Como é o nascimento de um bebê prematuro: tipo de parto, cuidados e mais

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O parto é sempre um momento de muita expectativa para a mulher. Quando ele acontece antes da hora, então, a ansiedade é ainda maior. Tem que ser cesárea? O bebê vai para UTI? A mãe poderá ficar com ele? Descubra tudo a seguir.

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Prematuridade: o que é? 

O pediatra Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, explica que bebês prematuros ou pré-termo são aqueles que tiveram menos de 37 semanas de gestação.

Quando o bebê nasce com menos de 30 semanas de gestação, ele é considerado um prematuro extremo, situação em que ele precisará de ainda mais cuidados para que seu organismo termine de amadurecer fora do útero.

Outro fator que interfere no desenrolar da saúde do recém-nascido é o peso ao nascimento. Caso ele seja muito baixo, com menos de 1 kg, por exemplo, os cuidados e a instabilidade de fatores como batimento cardíaco, pressão arterial, respiração e temperatura são ainda maiores.

Como é o parto prematuro? 

Normal ou cesárea? 

O tipo de parto, cesárea ou normal, ainda é motivo de controvérsia no meio médico. Cada caso deve ser individualmente avaliado pela equipe médica, mãe e família, até que se chegue a uma decisão. Mas, fato é que a cesariana não é indicada em 100% dos casos de prematuridade.

De acordo com a Federação (Febrasgo), alguns critérios devem ser avaliados para que o médico e a mulher decidam qual será a via de parto, entre eles:

  • Idade gestacional: quantas semanas o bebê completou dentro do útero – quanto maior o tempo, mais chances da via ser vaginal;
  • Peso do feto: quanto menor o prematuro, maior a indicação de cesárea. A instituição recomenda a via vaginal para bebês com mais de 1,5 kg;
  • Apresentação fetal: se o bebê estiver com a cabeça "encaixada" no canal vaginal, a indicação de parto normal é maior.
  • Condições do colo uterino;
  • Integridade das membranas ovulares (perdida quando a "bolsa se rompe");
  • Possibilidade de monitorização do feto durante o trabalho de parto.
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Por outro lado, existem situações em que não há a possibilidade de um perto cesárea pois a mulher já procura atendimento em trabalho de parto avançado.

Uso de instrumentos 

Ainda de acordo com a instituição, extratores como o fórceps e o vácuo devem ser menos utilizados pois aumentam os riscos de hemorragia intracraniana no prematuro, mais frágil que um bebê a termo (que nasce no tempo esperado).

O que vai acontecer com o bebê depois do parto? 

Tudo dependerá da idade gestacional do bebê. "Um bebê de 36 semanas será tratado de uma maneira praticamente igual a um bebê a termo", explica o pediatra Renato. Já um prematuro extremo precisará de muitos cuidados.

Essa atenção pode incluir um afastamento inicial da mãe e do bebê, que poderá passar por procedimentos como aspiração das vias aéreas e intubação orotraqueal, para que ele possa respirar com auxílio de aparelhos chamados ventiladores mecânicos.

Também pode ser necessário que o recém-nascido fique dentro da incubadora, que o ajuda a manter sua temperatura corporal estável, já que o prematuro tende a perder calor com mais facilidade. Além disso, caso ele não possa ou não consiga mamar, ele poderá receber leite através de uma sonda ligada ao estômago. Seu batimento cardíaco, pressão arterial e outras variáveis poderão ser constantemente monitoradas.

A internação de um bebê prematuro extremo pode durar meses e ele possivelmente terá mais dificuldade para aprender a sugar e mamar, assim como para cumprir outras etapas do desenvolvimento infantil.

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Mas vale lembrar que cada caso é um e que não necessariamente um prematuro extremo terá de passar por todos esses desenrolares. Além de variar de bebê para bebê, essas situações variam também com o tempo e tendem a ser menores quanto maior a idade gestacional e o peso ao nascer do bebê prematuro.

O que acontece com a mãe? 

Caso tenha sido uma alteração de saúde da mãe a causa do parto prematuro, ela será tratada de acordo com suas necessidades. Por exemplo: caso haja uma ruptura prematura da "bolsa", a mulher estará mais exposta a infecções e precisará receber antibióticos para evitá-las. Em situações de crise hipertensiva, serão necessários medicamentos específicos para abaixá-la. O mesmo vale para outros problemas como sangramento e mal-formações uterinas. De maneira geral, é preciso que a saúde da mãe esteja estável para que ela receba alta hospitalar, o que envolve níveis adequados de glicemia, pressão arterial, frequência cardíaca, oxigênio, entre outros fatores.