Cordão umbilical enrolado em gravidez de gêmeos: é verdade ou não?

Harper e Cleo, duas irmãs australianas hoje com 8 anos, sobreviveram a uma condição extremamente rara: as gêmeas univitelinas nasceram com os cordões umbilicais entrelaçados e com um nó verdadeiro. Recentemente a foto viralizou nas redes sociais e, para saber se o caso é verdade ou não e entender como isso acontece, entrevistamos um ginecologista obstetra.

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Entenda o caso 

Ao descobrir que estava grávida, Luca, já mãe de outros dois filhos, se assustou ao saber que eram gêmeas e que elas estavam dividindo a mesma placenta e a mesma bolsa amniótica, quadro que aumenta substancialmente as chances de morte fetal. Mesmo com os médicos desacreditando da possibilidade de a gestação prosseguir e oferecendo o aborto como alternativa para minimizar o sofrimento da família, pai e mãe optaram por acreditar nos seus bebês.

Com 28 semanas a mãe foi internada e permaneceu no hospital até a 32ª, quando as gêmeas nasceram contrariando um prognóstico drástico. As meninas nasceram saudáveis e respiraram sem ajuda de aparelhos. Os cordões umbilicais, no entanto, estavam enrolados, como uma trança, e com um nó verdadeiro, surpreendendo a família e os profissionais que acompanharam o parto.

Cordão umbilical enrolado em gêmeos

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Crédito: Thinkstock

De acordo com o médico e professor Cláudio Basbaum, a gestação de Luca era de risco porque as gêmeas, além de serem originadas a partir da divisão celular de um único embrião (popularmente chamados de gêmeos idênticos), ainda estavam dividindo a mesma placenta e a mesma bolsa amniótica. Ou seja, os dois fetos estavam ocupando o mesmo espaço, sem nenhum tipo de isolamento. "Nas gestações monocarióticas e monoamnióticas, ou seja, com uma placenta e uma bolsa só, os dois cordões geralmente saem da placenta e chegam, individualmente, nos fetos, mas ficam solto no mesmo espaço", explica.

Os riscos, além de eles se enroscarem com os movimentos do bebê, está relacionado às trocas de sangue que podem existir. "Os cordões podem ter uma ligação que faz com que haja a saída de sangue de um feto para o outro. Nesse caso, um feto vira doador e o outro receptor", conta o especialista. Esta situação faz com o feto que perde sangue não se desenvolva adequadamente gerando retardo de crescimento e risco de morte, enquanto o outro, que recebe sangue demais, tenha sobrecarga de funcionamento e também não sobreviva.

Caso real

Embora seja raro e represente menos de 1% dos casos de gêmeos monozigóticos – idênticos ou formados a partir da divisão de um único embrião (um espermatozóide + um óvulo) - Basbaum, durante sua jornada médica, atendeu um caso semelhante. De acordo com o obstetra, um dos fetos morreu com 4 meses e o outro apresentou desenvolvimento normal. No entanto, poucos dias antes da data prevista para o parto, em um exame de ultrassonografia a mãe descobriu que os cordões tinham se enrolado prejudicando as trocas do segundo, que também faleceu.