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Tristeza e depressão podem aparecer no pós-parto

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Mariana Bueno

Do Bolsa de Bebê

A chegada de um bebê é sempre motivo de comemoração e alegria. Mas não para todas as mães. Algumas delas, após o parto, passam por um distúrbio transitório de humor, conhecido internacionalmente como 'baby blues'. É a chamada tristeza materna, que atinge de 70% a 80% das mulheres e dura até 30 dias.

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A psicanalista Anna Mehoudar, que há 25 anos atua no atendimento interdisciplinar de gestantes e famílias, explica que esse é o momento que a mãe mais precisa de apoio, incluindo ajuda profissional, já que nem sempre a família está preparada. Ela diz que quando o processo do parto termina e o bebê nasce, começa o pós-parto ou quarto trimestre da gestação. A ligação entre a mãe e o bebê permanece intensa. Mas enquanto ele adapta-se e começa a existir, a mãe vive uma avalanche de alterações orgânicas e emocionais. "A tristeza materna, caracterizada por um estado de humor depressivo a partir da primeira semana, é a alteração mais comum nessa fase. Às vezes, a mãe sente-se incapaz de lidar com o filho, embora cuide dele com responsabilidade. Tem crises de choro sem motivo aparente ou chora junto com o bebê. Tristeza, cansaço e irritação convivem com alegria e euforia", esclarece.

De acordo com a psicanalista, que também é autora do livro Da gravidez aos cuidados com o bebê (Summus Editorial), é natural que no início a mãe desenvolva alguns pensamentos de preocupação, questionando-se se será que o leite vai ser suficiente, se vai dar conta, se saberá o que fazer quando o bebê chorar, entre outros. "Mas a mulher precisa de espaço para elaborar o luto no pós-parto. Ela perde a barriga; a condição de ser apenas filha, pois agora é mãe; a atenção de todos, porque o bebê rouba a cena. O seu tempo não mais lhe pertence, pois será dedicado ao recém-nascido; o casal dificilmente consegue ficar sozinho. Sentimentos de insegurança, solidão, ciúmes, raiva e impotência podem aparecer de diferentes formas", afirma.

Mas ela ressalta que é preciso atenção aos sinais que demonstram uma alteração psicológica mais intensa. "É fundamental conhecer um pouco mais sobre elas, identificá-las e tratá-las se for necessário", afirma Anna, pois pode inclusive ser o caso da depressão pós-parto, que atinge entre 10% a 15% das mulheres, e é bem diferente da tristeza. A depressão é um quadro clínico mais grave, que requer acompanhamento psicológico e psiquiátrico, pois muitas vezes é necessária uma intervenção com medicamentos. É importante que outro adulto cuide do bebê (ou ajude a cuidar dele) até que a mãe se recupere. "As mulheres costumam se sentir culpadas e tentam esconder um sofrimento intenso, muitas vezes mal compreendido pela família e pelos médicos. Em geral elas experimentam tristeza profunda e choro incontrolável. Apresentam irritabilidade e mudanças bruscas de humor, além de indisposição, falta de concentração, distúrbios do sono e/ou apetite, e mostram preocupação excessiva com o bebê ou perda de interesse por ele", explica.

Outro distúrbio ainda mais grave que pode afetar as mães após o parto é a psicose puerperal, que tende a se manifestar em menos de 1% das mulheres, de forma inesperada, nas duas primeiras semanas após o parto. O problema é caracterizado por comportamentos bizarros e desorganizados, delírios, alucinações e agitação psicomotora. "A principal temática dos delírios está ligada ao bebê e a mulher pode ficar agressiva. Também há risco de suicídio. Nesses casos, a família precisa intervir de imediato, pois a mulher irá precisar de acompanhamento, medicação psiquiátrica e, em casos graves, internação hospitalar".