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De olho no sapinho!

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O nome até é bonitinho, mas de inofensivo e fofo o "sapinho" não tem nada. A candidíase oral (ou monilíase), como é cientificamente chamada a doença, é uma infecção bucal que traz dores, irritação e desconforto. Causada pelo fungo Candida Albicans - da mesma família do causador de assaduras e vaginite em mulheres - o sapinho pode ser visto em mais de 80% das crianças com até quinze dias de vida. Apesar de ser uma doença simples de tratar, se não for levada a sério, pode trazer complicações mais graves, como perdas nutricionais no pequeno e infecções na própria mãe.

Até os seis meses de vida, os bebês correm grandes riscos de contrair a doença. "Eles ainda possuem uma imunidade baixa e estão cercados de chupetas, mamadeiras e brinquedos que se não forem bem limpos, e forem levados à boca, favorecem o aparecimento do 'sapinho'. Além disso, o próprio acúmulo de saliva nos cantos dos lábios também é um fator desencadeante da doença", esclarece a pediatra e professora de medicina daUNB Vera Lúcia Bezerra. "A infecção também pode ocorrer por transmissão vertical, isto é, da mãe para o filho no momento do parto", relembra a infectologista da Unifesp, Maria Aparecida Ferrarini. Mas, você sabe identificar se o seu neném está com essa doença?

Lavar as mãos ao manusear o bebê, evitar falar próximo dele, ter cuidado com a presença de infecções em unhas e manter os mamilos secos é de extrema importância

Sintomas

O sapinho pode aparecer na boca, língua, gengivas, parte interna das bochechas e nos lábios. "O sinal mais freqüente é a presença de placas esbranquiçadas com aspecto semelhante à nata de leite. E é de difícil remoção", esclarece Maria Aparecida. Além de irritação e queimação na boca, é freqüente a queixa de diminuição das mamadas, já que a dor acaba reduzindo o apetite do bebê.

Ainda que pareça inofensivo, se o sapinho não for tratado a tempo, há grandes chances de desencadear conseqüências mais graves. "O fungo pode invadir o sistema sangüíneo, causando a candidíase disseminada, que acomete vários órgãos. E pode desencadear meningite, hepatite e infecção cardíaca com alta mortalidade", alerta a infectologista.

Além das crianças, as mães também representam um potencial grupo de risco à contaminação pela doença. "Se a criança com sapinho está sendo amamentada, o fungo pode passar para os seios da mãe, causando feridas, vermelhidão e dor. Nesse caso, se ambos não forem tratados, acaba virando um efeito pingue-pongue", revela a pediatra Vera Lúcia Bezerra. No entanto, o caminho inverso também é possível. "Se houver fissuras, escoriações e assaduras no bico do seio da mãe, e ela permanecer com tampões que favoreçam o atrito, o calor e umidade, a doença pode surgir e ser passada para o bebê durante a amamentação", garante Maria Aparecida.

Prevenção e Tratamento

Nem sempre o sapinho é tratado com a devida atenção. A semelhança dos sintomas com resquícios de leite faz com que muitas mães não percebam que o neném está doente. Por isso, é sempre importante higienizar a boca da criança. "As mães devem evitar que ela fique com restos de alimentos na boca. O ideal é que se passe uma fralda úmida ou uma dedeira na gengiva da criança, fazendo uma espécie de limpeza", aconselha Vera Lúcia. E, de fato, a higiene é a melhor arma de combate à doença! "Lavar as mãos ao manusear o bebê, evitar falar próximo dele, ter cuidado com a presença de infecções em unhas e manter os mamilos secos é de extrema importância", orienta Maria Aparecida. Chupetas, mamadeiras e objetos que a criança possa levar à boca devem ser fervidos ao menos uma vez por dia ou limpos com água oxigenada.

Se a doença já estiver instalada, a dica é procurar imediatamente um especialista. O tratamento é simples e, segundo Vera Lúcia, leva de cinco a sete dias. "Além dos cuidados básicos com a higienização, geralmente, administra-se um antifúngico oral", explica a pediatra. Alguns especialistas receitam, ainda, analgésicos para amenizar a dor. Vale lembrar que em hipótese nenhuma deve-se cutucar ou tentar remover a área infectada, com o risco de arranhar a região e até fazê-la sangrar.

A mamãe também deve "reduzir a ingestão de doces na dieta da criança e em sua dieta, se estiver amamentando", aconselha Vera Lúcia. O açúcar, assim como os antibióticos, colaboram para a proliferação do fungo.

No mercado já podem ser encontrados produtos que possuem tecnologia antimicrobiana, inibindo a proliferação de bactérias e fungos em utensílios como talheres, potes, inaladores, brinquedos e banheiras. Dê preferência a eles.

Depois de tantos cuidados, seu bebê ficará saudável e feliz!

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