Dizer à criança que há brinquedo "de menino" ou "de menina" é um erro, diz pedagoga

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Os brinquedos, jogos e brincadeiras são de fundamental importância na vida da criança e devem estar presentes na rotina, para estimular capacidades como concentração, memória, e promover desenvolvimento físico, intelectual, emocional. "Estimular os filhos a brincar com uma variedade de opções, independentemente do sexo, favorece o desenvolvimento de habilidades importantes para a vida adulta", afirma a psicopedagoga Michelle Pereira de Moraes Leite, do Evolve Berçário e Colégio Infantil, em São Paulo.

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No entanto, muitos pais e até educadores insistem em separar os brinquedos de menina e brinquedos de menino. "Entendo que os pais não gostam de ver a filha brincar com carrinho ou o filho com boneca, mas, para a criança, no momento da interação com o brinquedo, é apenas um brinquedo. Para ela, não há essa diferença ao brincar com algo que socialmente pertence a outro gênero. Essa diferença só existe na cabeça dos adultos", diz.

Como as crianças escolhem os brinquedos?

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Ela explica que realmente existem diferenças no desenvolvimento de certas áreas do cérebro, o que faz com que meninos sejam mais ligados a questões visuais (e utilizem brinquedos como ferramenta para empilhar, montar) e meninas a linguagem e afetividade (sendo mais atraídas por bonecas, por conta do rosto). E diz que a "troca de papéis" nas brincadeiras não influencia na orientação sexual das crianças e ainda ajuda a aprender a lidar com as próprias emoções. 

Tem diferença entre brinquedos de menino ou menina?

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O problema é que, quando se espera de um menino ou uma menina os padrões a serem seguidos, costuma-se cair no preconceito. "É normal que, na fase do desenvolvimento infantil, as crianças queiram explorar variedade de brinquedos. Se os pais passam a reprimir a exploração, podem prejudicar o desenvolvimento do filho. Por isso, não devem fazer diferenciação de gênero", afirma.

O mesmo vale para as escolas, pois, quando mantêm esses estereótipos, as crianças passam a reproduzi-los no cotidiano e se torna algo negativo. "As crianças precisam vivenciar para descobrir coisas novas", finaliza.