Osteoporose: prevenção deve começar ainda na infância

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osteoporose é uma doença que, geralmente, só começa a preocupar as pessoas depois da meia-idade, quando a maioria dos casos surgem. O que muita gente não sabe é que esse momento pode já ser tarde demais para fazer alguma coisa contra a perda de massa óssea e as fraturas resultantes dessa perda.

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De acordo com pesquisadores que estudam a saúde óssea, os cuidados contra a osteoporose devem começar ainda na infância e continuar na adolescência, quando o corpo constrói a maior parte da reserva óssea que deve sustentá-lo para os anos de vida restantes. "Uma vez que o pico de massa óssea é atingido, novos ganhos são mínimos, por isso o período da adolescência é o melhor momento de prestar atenção ao desenvolvimento ósseo", explica o ortopedista Caio Gonçalves de Souza, doutor em Ciências pela FMUSP.

Formação da massa óssea

[[{"fid":"","view_mode":"default","fields":{"format":"default","field_file_image_description[und][0][value]":""},"type":"media","link_text":null,"attributes":{}}]]Aumento de apenas 10% na massa óssea na infância pode atrasar a osteoporose por cerca de 13 anos (Crédito: Thinkstock)

Segundo ele, cerca de 26% do total da massa óssea adulta é acumulada em um período de dois anos no início da adolescência, que é a época em que a massa óssea aumenta mais. "Por volta dos 20 anos, as meninas já ganharam em média entre 90-96% do seu pico de massa óssea. Para os meninos, o pico médio ocorre alguns anos depois", diz.

Estudos já realizados indicam que um aumento de apenas 10% na massa óssea na infância pode atrasar a osteoporose por cerca de 13 anos, especialmente a que ocorre em mulheres na pós-menopausa. "Embora nada possa ser feito sobre três dos fatores de maior influência sobre a massa óssea, que são a idade, o sexo e a carga genética, outros dois fatores são passíveis de serem alterados: a atividade física e os nutrientes de construção óssea, o cálcio e a vitamina D. Uma intervenção efetiva sobre eles pode fazer a diferença entre sofrer fraturas na meia idade e ter que conviver com os efeitos indesejáveis da osteoporose, como a diminuição da estatura e o aparecimento de dores nas costas", afirma.

Exercícios mais indicados para evitar osteoporose

[[{"fid":"","view_mode":"default","fields":{"format":"default","field_file_image_description[und][0][value]":""},"type":"media","link_text":null,"attributes":{}}]]Natação é um dos esportes mais indicados (Crédito: Thinkstock)

Alguns tipos de atividades físicas são melhores que outras. "Adolescentes e adultos que participam de esportes de resistência, como corrida de longa distância, triathlon, ciclismo e natação, muitas vezes, têm menor densidade mineral óssea (DMO) do que ginastas e atletas que praticam esportes com bola. A baixa densidade mineral óssea aumenta o risco de fraturas, tanto de fraturas por estresse, quando o jovem atleta está competindo ativamente, como mais tarde na vida", explica.

Já exercícios com esforço repetitivo, como corrida, caminhada e ciclismo, não aumentam a resistência óssea e podem desgastar as articulações. "Não é que sejam ruins, mas é que os ossos parecem responder melhor a uma combinação de carga e repouso em graus e velocidades diferentes. A forma mais eficaz de aumentar esta massa é a que trabalha contra a gravidade em ritmo alternado (começa e para), como acontece quando se joga futebol, basquete, tênis ou se faz ginástica ou dança. Também é útil levantar pesos", recomenda o ortopedista.

Dicas para prevenir osteoporose

[[{"fid":"","view_mode":"default","fields":{"format":"default","field_file_image_description[und][0][value]":""},"type":"media","link_text":null,"attributes":{}}]]Manter hábitos saudáveis de alimentação desde a infância é fundamental (Crédito: Thinkstock)

- Aleitamento materno exclusivo até os seis meses e manutenção do aleitamento após a introdução de alimentos sólidos até os 12 meses de idade;

- Comer 5 porções de frutas e vegetais por dia;

- Optar por produtos lácteos com baixo teor de gordura;

- Limitar o tempo de tela (TV, tablet, celular) para menos de duas horas por dia para evitar o sedentarismo;

- Fazer pelo menos 1 hora de atividade física por dia, de preferência ao ar livre. O importante é que eles variem as atividades físicas;

- Adotar uma dieta rica em cálcio. Crianças com idades entre quatro e oito anos devem consumir 800 miligramas de cálcio por dia. Entre nove e 18 anos, 1.300 miligramas.

- Se as crianças ou adolescentes não estão recebendo quantidade suficiente de cálcio a partir de sua dieta, devem tomar um suplemento de cálcio com a vitamina D;

- A vitamina D é necessária para o corpo absorver e utilizar o cálcio da dieta. Ela é formada no nosso próprio corpo quando a pele é exposta aos raios ultravioleta B presentes na luz do sol, mas o amplo uso de protetores solares potentes reduziu muito essa formação, de modo que a suplementação oral pode ser necessária;

- Um acompanhamento nutricional também é importante, para que não haja perda de energia e para que sejam feitas as orientações alimentares corretas para cada caso.