Autoestima na gravidez

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Este deveria ser o momento mais alegre e importante da sua vida. Afinal, um pequeno ser está chegando ao mundo para enchê-la de sorrisos e amor. No entanto, seus dias parecem divididos entre momentos de intensa felicidade e outros de pura tristeza. As oscilações de humor são muito comuns durante a gravidez. Causas hormonais, mudanças físicas e incertezas sobre o futuro abalam qualquer astral. Mas o apoio de familiares e algumas dicas dos especialistas ajudam a elevar a autoestima!

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"Durante a gravidez a mulher sofre um conjunto de transformações físicas e hormonais que podem ter relação com sua baixa autoestima. Ela ganha muito peso e com isso passa a não se achar mais tão atraente ao sexo oposto. Além disso, o homem também não está acostumado com a nova situação e pode se assustar com as transformações ou começar a encarar a companheira mais como mãe de seu filho do que como mulher, agravando a situação", explica Renato Kalil, ginecologista do Hospital e Maternidade São Luiz, em São Paulo.

Sem saída

Durante a gravidez, muitas alterações hormonais e físicas ocorrem no organismo feminino. "O 'boom' hormonal da gestação, o aumento da tireóide e a concentração da circulação na região do ventre causam inchaço, apetite alterado, sono ou insônia, ansiedade e medo", enumera a psicóloga Sylvia Sabbato. Não há dúvidas de que tudo isso interfira no emocional da mulher, mas os quilinhos extras na balança é o que mais incomoda. Os hormônios facilitam o ganho de peso e o aparecimento de sintomas indesejados. "O estrógeno e a progesterona aumentam a vasodilatação e a retenção líquida, facilitando o acúmulo de gordura no quadril, na perna, na coxa e nos braços e o surgimento de celulites e estrias", revela Renato.

A má notícia é que nadar contra a corrente pode ser em vão. "Nessa época, o metabolismo da mulher cai em média 30%, por isso, por mais que ela coma pouco, o mesmo alimento que ela comia antes vai engordar 30% a mais. Além disso, nesses nove meses, ela fará menos atividade física e não poderá fazer fazer jejuns ou dietas rigorosas quando extrapolar nos doces durante o fim de semana", constata o ginecologista.

Libido em baixa

Antes mesmo das alterações físicas, os enjôos podem comprometer seu humor e, de quebra, afetar até o astral do parceiro. "No primeiro trimestre de gestação, quando os hormônios HCG e progesterona estão elevados, além das náuseas, tonturas e enjôos, é comum que a mulher se sinta incomodada até mesmo com o cheiro do companheiro", afirma Renato. Tal fato pode ser a causa para muitos homens se queixarem que suascompanheiras se recusam a manter relações sexuais durante a gravidez.

Ao contrário do que muita gente pensa, a gestação não diminui a libido! "Não há essa relação. Pesquisas demonstram que metade das mulheres têm a libido aumentada e a outra metade, de fato, sente menos desejo", revela o especialista. A autoestima e os mitos da gravidez é que são os grandes vilões. "A mulher não se sente bonita e, por isso, não se mostra ao parceiro. Ele, por sua vez, pensa que o sexo pode machucar o bebê, ou passa a encarar a mulher como mãe e não como mulher e também não a procura. Os dois criam, então, uma muralha entre si e só vão descobrir as conseqüências desses traumas no pós-parto", afirma Renato.

Assumindo um novo papel

Além das transformações físicas que mexem com o psicológico de qualquer mulher, o jeito como ela encara a maternidade também podem influenciar sua autoestima. A atribuição de um novo papel social - o de mãe - gera muitas inseguranças. "Qualquer situação na vida que exija a construção de um novo papel representa uma crise, sobretudo, porque essa mulher ainda não sabe equilibrar os outros papéis", explica a psicóloga Sylvia Sabbato.

Se a mulher não consegue assumir a maternidade por problemas familiares, no casamento, ou por imaturidade, a baixa autoestima aparece juntamente com as dificuldades em aceitar as mudanças no corpo e na vida. "Já a mulher que tem consciência de que a situação é transitória levará as mudanças de forma mais tranqüila", afirma Sylvia.

Os especialistas garantem que não há motivos para tantos medos. "No começo é normal haver uma preocupação e centralização do interesse da mãe no seu bebê, mas com o tempo ela verá que é possível dar conta da tarefa que se tornará até mesmo prazerosa", afirma Leila Cury Tardivo, psicóloga e doutora do Departamento de Psicologia Clínica da USP.