Engravidar após câncer: conheça a história de Aline, que encara o desafio de ser mãe pela segunda vez após um nódulo no seio

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Aline Baptista, 34 anos, viveu com o câncer desde muito cedo. Com avó, mãe e irmão perdidos para a doença, a gerente de vendas decidiu, após receber o diagnóstico, que com ela seria diferente. Hoje, depois de ter participado de um documentário e de ter escrito em um blog sobre seus medos e angustias, está casada e está grávida pela segunda vez após o tratamento contra o câncer.

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Tratamento contra o câncer: como era

Ainda quando tinha 6 anos, Aline perdeu a mãe. “Acompanhei o tratamento da minha mãe mesmo sendo pequena e foi muito traumático, ela vomitava muito e o cabelo caia demais”, relata a gerente. Hoje, no entanto, os tratamentos para o câncer de mama evoluíram e existem muitos tipos de quimioterapia, cada uma para tratar um tipo de problema e com efeitos colaterais bastante reduzidos.

Aline também teve que enfrentar o processo com o irmão. “Quando meu irmão completou 7 anos apareceu um tumor na perna. Aquilo foi um terror na família, mas ele foi curado. Aos 19 a doença voltou no estômago e ele faleceu”, conta.

A vivência certamente impactou a vida de Aline. “Eu sempre convivi com esse fantasma de ter um câncer e vivia muito desesperada. Qualquer coisa que aparecia no meu corpo já era motivo para eu sofrer achando que era câncer. Foi muito difícil lidar com as perdas e com a possibilidade de acontecer comigo”, diz a gerente de vendas.

Diagnóstico do câncer de mama

Em 2009, Aline descobriu que tinha desenvolvido a doença. “Eu estava no chuveiro e senti um nódulo pequenininho na axila. Conversei com meu pai e fui ao ginecologista”. Foi no momento de fazer a mamografia que ela descobriu que o nódulo podia ser indício de um diagnóstico grave. “O resultado demorou uma semana e foi o pior momento da minha vida. Eu tinha certeza que ia morrer”, conta.

Tratamento do câncer

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Crédito: Thinkstock

Depois do resultado positivo para câncer de mama, Aline saiu em busca de uma equipe médica para iniciar o tratamento. Nas consultas, pode descobrir mais sobre a história do câncer e a diferença dos tipos existentes. 

Após o preparo psicológico, Aline começou o tratamento. De oito, suas quimioterapias foram reduzidas para quatro, mas nem por isso foram fáceis. “O tratamento não é fácil. Caiu minha sobrancelha e eu fiquei me sentindo um alienígena. Em alguns momentos é muito difícil”, desabafa.

Superação

Além do apoio da família, para conseguir lidar com a doença, Aline decidiu se expor. “Eu quis fazer diferente do que já existia com a história da minha mãe e do meu irmão. Por isso, eu decidi falar sobre a doença. Eu me expus e isso foi uma cura. Eu participei de um documentário, escrevi em um blog e fazia questão de ir trabalhar com o lenço na cabeça. Eu falava com as pessoas sobre a doença e isso me deixava forte”, conta.

Servir de inspiração também foi essencial para o sucesso do tratamento. “O tratamento do câncer é feito de várias etapas. Se eu estou um passo a frente sirvo de inspiração para quem está em uma fase anterior. No fim das contas, a gente ajuda o outro e o outro nos ajuda”, diz.

Continuar com a rotina também foi uma preocupação da vendedora. “Eu vivi mais intensamente tudo o que eu já fazia. Me entreguei ao trabalho. Meu dia continuava exatamente como ele era, mas com algumas dificuldades. Separar o corpo da cabeça foi importante”, conta. 

Mas Aline também sabia respeitar seu corpo. “É claro que tinhas dias que o corpo não permitia que eu fizesse muita coisa, mas logo quando eu melhorava, já voltava ao trabalho”, fala.

Reincidência

Após a cura da doença, Aline buscou a reconstituição da mama. Mas durante a cirurgia recebeu outra notícia: havia um tumor superficial na sua pele. “Eu não encarei como uma nova doença. Eu tratei como se fosse a continuidade do meu tratamento anterior”. 

O tumor pode ser tratado apenas com radioterapia. “Com a rádio eu tive uma vida normal. Eu ia até o hospital, recebia radiação e voltava para casa sem nenhum sintoma”, relata.

Gravidez após câncer

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Crédito: Thinkstock

Após quatro anos, depois de curar a reincidência da doença, Aline se casou de novo e começou a se preparar para uma nova gestação. “Antes de querer engravidar eu fiquei tomando por um tempo um remédio que controlava minha produção hormonal. Assim que os médicos me liberaram do tratamento, eu parei de tomar e logo em seguida engravidei”, conta.

Atualmente com sete meses de gestação, ela não precisou de nenhum tratamento para engravidar. “Eu não tive dificuldade para engravidar. Mas sempre cuidei da minha alimentação, do meu corpo com os exames de rotina e acho que vale muito a influência da mente, da alma e do coração”, revela.

Embora esteja tudo bem com mãe e bebê desde o início, ela confessa que teve que enfrentar seu psicológico. “A cabeça não ficou tranquila sempre. Eu quis fazer ultrassom toda semana pra ter certeza de que estava tudo bem com o bebê. Dessa vez, minha cabeça não acompanhou meu corpo. Mas eu sei que está tudo bem com o bebê e que meu corpo está ótimo”, fala.

Para ela, que superou a doença quatro vezes e conseguiu traçar um caminho diferente, o câncer de mama precisa ser encarado como um obstáculo superável. “O câncer não pode ser o protagonista da sua história. É difícil, a doença afeta família, o corpo e a feminilidade de uma mulher, mas ele deve ser um obstáculo e não o personagem principal no livro da vida. Depois da superação, a gente fica mais forte do que nunca. É uma experiência que te transforma em uma fortaleza para o resto da vida”, finaliza.

Beatriz HelenaDo Bolsa de Bebê