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Menina x menino. Cuidados diferentes?

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Bebês

Por Dr. Roberto Cooper – Pediatra*

Do Bolsa de Bebê

Será que há algo que mães e pais devam fazer diferente, quando se trata do cuidado de uma menina ou menino? Há uma diferença visível entre ambos e, do ponto de vista físico, somente esta diferença exige cuidados diferenciados. Explico.

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A menina tem uma vagina e o menino um pênis. O primeiro cuidado diferente é quanto ao sentido com que se deve limpar o bumbum da menina. Sempre se deve limpar o bumbum da menina da frente para trás, sem retornar com o algodão ou lenço umedecido para a frente. Isto porque a uretra da menina (por onde sai a urina), fica por dentro dos grandes lábios e teria mais facilidade de se contaminar caso a limpeza do bumbum fosse feita de trás para a frente. A contaminação da uretra pode provocar uma infecção urinária. Já com os meninos, esse cuidado com o sentido com que se limpa o bumbum tem menos importância. Por outro lado, a higiene do menino, a partir de uma certa idade (entre 1 e 3 anos) precisa ser feita  puxando o prepúcio (pele que recobre o pênis). Eventualmente esta pele fica tão fechada que os meninos precisam passar por uma cirurgia de fimose. Esta seria mais uma diferença. Na adolescência há toda uma diferença com relação à menstruação e seus cuidados, bem como quanto ao uso do sutiã.

Tirando esses aspectos físicos, localizados, não deveria haver nenhum cuidado diferente entre meninas e meninos. Seria até saudável que não houvesse diferença porque estas, em geral, contribuem para o desenvolvimento de comportamentos preconceituosos na vida adulta. Se acreditamos que mulheres e homens merecem o mesmo respeito e condições iguais de ensino e trabalho, temos que prestar muita atenção no que dizemos e fazemos quando nossos filhos são pequenos. Exigir que meninas sejam arrumadas e tolerar que meninos não o sejam, obrigar as meninas a pegar suas coisas no chão (isso é um quarto de princesa?) e ter uma mulher (mãe ou empregada) para pegar as coisas no chão do quarto do menino (meninos são assim mesmo) é uma mensagem muito forte do papel (equivocado) da mulher e do homem. Quando nas nossas casas os homens ajudam nas tarefas domésticas, reforçamos  essa diferença porque quem ajuda está fazendo uma concessão, um favor. Somente nas casas onde o trabalho é dividido por todos que lá moram é que a mensagem de não discriminação da mulher fica mais forte. Quando o menino pode namorar de um jeito e a menina de outro, reforçamos, uma vez mais, a discriminação.  Portanto, se você não acha razoável que mulheres sejam discriminadas ou até desrespeitadas pelo simples fato de serem mulheres, cuide da forma mais parecida possível dos seus filhos meninas e meninos.

*Dr. Roberto Cooper é médico formado pela UFRJ em 1976

Residente de Pediatria do Hospital da Lagoa- 1976/1977

Título de Especialista em Pediatria pela Sociedade Brasileira de Pediatria

Médico do Instituto Fernandes Figueira- FIOCRUZ

Consultor da OMS até 1985

Contatos: consultoriorcooper@globo.com

http://www.robertocooper.com