ácido está indo para a pele e os efeitos colaterais que aquilo pode causar”, enfatiza Pupo sobre os perigos de usar o medicamento como truque caseiro.

Além disso, outro alerta que o farmacêutico faz é que 1% da população tem salicismo, que é a alergia aos ácidos salicílico e acetilsalicílico. Dependendo da gravidade da alergia e da quantidade aplicada na pele, a pessoa pode até ter um choque anafilático e morrer.

Se você não quiser se consultar com um dermatologista, a dica de Pupo é comprar cosméticos com ácido salicílico. “Os cosméticos à venda já tiveram suas fórmulas testadas, não têm efeitos colaterais, então são uma forma segura de usar o componente”, finaliza. 

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