Síndrome de Down não é doença: cartilha esclarece sobre como lidar com a deficiência

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Causada por uma alteração genética, a Síndrome de Down acontece quando, ao invés da pessoa nascer com duas cópias do cromossomo 21, ela nasce com 3 cópias, ou seja, um cromossomo número 21 a mais em todas as células. Além de apresentarem deficiência intelectual, as pessoas com síndrome de Down têm algumas características físicas semelhantes e podem apresentar problemas físicos ou de saúde. No entanto, têm características muito especiais e grande potencial para desenvolverem suas habilidades. Para isso, é importante haver estímulo, principalmente da família. 

Como lidar com a Síndrome de Down 

Para orientar os pais que têm filhos com Síndrome de Down, o "Movimento Down", que busca colaborar para o desenvolvimento e a inclusão de indivíduos com essa síndrome, produziu uma cartilha que esclarece 10 pontos importantes. Veja:

1 - Não é uma doença

"É uma ocorrência genética e não uma doença. Por isso, não é correto dizer que é uma doença ou que uma pessoa que tem síndrome de Down é doente", explica a cartilha.

2 - Nem todo mundo que tem a síndrome é igual 

Olhos amendoados, baixo tônus muscular e deficiência intelectual são algumas semelhanças físicas entre os indivíduos com a síndrome de Down. Mas eles não são todos iguais. Por isso a recomendação da cartilha é que se evite mencioná-los como um grupo único e uniforme. "Todas as pessoas, inclusive as pessoas com síndrome de Down, têm características únicas, tanto genéticas, herdadas de seus familiares, quanto culturais, sociais e educacionais".

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3 - Deficiência intelectual é diferente de deficiência mental

Atenção! Deficiência intelectual não é o mesmo que deficiência mental, que é um comprometimento de ordem psicológica. Por isso, se referir à elas como "deficientes mentais" não é apropriado.

4 - As pessoas têm (e não são portadoras) Síndrome de Down

"Uma pessoa pode portar (carregar ou trazer) uma carteira, um guarda-chuva ou até um vírus, mas não pode portar uma deficiência. A deficiência é uma característica inerente à pessoa, não é algo que se pode deixar em casa", diz a cartilha. Por isso o mais adequado é dizer que a pessoa tem deficiência.

5 - A pessoa é um indivíduo, ela não é a deficiência

É importante dizer quem é a pessoa, que vem sempre em primeiro lugar, para depois citar a deficiência. A cartilha cita exemplos: o funcionário com síndrome de Down, o aluno com autismo, a professora cega, e assim por diante.

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6 - Pessoas com Síndrome de Down têm opinião

Muitas estudam, trabalham e convivem com todos. São capazes de se expressar sobre assuntos que lhes dizem respeito. A orientação é que todos procurem falar com as próprias pessoas com deficiência, não apenas com familiares, acompanhantes ou especialistas.

7 - Elas não devem ser tratadas como coitadinhas

Ter uma deficiência é viver com algumas limitações. Isso não significa que pessoas com deficiência são "coitadinhas". Pessoas com síndrome de Down se divertem, estudam, passeiam, trabalham, namoram e se tornam adultos como todo mundo. Nascer com uma deficiência não é uma tragédia, nem uma desgraça, é apenas uma das características da pessoa.

8 - De perto, ninguém é normal

"No mundo não existem "os normais" e "os anormais". Todos são seres humanos de igual valor, com características diversas. Se precisar, use os termos pessoa sem deficiência e pessoa com deficiência", sugere a cartilha.

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9 - Todos têm Direito Constitucional à inclusão e cidadania

Em 2008 o Brasil aprovou como norma constitucional a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, que diz que cabe ao Estado e à sociedade buscar formas de garantir os direitos de todas as pessoas com deficiência em igualdade de condições com os demais. Só precisa ser mais difundida.

10 - Usar a terminologia adequada é importante

"Referir-se de forma adequada a pessoas ou grupo de pessoas é importante para enfrentar preconceitos, estereótipos e promover igualdade".

Síndrome de Down: estímulo é essencial para superar limitações.