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Mulher é a protagonista do parto humanizado

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Parto domiciliar

Melina Cabral

Do Bolsa de Bebê

Parto humanizado domiciliar. Muitas mulheres ainda desconhecem esse termo, já que no Brasil 98% dos partos são realizados em hospitais. Muitas escolhem ter seus filhos através da cesárea ou do parto normal, mas os dois métodos requerem a intervenção de médicos.

No parto humanizado, tudo é diferente. E a protagonista da história se torna a mulher. O trabalho de parto é longo, a gestante espera a hora certa do bebê nascer e conta com a ajuda de uma parteira e uma doula (pessoa que presta assistência emocional a gestante). "Eu tive um filho nascido de cesárea e outros dois em casa. O processo é completamente diferente, já que na cesariana eu era passiva, e nos partos domiciliares eu era a dona do processo", comenta a pediatra neonatologista Ana Paula Machado.

No parto domiciliar o primeiro contato que a mãe tem com o bebê é mágico. Por ela controlar toda a ação do nascimento, a relação se torna mais

próxima. "O vínculo com o filho que nasceu de cesárea precisou ser construído, com os outros dois que nasceram em casa, isso já foi mais natural", diz Ana Paula Machado.

Mesmo tendo conhecimento do parto humanizado domiciliar, muitas mulheres preferem deixar o nascimento dos filhos nas mãos de especialistas da medicina. "Muitas delas não querem mais sentir dor no momento do parto. Elas querem programar a data do nascimento do filho, querem se organizar para tudo acontecer de forma planejada" comenta o ginecologista Fábio Leal Laignier. "Por isso e por outros fatores, como a segurança da cesárea, que hoje o número desse procedimento cresceu no Brasil" afirma Laignier.

No Brasil, o parto domiciliar não é recomendado pela Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Frebasgo) e pelo Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp) em função do risco desnecessário que a mãe e o filho podem correr. "O parto domiciliar é contra indicado no caso de qualquer doença da mãe ou do feto: gemelaridade, apresentações anômalas e prematuridade", complementa a pediatra Ana Paula Machado.

Hoje a maioria dos especialistas argumenta que os hospitais possuem todo o equipamento necessário para socorrer a mãe e o bebê em caso de alguma complicação imediata, coisa que em um domicílio não teria. "Caso dê algum problema na hora do parto domiciliar humanizado, é preciso que algum médico intervenha, indicando uma cesárea", diz Fábio Leal Laignier. Por isso, ao escolher o tipo de parto que realizará, é muito importante uma boa conversa com o seu médico, para ambos decidirem o melhor para a saúde da mãe e do bebê.