Parto humanizado no SUS

parto humanizado sus capa
parto-humanizado-sus-capa

A dificuldade em ter um parto humanizado no Brasil faz com que muitas mulheres que têm esse desejo recorram ao atendimento particular. Outras tantas precisam torcer para serem atendidas por equipes que adotam práticas humanizadas em hospitais do SUS (Sistema Único de Saúde).

Veja também:Violência obstétrica: saiba o que é e como denunciarViolência na hora do parto: fotos chocam ao mostrar marcas no corpo da mãeEpisiotomia: ela é necessária? Profissionais explicam

Uma novidade, no entanto, deve ajudar a mudar esse cenário. O Ministério da Saúde publicou no último dia 8 a atualização das "diretrizes para a organização da atenção integral e humanizada ao recém-nascido no Sistema Único de Saúde". As medidas oficializam no Brasil o que há muito tempo é recomendado pela OMS (Organização Mundial de Saúde).

Atendimento humanizado

[[{"fid":"","view_mode":"default","fields":{"format":"default","field_file_image_description[und][0][value]":""},"type":"media","link_text":null,"attributes":{}}]]A longo prazo, novas diretrizes devem tornar atendimento do SUS humanizado (Crédito: Thinkstock)

Entre as novas diretrizes do atendimento humanizado estão:

Manter bebê pele a pele com a mãe

Colocar o recém-nascido imediatamente no colo da mãe, pele a pele, caso ela queira e a frequência respiratória do bebê esteja dentro dos padrões, e cobri-lo com uma manta seca e quente são medidas que deixam a criança mais calma, melhoram o vínculo entre mãe e bebê a ainda estimulam a amamentação.

A primeira hora de vida de um bebê é o momento em que ele vai conhecer o cheiro da mãe, ouvir sua voz e reconhecer todo o território que agora será símbolo de proteção.

Estimular a amamentação na primeira hora de vida

O aleitamento na primeira hora de vida, exceto em casos de HIV ou HTLC positivos, é essencial para o sucesso da amamentação. "No momento que o bebe nasce, a mãe não está com a mama cheia de leite. Por isso, quando ele suga o peito da mãe, gera uma estimulação que facilita a descida do leite. E quando ele acordar faminto após a primeira dormida vai encontrar o peito com mais leite e isso facilita o sucesso de todo o aleitamento materno", explica Paulo Bonilha, coordenador da Saúde da Criança do Ministério da Saúde.

A amamentação precoce ainda apresenta benefícios para a mãe, já que a sucção estimula a produção da ocitocina, um tipo de hormônio essencial para a recuperação pós-parto. "Essa ocitocina natural protege a mãe. Primeiro vai ajudar a eliminar a placenta, e segundo vai proteger a mãe de uma das principais causas de morte materna que é a hemorragia uterina depois do parto", afirma o coordenador.

Pesagem, tiragem de medidas e vacinação tardia

Os primeiros procedimentos feitos no recém-nascido, como a medida antropométrica, a pesagem e a vacinação devem ser feitos após a primeira hora de vida. Deixar bebê e mães tranquilos e se reconhecendo neste momento é uma das medidas de humanização do SUS.

Clampeamento tardio do cordão

Exceto em mães HIV e HTLV positivas, o cordão umbilical só deve ser cortado depois que parar de pulsar. "Os estudos comprovam que, quando o corte do cordão é feito de imediato, o bebê deixa de receber até 80 ml de sangue que sairia da placenta. Esses 80 ml vão fazer falta quando ele tiver cerca de seis meses. Pois os estoques de ferro vão caindo e grande parte das crianças desenvolve anemia a partir do segundo semestre", explica Bonilha.

Mãe e bebê no mesmo quarto

Alojar mãe e bebê no mesmo quarto facilita a amamentação, aumenta os vínculos e é uma das novas diretrizes para o atendimento humanizado na saúde pública.

*Matéria publicada em 15/05/2014