Lúpus e infertilidade

Engravidar pode parecer, mas não é tarefa fácil. São muitos os fatores que podem interferir no processo impedindo a natureza de cumprir sua missão. Entre esses fatores, estão as doenças autoimunes. Elas atacam as células do próprio organismo e, muitas vezes, estão associadas à infertilidade. De acordo com a Lupus Foundation of América, 90% dos portadores do lúpus eritematoso sistêmico (LES) são mulheres, as quais podem ter impossibilitado o sonho de ser mãe.

"O lúpus é uma doença do tecido conjuntivo que pode afetar qualquer parte do corpo, em especial a pele, as articulações, o sangue e os rins. Assim como ocorre em outras doenças autoimunes, o sistema de defesa ataca as próprias células e tecidos, pois as interpreta como corpos estranhos. O ataque resulta em inflamações e danos teciduais", explica Márcio Colovsky, diretor médico do Centro de Medicina Reprodutiva Huntington, no Rio de Janeiro.

Mulheres, principal alvo da doença

As causas da doença são desconhecidas, mas já se sabe que a hereditariedade é um fator de risco. "Essa resposta imunitária anormal se deve a múltiplos fatores: ambientais, como a exposição solar; algumas infecções virais; determinados medicamentos e fatores de risco hereditários - indivíduos cujos familiares já foram diagnosticados têm mais chance de apresentar o LES ou outra doença autoimune", confirma Márcio.

Apesar de acometer também os homens, o lúpus é mais freqüente entre as representantes do sexo feminino. "A relação é de 10 a 12 mulheres para cada homem", aponta Márcia Veloso Kuahara, reumatologista e professora da Universidade Nove de Julho (Uninove), em São Paulo. "A prevalência maior no sexo feminino ocorre devido ao aumento do estrogênio em indivíduos predispostos", justifica a professora. Estudos apontam que o lúpus ocorre, majoritariamente, entre os 15 e 50 anos, sendo mais comum nas pessoas que não têm descendência européia.

O sonho acabou?

São diversos os motivos que fazem o LES estar associado à infertilidade. "A doença dificulta a concepção, pode causar menopausa precoce (pelo próprio LES ou pelo tratamento quimioterápico) e encurtar a vida reprodutiva da mulher", justifica Vinícius Medina Lopes, especialista em reprodução humana do Instituto Verhum, em Brasília.

A boa notícia é que, na maioria dos casos, a portadora de lúpus é capaz de levar uma gravidez tranqüila e ter um bebê saudável. "Quando a doença está controlada é possível engravidar sem nenhum tratamento específico e as chances de ocorrer essa gestação são as mesmas de uma mulher sadia", garante o especialista em reprodução humana.