Sexagem fetal

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É raro encontrar casais que não querem saber o sexo do bebê e preferem a surpresa do momento do parto. Comum mesmo são futuros pais aflitos, querendo matar a curiosidade para mergulhar em um dos mundos: azul ou rosa. A ultrassonografia, exame que responde à pergunta que todos na família e amigos fazem - é menino ou menina? - já não é o único método para desvendar o mistério. Há alguns anos surgiu a técnica da sexagem fetal, que dribla a esperteza do bebê que não quer se mostrar e diz para mamãe - e para quem mais quiser saber - quem é que vem por aí.

A sexagem fetal é um exame seguro, não invasivo e sem qualquer risco para a mãe e para o bebê. O biólogo molecular José Eduardo Levi, do Banco de Sangue do Hospital Sírio Libanês, explica que o teste é feito através do isolamento de DNA do plasma (parte amarela do sangue) de grávidas. "Colhe-se um tubo com 5 ml de sangue. Neste DNA, busca-se a presença de pequenos pedaços do cromossomo Y", diz. O resultado fica assim: a detecção do material indica que o feto é masculino e a sua ausência, que é feminino.

Para entender melhor, vamos ao que diz a ciência. Geneticamente, tanto as mulheres como os homens apresentam 46 cromossomos, porém o que nos diferencia como sendo do sexo masculino e feminino são os cromossomos sexuais. As mulheres apresentam dois cromossomos X e os homens um cromossomo X e um Y. Logo, o que determina o sexo é a presença do cromossomo Y (homem) ou não (mulher). O cientista chinês Y. Dennis Lo descobriu que no plasma da gestante existe DNA do feto e José Eduardo realizou uma pesquisa para desenvolver um teste que identificasse fragmentos do cromossomo Y no sangue materno. Assim surgiu o exame.

Para submeter-se a ele não é necessária solicitação médica e nem jejum. O teste pode ser feito nos maiores hospitais e laboratórios do Brasil. É bom ressaltar que o sangue é retirado da veia do braço e não da barriga, como muitos pensam. A mulher deve, preferencialmente, estar além da oitava semana de gestação, quando a quantidade de DNA fetal circulante no sangue materno é suficiente para conferir 99,9% de acerto. Antes disso, há chances do resultado - que sai em uma semana - ser inconclusivo. Aí, o melhor é fazer nova coleta após duas ou três semanas. "Temos resultados positivos já com cinco semanas de gravidez, mas o índice de acerto é bem maior a partir da oitava semana e, por isso, recomendamos fazer a partir desta idade gestacional", orienta José Eduardo Levi.

A má notícia é que os convênios médicos não cobrem o exame, pois ele não é considerado um exame de rotina ou estritamente necessário na gravidez - pausa para as mais ansiosas: como não? O preço é salgado: fica entre R$ 300 e R$ 500, mas parece que a satisfação da curiosidade vale cada centavo. Mariana Cunha, arquiteta de 35 anos fez o exame nas três gestações. "Caso a pessoa tenha condições financeiras, eu recomendo. Todos os meus testes foram feitos com nove semanas e deram o resultado bem certinho. Assim você já compra tudo o que quer sem ter que ficar na dúvida ou protelando para se deliciar com o enxoval", aconselha.

É importante frisar que o teste não detecta gravidez. Assim, se uma mulher que não estiver grávida fizer o exame, este apontará sexo feminino, pois apenas identificará a ausência de DNA masculino. Outro ponto merece esclarecimento: o fato de não ser a primeira gestação não interfere no resultado. O DNA fetal é rapidamente eliminado da circulação materna horas após o parto.

Gêmeos

Você deve estar se perguntando: e se forem gêmeos? Xi. Aí tem um porém, conforme explica o Dr. Arnaldo Schizzi Cambiaghi, médico especialista em reprodução humana da clínica do Instituto Paulista de Ginecologia, Obstetrícia e Medicina da Reprodução: "Na gestação gemelar o resultado é satisfatório se as duas crianças forem do sexo feminino. No caso do sexo masculino é possível a identificação de um deles apenas". Isso ocorre porque a presença do cromossomo Y indica que um dos bebês é do sexo masculino, não podendo determinar o sexo do outro bebê. Já a ausência de DNA masculino indica gravidez de duas meninas.

Especialistas dizem que o exame identifica com quase 100% de confiabilidade o sexo. Quase. Mas se você for pensar direitinho, nem o ultrassom é completamente certo. Você já deve ter ouvido alguns casos em que a ultra apontou uma menina e, no fim das contas...

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